segunda-feira, 11 de dezembro de 2017

Banalizaram a corrupção

A impressão que se tem, olhando o panorama visto de longe, após assistir, durante muito tempo toda a campanha do impeachment contra Dilma, quando se falou tanto contra a corrupção no governo do petê, partido que, dizia-se, precisava ser banido da vida pública nacional, exatamente por quem, depois assumiria o governo central, e contra quem havia sérias denúncias criminais, acusações gravíssimas. Pois bem, para tomar o poder, alcançar os objetivos golpistas, falou-se muito sobre corrupção, falaram o que nunca haviam falado, e não haviam falado antes, porque também sempre foram corruptos, envolvidos em diversas falcatruas com dinheiro público. Agora para conseguir derrubar uma presidente enfraquecida politicamente, sem apoio na Câmara, bombardeada o tempo pelo presidente da Câmara Eduardo Cunha, outro corrupto, com um arsenal de pautas bombas, lançadas uma atrás da outra, visando impedi-la de governar, nada que vinha do Planalto era aprovado na Câmara, a maioria nem chegava à votação, que o boicote de Cunha acabava engavetando. Os golpistas falaram muito de corrupção,  usaram vários meios para tratar do assunto, a televisão, revistas, jornais, rádios e principalmente a internet, durante o golpe/impeachment, não importa quem venha primeiro, golpe ou impeachment, mas falaram tanto, sempre com a ideia de corrupção conectada a suborno, limitada apenas ao suborno, suborno quase como definição de corrupção, jamais se mencionava ou se atentava para outras formas de corrupção, que não são poucas, como se sabe, tão nefastas quanto ou mais, que o suborno. E essa banalização da palavra corrupção se deu, quando usaram e abusaram do termo em demasia, usaram em excesso, que o termo acabou se tornando uma palavra desgastada, a tal ponto, que não é difícil encontrar um corrupto contumaz, gente com vários inquéritos nas costas, denunciado como suspeito de práticas ilícitas, blindado pelo privilégio do foro, e que está livre, para gerir seus negócios ilícitos, todo mundo sabe, todo mundo conhece, fala-se a respeito, o rumor é geral, nas colunas de jornais impressos e também publicados na internet. Enfim, o rumor está em todas as bocas, mesmo assim, para encarnar o personagem, a primeira impressão que vem é a figura do político, mas não apenas os políticos são protagonistas nessa história, essa habilidade, hoje em dia, é encontrada e vista em todas profissões. Vamos supor que o personagem seja um político corrupto. Da maneira que falaram de corrupção, se o leitor tivesse feito a cabeça pelas mídias dominantes, diria que político e corrupto são quase sinônimos, tal foi o processo de desqualificação do político pela oposição ao governo Dilma, sendo que os próprios, agora estamos vendo realmente, o quanto a cúpula toda do golpe é corrupta, chefiada pelo gangster maior com cara de vampiro, Michel Temer, que se protegia, enquanto armava seus planos diabólicos, deixando a sua retaguarda sob o comando do "general" Eduardo Cunha, chefe de mais de cento e quarenta gatunos na Câmara dos deputados, todos eleitos com dinheiro sujo, obtido através da venda de favores, no balcão de negócios em que se transformou a Câmara dos deputados, além de muitos outros acusados, entre os quais, figuras como Moreira Franco, Eliseu Padilha, Geddel Vieira Lima e Henrique Alves. Pois bem, estou cansado de assistir gente desse naipe, figurões de alto escalão, prefiro dizer, bandidos de alto escalão, vir a público, seja em entrevista na televisão, ou na internet, a fazer declarações e até, muitas vezes, discursos inflamados contra a corrupção. É inacreditável, mas é verdade, quem vive no Brasil, sabe do que estou falando.Quem não se lembra de ver Geddel Vieira Lima e família, por exemplo, todos vestidos de verde e amarelo, em manifestações públicas na Bahia contra a corrupção. Uma desconsideração total e completa com a verdade, e com a inteligência alheia, como se tudo pudesse ser tudo, uma desfaçatez completa, quase um cinismo, não no sentido filosófico, propriamente dito, mas no senso comum mesmo. Como numa peça de  Luigi Pirandello, “assim é se lhe parece”. Tem gente que pensa, que para tirar o oponente do caminho, basta desqualificá-lo gratuitamente, sem motivo ou razão aparente, e do nada, transformar o adversário num nada, de uma hora pra outra, como num passe de mágica, desconsiderando toda a história de vida do oponente, sua formação, eficiência na execução de seus objetivos, vontade própria, convicções, crenças políticas e ideológicas, pensa que pode destruir sua imagem sem motivo, emburaca e escancara o desrespeito contra o adversário, com truculência, violência inaudita, violência não esperada. Acusa o adversário de corrupto, sendo o próprio acusador um corrupto incurável. O sujo falando do mal lavado.

