O presente episódio do exílio voluntário de Jean Wyllys, ensejou uma série de comentários, críticas e análises da parte de muita gente, sobretudo de diferentes setores da esquerda, com veementes apoios e também muitas discordâncias contra a atitude tomada pelo deputado federal eleito pelo Psol do Rio. Não vou entrar no mérito de nenhuma dessas críticas, apenas quero pontuar um aspecto, que geralmente passa batido, quando a luta de narrativa entre a esquerda e a direita está pegando fogo como agora. Considero existir ainda um ranço heterossexista muito forte e, não diria homofóbico, mas pelo menos anti-gay, no universo da militância de esquerda, claro que não se compara ao universo da direita, porque a direita é grotesca, troglodita, ela quer eliminar, matar, exterminar a população Lgbt. A intolerância na esquerda é mais sutil, mais civilizada, é menos selvagem, mas mesmo assim ainda existe a presença de grande intolerância no seio dela, e que se manifesta de várias maneiras. Antes de entrar propriamente nessa questão, é preciso considerar, não para justificar, porque nessa altura do campeonato quem ainda se comporta como tal, já deveria ter se tocado, o século 21 já caminhando para a sua terceira década, e gente que se considera avançado, revolucionário em muitas questões, não tomou consciência de seus atos. Claro, que quando se conversa com alguns, na teoria concordam com tudo, que é preciso mais direitos para a população LGBT, etc., mas no dia a dia, quando precisam responder na prática, não procedem da mesma forma com o que costumam dizer nos bastidores e nos corredores. E como se manifesta essa intolerância, na forma como evitam conviver com os amigos assumidamente gay no dia a dia, presencialmente. Fora disso, até mantém a relação boa virtualmente, com uma ou outra curtida de vez em quando, em algo compartilhado, que concordam. São cordiais quando encontram o amigo gay, mas jamais o convidam para jantar em suas casas, há uma reserva e uma distância, talvez a presença do amigo gay não seja uma coisa boa, para a visão dos filhos adolescentes, que estão crescendo. Claro, que estou me referindo a uma camada de esquerda classe média, ou seja, a pequena burguesia na linguagem marxista. Conheço alguns que são frontalmente contra levantar a discussão pela questão identitária e de gênero, luta nem pensar, segundo eles existem questões mais prioritárias na luta política e social. Sei que refletem em parte, e não poderia ser diferente, a sociedade em que vivem, mas poderiam fazer um esforço maior, se desejam realmente ampliar a própria consciência, em busca de combater os preconceitos e toda essa intolerância, que alguns ainda cultivam de forma clara, aparentemente inconsciente. É lamentável, mas sei que muitos deles ainda permanecem extremamente caretas, não foram capazes de acompanhar o avanço do mundo e se esclarecerem um pouco mais, são gente da ordem e acostumados a viver dentro de determinado padrão socialmente mais aceitável, transgressão apenas na teoria. O que acaba se refletindo na visível insensibilidade deles em relação ao grau de vulnerabilidade daquela população, de todos os riscos que correm, na ausência de garantias mínimas para a sobrevivência com mais dignidade. Tudo isso me lembra agora uma pergunta do médico paulista Drauzio Varella, feita há algum tempo atrás, que indagava: "faz diferença para você se o seu vizinho dorme com outro homem?" Se faz é bom se ligar.
Na forma de Crônicas e ensaios, abordo assuntos da Política e da Filosofia, e alguma invenção nos contos.