sexta-feira, 8 de dezembro de 2017

Fascistas brasileiros cobram mais democracia na Venezuela



Esse vídeo vai principalmente, para aqueles que, de forma irresponsável, estão vindo a público, defender uma intervenção norte-americana na Venezuela, baseados e inspirados naquilo que leem na grande imprensa brasileira, uma imprensa que tem lado, que é partidária, corrupta, golpista, tendenciosa, mafiosa e aliada dos interesses ianques. Uma imprensa que possui em seus quadros profissionais, alguns jornalistas a trabalho, prestando serviço, fazendo uma boquinha, para serviços de espionagem norte-americanos, tanto aqui como na Venezuela. Acredito que alguns desses canalhas, favoráveis à intervenção no país vizinho, sabem toda a verdade e conhecem perfeitamente, a real situação da Venezuela, sabem o que mostra e revela o vídeo de Paulo Moreira Leite, mas como hoje o que manda mais é a MÁ-FÉ, então nada mais importa. Não importa mais a verdade, e sim determinados interesses políticos criminosos de uma gente cretina, que vem a público mentir e dar apoio a intervenção, desejam que uma guerra se instale em nosso continente. E o mais inusitado de tudo, é ver alguns desses canalhas posar de democrata, acusar o regime político do país vizinho de ser uma ditadura, e em relação ao seu próprio país, o Brasil, defendem pautas absolutamente fascistas. Justificam e legitimam com seus comentários maldosos, os procedimentos de certo judiciário nacional, que comete arbitrariedades contra acusados delatados sem provas, com conduções coercitivas, prisões preventivas, coação, extorsões e uma série de outros atos ilícitos e fora da lei, que vão na contramão de qualquer regime democrático, que mereça esse nome. Defendem práticas e procedimentos judiciais no Brasil, fora do estado democrático de direito, e no entanto criticam o governo venezuelano, por reprimir atos de vandalismo realizados por desordeiros de extrema direita, que sabotam a ordem pública, destruindo, queimando o patrimônio público e impedindo o direito de ir e vir da população civil. Portanto são fascistas no Brasil, e quando mencionam a Venezuela, querem fazer uma selfie posando de democratas. Aliás, quando apoiam os desordeiros de lá, estão sendo fascistas também, mas não têm alcance para entender o processo. É muita cara-de-pau. E contradição!



segunda-feira, 4 de dezembro de 2017

Guerra de narrativa

Hoje em dia, ao mesmo tempo, que ficou mais fácil, qualquer pessoa ir para uma rede social, para falar ou escrever sobre qualquer coisa, o que, à primeira vista, parece uma coisa boa, e deveria ser, mas não é bem assim, que a banda toca. Porque tem gente, que conheço há décadas, que não entende nada de política, não sabe nem quem foi Maquiavel, e que de repente, vejo que se transformou da noite para o dia, num exaltado analista político, ditando regras sobre quase tudo, fala até mesmo de parte do planeta onde jamais pôs os pés. O que é bem complicado, pois  na exaltação provocada pela paixão política, acaba dizendo besteira, que me faz ficar pisando em ovos, para não ofender ao querer criticar ou comentar, e acabo desistindo. Leio a bobagem publicada, mas não digo nada, evito fazer qualquer comentário a respeito. Talvez possa ser considerado um excesso de cautela ou covardia da minha parte não comentar. Penso sempre, quando isso acontece, que qualquer coisa dita, possa ser mal interpretada ou não bem compreendida, e aí o estrago será fatal, com o que, posso acabar criando um clima, um stress desnecessário, ferir a susceptibilidade alheia, e como consequência, acabar por criar uma inimizade. Então é preciso tomar cuidado. Foi por isso, que passei a procurar entender porque a maioria das pessoas evitam  fazer comentários, é difícil encontrar comentários, mas essa dificuldade  poderá ser também, uma incapacidade do leitor, expressar um pensamento, ou até mesmo, entender com mais profundidade o texto. Enfim, pelo sim pelo não, a maioria dos leitores, na minha avaliação, fogem, por tudo que é mais sagrado, como o diabo foge da cruz, de fazer um comentário. É raro encontrar alguma nota nas coisas, que vejo publicadas. Evidentemente, tudo que falei só vale, quando estamos se referindo às postagens dos amigos, porque quanto aos desconhecidos, é um verdadeiro salve-se quem puder, há de tudo, fala-se e escreve-se de tudo e muito. Acontece, que o momento que o país está passando, que o golpe mergulhou numa tremenda crise política, crise que dividiu o país, numa verdadeira guerra de narrativa, a direita contra a esquerda e vice-versa. Assim que o golpe se deu, os militantes do campo popular, a chamada esquerda, que sempre foi muito dividida dentro de seu espectro político, da extremidade ao centro. O golpe político deixou a todos do campo popular atônitos, meio nas cordas, na defensiva, e assim se mantiveram até recentemente. Agora, pouco a pouco, esse campo político, estimulado pela escalada das caravanas de Lula, que está disparando nas pesquisas eleitorais, como o candidato melhor avaliado, e em virtude disso, as esquerdas começam a reagir, embora Lula não seja unanimidade nas esquerdas, é visto nessa conjuntura, como a melhor alternativa, para a saída da crise provocada pelo golpe, e tudo isso começa a se refletir no discurso político publicado, isto é, na narrativa de esquerda, e até mesmo na batalha que se trava em toda parte, sobretudo na internet, onde o pau está quebrando o tempo todo. Chega a ser contagiante, acompanhar a luta ideológica travada no dia a dia, onde não existe marasmo. Aposto muito mais as minhas fichas na narrativa de esquerda, porque as pautas da direita são muito impopulares, além de conservadoras e reacionárias. É verdade, que eles contam com o forte auxílio da  mídia aliada oligopolista familiar e mafiosa de direita, mesmo assim, já começo a sentir uma leve vantagem do discurso esquerdista. Tanto é assim, que o candidato Lula, apesar de toda demonização feita pela mídia contra a sua figura, está na frente em todas as pesquisas, e continua avançando a cada nova pesquisa realizada, embora a campanha eleitoral ainda esteja longe de iniciar oficialmente. É claro, que a direita golpista está contando como certa, a criminalização do candidato Lula pela injustiça seletiva, parcial e partidária de Curitiba. Porém, como se sabe muito bem, todo grupo autônomo, que se investe de poder durante muito tempo, em algum momento, acaba sempre trocando os pés pelas mãos, o que o leva a fazer bobagem, cometer erros, e até praticar o ilícito e a corrupção. E assim é o que parece, que anda acontecendo com a força tarefa da Lava Jato, tanto a de Curitiba, como a do Rio de Janeiro, e até mesmo a de Florianópolis, onde uma delegada irresponsável da PF, ao receber uma falsa acusação de um desafeto do reitor, mandou prender e cometeu tantas arbitrariedades contra o reitor Cancellier da UFSC, que acabou por levar o pobre homem a cometer suicídio, o que já provocou um pedido de abertura de inquérito policial, para apurar o que aconteceu. Portanto, a guerra  política está aberta, declarada e escancarada, os militantes do campo popular não estão mais deixando barato, estão respondendo a tudo e a todos. Ainda é cedo e imprevisível avaliar até onde tudo isso pode chegar, mas se a justiça, que é parte do golpe, com Sérgio Moro e sua turma, resolver tirar Lula da jogada política, com condenações sem provas, como já foi feito por Moro na primeira instância em Curitiba, mas que ainda está dependendo do que decidirão a segunda turma de Porto Alegre, poderá haver reação popular, que ainda não se pode avaliar seu impacto, mas que poderá provocar confrontos e desestabilização por todo lado. Há quem acredite nisso. É preciso aguardar, para ver os desdobramentos. Mas a direita está esticando tanto a corda, que esta poderá não aguentar.

domingo, 3 de dezembro de 2017

As coisas estão mudando

Tenho ouvido dizer, que a direita política, aproveita-se dos momentos de crise econômica e política, para engendrar as suas pautas conservadoras e extremamente impopulares, para as inocular na sociedade, através de massiva propaganda, onde instrumentaliza o ódio contra supostos inimigos, deixando-os na defensiva e assim tornar mais fácil o avanço em busca de seus objetivos espúrios. Com o golpe político, que se iniciou com a derrubada do governo anterior, através de um impeachment ilícito, e que continua avançando dia a dia em outras áreas do Estado, como definido pela Constituição de 1988, que os governos posteriores foram, pouco a pouco, regulamentando e estruturando, onde muita coisa ainda estava por fazer. Com o golpe não só foi interrompido o lento avanço, que vinha sendo feito, como foi alterado, cortado, violado, estuprado e retirado várias garantias constitucionais, conquistas da sociedade civil alcançada depois de longas e duras lutas. E assim da noite para o dia, os golpistas resolveram acabar vilipendiando, num verdadeiro rolo compressor, e só não fez mais, devido aos seus próprios erros e falhas, como as duas denúncias contra Temer, feitas pela Procuradoria Geral da República, que solicitou ao STF dois pedidos de investigação contra o presidente ladrão e golpista, que tendo que se defender, não sobrou muito tempo para continuar a sua investida devastadora contra o Estado e a sociedade brasileira. A gente sabe quem são os principais agentes do golpe, aqueles que instrumentalizaram o golpe, uma artimanha iniciada pela Câmara dos deputados, para dar uma aparência legal, através do pedido de afastamento da presidente protocolado na Câmara, pela descabelada Janaína Paschoal e pelo advogado gagá Hélio Bicudo, aceita pelo criminoso confesso Eduardo Cunha, que presidia a Câmara na ocasião. Um impeachment sem crime de responsabilidade não poderia jamais ser legitimado, então eles inventaram um fenômeno inusitado, chamado de pedaladas fiscais, e sacramentaram com uma vitória acachapante no dia 17 de abril de 2016. O STF completamente conivente com a farsa do impeachment, acovardou-se, não se posicionou, e acabou por aceitar o golpe dado, que se consumou com o afastamento definitivo da presidente. É claro, que os golpistas não poderiam agir, como fizeram, sem contar com o apoio da mídia, de uma mídia mafiosa, composta por oligarquias familiares, que cartelizou completamente a veiculação de notícias no país, da pior maneira possível, num país que retardou muito em fazer a regulação da mídia, como já existe na maioria dos países avançados do mundo civilizado, sobretudo na Europa ocidental e EUA. Para agravar a situação, o Ministério Público Federal tendo recebido pela Constituição de 1988, uma certa autonomia de operação, como jamais tinha tido ao longo da história, e só recebeu porque estávamos saindo de uma regime ditatorial, e não se queria interferência externa no judiciário. Com a presidente sofrendo ataques a partir de 2013 de todos os lados, o MPF começou a soltar as suas asinhas, e começou a cometer todo tipo de arbitrariedade, principalmente em operações feitas em conjunto com a PF, realizando prisões arbitrárias, conduções coercitivas, coações, ameaças a familiares de acusados, e muito mais, quebrando praticamente com o Estado de direito do país, num arremedo do modus operandi do MP dos países anglo-saxões, o que não é a nossa tradição jurídica, em nenhuma hipótese, e que continuam a praticar abusos e arbitrariedades até o presente momento. De repente, as esquerdas muito divididas, que estavam todas recuadas e na defensiva, começam a despertar da letargia e a reagir, e refletir sobre os erros cometidos, que as fizeram chegar até esse ponto. Foram republicanos demais, precisam ser mais maquiavélicos em todos os sentidos, porque as cobras peçonhentas da direita levantaram demais suas cabeças nojentas, que precisam ser esmagadas o quanto antes. Na próxima vez não será mais como antes, não se pode compor, nem fazer alianças com cobras desse calibre. O jogo precisa ser diferente. Não se pode deixá-los se criar, nem deixar mais o campo aberto. A luta continua.

terça-feira, 28 de novembro de 2017

O jardim de dona Estrovenga

Dona estrovenga é uma velhota baixa e atarracada, não deve passar muito, se passar, de um metro e meio de altura, com uma idade em torno dos setenta anos, talvez um pouco mais ou um pouco menos, porque é sempre muito difícil precisar a idade de uma mulher. Não é gorda nem magra, dirige automóvel, não bebe nem fuma, tem uma pequena cadelinha, que lhe faz companhia, já que é muito solitária, quase não recebe visitas. Leva a vida, a maior parte do tempo, isolada e fechada dentro de casa, e o que faz para ocupar o tempo é um mistério, ler livros não pode mais, pois como sofre de mácula, não pode passar muito tempo com leituras prolongadas, com isso, os livros foram descartados completamente, mantém ainda uma assinatura de jornais, mais por hábito, pois gosta de fazer palavras cruzadas, uma mania que cultiva desde jovem, além disso, ler as resenhas de novelas da telinha, e mais uma ou outra coisa, que encontre no jornal, porque com a política não se ocupa mais, considera uma perda de tempo. Parece um pouco masculinizada, principalmente pela voz, quando a escuto falando, sem vê-la, só pelo o tom da voz, já dá impressão de estar ouvindo um homem, tal é a gravidade do timbre, quase um baixo profundo, uma nota a mais ou a menos, facilitaria muito se quisesse ser dubladora, porque poderia perfeitamente dublar personagens masculinos. Mas não é só pela voz, que a deixa com aspecto de macho, acredito que como pertence a uma geração de mulheres, onde era mais do que necessário, esconder o máximo possível, qualquer dissonância da norma vigente, do padrão estabelecido, enrustiu tanto, que acabou alcançando, de forma involuntária, uma afetação além da conta, que não sei se percebe em si mesma. Na versão masculina do mesmo fenômeno, é mais ou menos, o que se costuma observar, em certos gays, que mesmo à distância, se costuma dizer: "lá vem um gay", por mais que ele queira esconder ou camuflar a sua orientação. Esse é um mistério, que guarda trancado a sete chaves, jamais abre ou fala a respeito, ou seja, não gosta de falar sobre a sua orientação sexual. Uma particularidade, que deve ser respeitada. Fica bastante irritada, quando percebe alguma insinuação ou desconfiança a respeito. Bem, voltando para o dia a dia da vida pública de dona Estrovenga, da vida que leva no condomínio, não preciso dizer, que não se dá com nenhum condômino, não fala com ninguém, nem o cumprimento social básico, do bom dia boa tarde, salvo com a síndica, sua cúmplice e confidente, a quem narra todas as intrigas, fofocas e mentiras, que inventa com a sua cabeça maluca e maldosa, estórias que tece na sua falta do que fazer, na vida vazia e ociosa, que leva. Dizem as más línguas, que o seu saco de maldades está quase transbordando. No trato com os empregados do condomínio, faz questão de ser sempre muito dura e autoritária, acha que só agindo dessa forma, eles irão respeitá-la, foi a própria, quando ainda me dava com ela, que me alertou uma vez, que estava sendo muito benevolente com a faxineira, que a qualquer momento, a empregada iria aprontar alguma. "Com essa gente tem que ser durona mesmo, senão não entendem", asseverou. Então, era assim que agia, de forma ríspida, dura, autoritária e arbitrária, falando sempre de cima pra baixo, com todos os empregados, do pedreiro ao jardineiro, tanto que nas redondezas, todos os que passaram pelo condomínio, e que estiveram sob suas ordens, não a suportam, todos têm ojeriza à sua pessoa, todos sem exceção. Tanto é assim, que um profissional, que conheci na vizinhança, desses homens, que prestam qualquer tipo de serviço, trabalha em várias áreas, é pau para toda obra, como se costuma dizer, uma espécie de quebra-galho, um faz-tudo, de bombeiro-hidráulico a jardinagem; nos meses mais frios, costumava comprar dele, lenha de lareira, telefonava e ele trazia, um ou dois feixes, em geral de eucalipto. Mas só consegui comprar poucas vezes, contou-me, que entrava no condomínio meio ressabiado, preocupado e receoso com a possibilidade de um encontro inesperado com dona Estrovenga, com quem tivera um stress sério tempos atrás, temia ouvir algum desaforo, uma provocação, e assim, perder a cabeça, não conseguir se controlar, e acabar fazendo uma coisa pior, porque a odiava profundamente. Nunca soube a razão de tanto ódio, embora desconfiasse e imaginasse, pelo que já conhecia da invocada senhora, e assim acabei perdendo um bom fornecedor de lenha. Todos costumavam dizer, quando queriam se referir à dona Estrovenga, que era muito sistemática. Dessa forma, era sempre muito difícil dona Estrovenga encontrar um jardineiro, que morasse por perto, pelas redondezas, quando conseguia encontrar algum, podia-se ter certeza, que vinha de longe ou de muito longe. Costuma dizer, que jardinagem, é o seu hobby favorito, mas o curioso, é que nunca a vi gastar seu tempo com qualquer jardineiro, por as mãos literalmente na terra, pelo menos, com os jardineiros que passaram por lá. O jardineiro chegava, ela o recebia, dizia o que precisava ser feito, dava as ordens, como se diz, e em seguida voltava para os seus aposentos e se enclausurava. O negócio dela é mandar, adora ter poder, ter alguém sob seu comando, para poder se sentir a tal. Se por acaso, tivesse nascido homem, certamente teria feito carreira, com muito gosto, na cavalaria do exército. Temperamental, irritadiça, de maus bofes e com mania de perseguição, está sempre achando que estão armando algum complô contra si, é muito difícil conviver com dona Estrovenga. Ultimamente descobri mais uma faceta na personalidade de dona Estrovenga, bisbilhotar, mas bisbilhota de forma enrustida, dissimulada, não assume jamais, gosta de ficar atrás de portas ou janelas, na espreita, tentando ouvir conversas, para se prevenir de futuros ataques de potenciais desafetos, que segundo ela, são muitos. Sua palavra favorita é "padrão", talvez por ter se submetido ao padrão  vigente da normalidade sexual dominante durante tanto tempo. Já a palavra que mais odeia, por motivos óbvios, é "capivara". Muito difícil e problemática é a vida de dona Estrovenga!

domingo, 26 de novembro de 2017

Quando pensei escrever uma carta





Prezada Administradora,

De início preciso mencionar o que motivou escrever essa carta, sem o que, jamais teria tomado a iniciativa de por alguma coisa no papel, e endereçar a vossa competência. Foi quando tomei conhecimento, que a vizinha de parede, unidade 102, havia sido repreendida através de uma notificação por escrito, ou seja, uma carta, coisa que já não escuto falar há tempos. O fato de alguém receber uma carta hoje, é tão inusitado, que me espantei assim que ouvi o relato. Hoje tudo é feito de outro modo, por outro meio, o meio digital, como o e-mail, redes sociais, por onde a maioria se comunica. Pois bem, a vizinha do 102 foi chamada às favas, por ter plantado uma roseira. Plantar uma roseira, onde não devia, foi considerado grave, sob a alegação que estava fora do padrão, tinha que retirar a roseira imediatamente, sem chance do contraditório, direito de defesa, sem poder alegar qualquer coisa, sobre porque plantou, etc., nada. De imediato aquilo tudo bateu rápido na cabeça: carta, escrito, roseira, fora do padrão. Não muito tempo depois indaguei-me, ora bolas! Estou com a parte do jardim anexo à minha unidade 101, a parte do jardim que vejo da janela, completamente abandonada, cheia de lixo, plantas mortas tombadas, mato e aranhas entrando pela janela, um horror! E até aqui não me mandaram nenhuma carta, será que é porque não notaram nada de anormal ainda? Não viram que aquele pedaço de jardim está um caos, e portanto fora do padrão do restante do jardim. Não é possível, que não tenham visto, talvez tenham visto, mas a intenção seja mesmo mantê-lo naquele estado. Porque, tem horas, que os olhos só veem o que o fígado quer. E nessa dancei, me tornei invisível, eu e o pedaço de jardim anexo. Mas como não viram? Se conseguiram perceber uma pequena muda de roseira, plantada perto da porta do 102? Que talvez só tenha sido descoberta, pelo local onde foi plantada, quem sabe se ela tivesse sido plantada no meu pedaço de jardim estivesse viva até hoje. Certamente teria mais chances lá, já que não olharam para o jardim do “povo do buraco” durante o ano inteiro. A pessoa que cuida e zela pelo jardim é a moradora da unidade 201, é quem recebe o jardineiro e ordena o que ele tem que fazer, distribui as tarefas do dia; em outras palavras, é quem dá as ordens ao homem do jardim. Se foi tão zelosa e eficaz com o jardim, a ponto de perceber a roseira plantada, se prestou tanta atenção e foi veloz suficiente, a ponto de tomar providências e solicitar à síndica, que chamasse atenção do 102. Por que largou então a parte do jardim, que me corresponde, abandonada durante tanto tempo? Durante o ano inteiro. Por que será? Continuando a refletir a respeito, questionei: então uma roseira é uma coisa indevida, fora do padrão, e uma parte do jardim completamente abandonado, feio, mato alto e cheio de lixo NÃO É? Tem algo errado aí, algo não tá batendo. Esse negócio de considerar uma muda de roseira plantada no jardim, como algo fora do padrão, não tem nenhum sentido, é uma desculpa esfarrapada, para outro nome que não têm coragem de confessar, a implicância. Condenaram à morte a pobre da roseira por pura implicância, porque não escondem, que não gostam nem um pouco, da moradora do 102, fazem questão de cultivar e manter um permanente clima de tensão e hostilidade, como se a intenção fosse transformar a vida de quem vive no 102 num inferno. Qualquer coisa é motivo para punição, perseguição e ameaças. Foi exatamente nesse momento, que pensei em escrever algo, para registrar, notificar e denunciar o fato, do abandono da parte do jardim, que me toca nesse latifúndio. Há uns três meses atrás comentei rapidamente, com a síndica, num encontro casual na área comum, no estacionamento, a respeito do fato, a convidei até a minha unidade, mostrei o estado do jardim, que ela prometeu tomar providência assim que fosse possível, mas de lá pra cá, até agora, nada foi feito, notificado, ou providenciado. Então uma roseira é considerado fora do padrão, e o abandono deliberado e proposital de parte do jardim não é? Proibiu de forma deliberada, como lhe é peculiar, a ida do jardineiro cuidar e limpar do espaço. Largar e abandonar, dessa forma, uma parte do jardim do condomínio, não devolvendo, com isso, a prestação do serviço de jardim, paga com parte do dinheiro, que o morador pagou pontualmente. Sem dúvida é uma conduta estranha, mas que vai ficando mais claro, as motivações que estão por trás da conduta lesiva, retaliação. Que comportamento é mais fora do padrão? Plantar uma roseira ou não devolver em forma de prestação do serviço de jardinagem, um serviço que já foi pago? E a conduta lesiva de não devolver o serviço de jardinagem já pago, é feita pela responsável pelo jardim, quando não devolve em serviços, aquilo que já foi devidamente pago. Não tenho dúvida em responder, que fora do padrão não é plantar uma roseira, fora do padrão é não cumprir o combinado, e deixar de cumprir o que foi acordado em assembleia. Fora do padrão é não saber distinguir o que é pessoal, daquilo que é eminentemente institucional. Fora do padrão é não ser capaz de separar, de forma clara, o limite entre o que é público ou coletivo, do que é privado ou particular. Fora do padrão é não cuidar devidamente de parte do jardim do condomínio, por motivos inconfessáveis. Fora do padrão é usar o serviço, ou o não serviço, de qualquer profissional contratado pelo condomínio, para retaliar ou prejudicar outro morador. Fora do padrão é a falta de ética, na conduta lesiva de alguns. Que coisa feia! Não a roseira, claro, mas esse tipo de conduta, por quem deveria zelar pelo jardim como um todo, e não apenas a parte do jardim, que consegue avistar da sua janela. Foi divagando a respeito, que comecei a escrever e cheguei até aqui. Cordiais saudações.






sábado, 25 de novembro de 2017

O Golpe continua em curso, não se encerrou com o impeachment


Para o deputado estadual Paulo Ramos, constituinte de 1988, a prisão de deputados e governadores, como ora em curso no estado do Rio de Janeiro, é completamente ilegal, porque infringe a Constituição. Uma afirmação feita com argumentos firmes e seguros, e acrescenta que o golpe, contra o povo e a sociedade brasileira, ainda está em curso. Ouçam, vejam e assistam ao vídeo, para conferir o conteúdo completo da entrevista feita pelo blogueiro Miguel do Rosário no site Cafezinho. Também não gosto do jogo político feito pela chamada grande mídia, que também é parte do golpe, que muitos preferem chamar: "meios de comunicação de massa", ou aparelho ideológico de Estado. Mídia um braço importante do golpe, um braço do golpe, que tenta, o tempo todo, contaminar a opinião pública, envenenar e instigar o público com conteúdos nocivos e favoráveis à prática do justiçamento, com linchamentos públicos midiáticos. Portanto, manipular a opinião pública, de forma suja e covarde, é desleal, é trapaça enganar a boa-fé do cidadão comum, porque não é ético. Afinal de contas, levar a população a fazer linchamentos públicos, convocá-los e instigá-los através dos meios de comunicação de massa, utilizados para manipular a opinião pública, numa espécie de psicologia de massa do fascismo, prática implementada, disseminada e amplamente utilizada pelo nazismo na Alemanha de Hitler a partir de 1933. De sorte que, manipular as massas dessa maneira, significa reforçar práticas usadas pelo fascismo no passado, legitimar e naturalizar essas práticas políticas como algo normal. Porque não se deve jamais julgar e condenar alguém, um acusado qualquer, movido apenas pela força e a pressão das ruas, pela turba enfurecida; pela massa, que por sua vez, foi suficientemente manipulada, para se chegar àquele estado de coisas, àquele resultado, massa que está sendo usada para legitimar uma ação pública sub-reptícia, e assim, se conseguir alcançar um objetivo político, como a criminalização e condenação de uma adversário político. Justiça, para valer, não se faz dessa forma, e quando se observa, agentes públicos, como  os membros do MP, PF e do judiciário, agindo fora da lei, descumprindo a Constituição, não se deve dar apoio em hipótese alguma. A grande mídia brasileira, verdadeiros oligopólios familiares midiáticos, não tem feito outra coisa, que não seja, estimular e dar o seu apoio, na exploração pública através de manchetes colossais de prisões preventivas, procedimentos policiais e judiciais ilegais, realizados contra determinadas personalidades do meio político e empresarial, feitos fora dos preceitos da lei, atos jamais questionados. Pelo contrário, a mídia faz a execração pública de alguém, não importa o que tenha feito, e carrega mais nas tintas dependendo do campo político do personagem. No início da Lava a Jato, o partido mais demonizado pela mídia era o partido dos trabalhadores, hoje já esculacham  também setores do PMDB, e até agora, nada contra o PSDB, o partido de Aecinho, o queridinho de uma certa mídia. Não é nada correto esse tipo de procedimento, o que só legitima uma ilegalidade, a ilegalidade de procedimentos policiais errados e da própria grande imprensa. Tudo terá que ser feito dentro da lei. Com uma justiça e um aparelho policial, que não cumprem o que manda a lei, não se pode ter segurança jurídica, abrindo com isso, gravíssimos precedentes, para abusos piores da legislação daqui por diante, que no senso comum se chama: golpe. Portanto, se deixar aberta a guarda, golpes piores contra a soberania popular e a cidadania, poderão chegar mais rápido do que se imagina, que atingirão a todos indiscriminadamente, será o golpe contra todo mundo, contra os amigos e também contra os adversários  políticos. Será o autoritarismo ditatorial se absolutizando. Por isso, é um erro político alimentar o clamor popular, acender a chama e apoiar linchamentos públicos, contra quem quer que seja. Hoje se apupa um personagem, que foi demonizado, desprezado e desmoralizado pela mídia, e amanhã estará chorando copiosamente, quando prenderem preventivamente, de forma brutal e arbitrária um ente familiar querido ou um líder político aliado. Saímos da barbárie em direção à civilização, onde ainda não chegamos, porque é um processo constante e contínuo, e pelo que se observa, ainda com muitos desvios e retrocessos pelo caminho. Precisamos estar sempre vigilantes e cobrar pela legalidade e pela existência de um estado de direito com força e pleno vigor, que será um bem de elevado valor, no esforço do caminhar em busca de um mundo mais civilizado. Não quero, e não gosto nem um pouco, quando me forçam a jogar pedra na Geni.