sábado, 26 de janeiro de 2019
quarta-feira, 21 de novembro de 2018
O nosso oriente
Considero bem curioso, volta e meia, ver brasileiros de certa classe média, se manifestando por aí, como sendo pertencentes ao chamado "mundo ocidental". Na verdade, muitos não se manifestam apenas, mas se jactam de fazerem parte do “mundinho” ocidental. Aonde cabe a pergunta, quantos brasileiros podem, na verdade, ostentar tal pertencimento? Alguns se olham no espelho e se acham parecidos com europeus, por isso ou por aquilo, até mesmo por ter laços sanguíneos através da descendência com imigrantes pobres, que aportaram por aqui em alguma ocasião, fugindo da fome ou de algum tipo de perseguição em épocas de guerra nos países de origem. Se formos botar no papel mesmo, muito poucos brasileiros conseguem levar a vida, materialmente falando, em condições de poder se ombrear com a vida levada por outros povos nos países mais ricos do chamado ocidente do mundo. Na verdade nunca deixamos de ser uma semi-colônia na periferia do sul do mundo, onde ainda uma minoria cooptada e vendida, que não se identifica jamais com o próprio país, nem com a sua população de modo geral, nem com a sua cultura, que se colocou no lugar dos antigos senhores e colonizadores do século XIX, como seus legítimos herdeiros ou substitutos. É claro, que é exatamente essa mesma gente, ainda uma parcela muito pequena da população, embora muito influente do ponto de vista ideológico, que se mete a se jactar que são europeus, ou que fazem parte do chamado mundo ocidental. Num país com mais da metade da sua população composta por afro-descendentes, descendentes dos antigos escravos, que continuam a viver ainda em absoluta precariedade, muitas vezes em condições subumanas, na informalidade empregatícia, na precariedade de suas moradias sem saneamento básico, na falta de qualidade da educação oferecida aos filhos, enfim em condições de vida, as piores possíveis e anos luz de distância da vida levada pelos habitantes do chamado mundo desenvolvido e ocidental. Portanto chega a ser bizarro, absurdo e completamente disparatado qualquer brasileiro, diante das condições de vida de todo o povo, diante de tanta desigualdade, AINDA ter a coragem de se jactar publicamente de pertencer ao mundo ocidental. Que mundo ocidental é esse cara pálida? É muito curioso, onde cabe a pergunta do porquê de tudo isso. Por que será? Será alienação? Será o quê? Ora, francamente!
quinta-feira, 1 de novembro de 2018
Um anticomunismo conveniente
Em tempos de radicalismo de extrema direita, quando o poder econômico dá um golpe no estado de direito, dentro de uma lógica do vale tudo, da lei do mais forte, levando o estado para um Estado de exceção, mudando as regras do jogo com o jogo em andamento. Utilizando-se para isso, das piores formas de fazer política, práticas que beiram a política do esgoto. E onde agentes públicos, como ministros do STF e outros, cuja atribuição primordial deveria ser zelar pelo cumprimento dos preceitos da carta magna, isto é, da Constituição Federal, que ao contrário passam a fazer puxadinhos para burlá-la. Não se respeita mais a presunção da inocência, e de outros dispositivos constitucionais. Permite-se que governos legítimos sejam derrubados sem crime de responsabilidade apresentado. Que possam aflorar aventureiros de todo tipo achando, que podem fazer qualquer coisa, pois agora tudo pode, até mesmo a volta dos militares ao poder. Num clima como esse, volta o fantasma do anticomunismo a galope, só que como não existe mais em parte alguma do planeta algum regime, que se diga comunista, parece até absurdo que exista alguém propenso a acreditar em tamanha fábula. Ledo engano, porque os marqueteiros do desengano, utilizam-se de qualquer falso argumento, para atingir seus objetivos políticos sujos. E o anticomunismo caiu como uma luva nesses aproveitadores picaretas. Não no campo da teoria, não tenho visto até aqui ninguém contestar os princípios básicos da teoria marxista, talvez os anticomunistas que se apresentaram até agora, não tenham preparo nem competência para tanto. A coisa toda tem se apresentado mais no campo cultural e dos costumes, e até alguns ataques à pedagogia de Paulo freire e ao seu método. Grande Paulo Freire, grande mestre e professor, já falecido, mas com grandes e inestimáveis serviços prestados à humanidade, pois como precisou partir para o exílio em virtude da perseguição da ditadura militar brasileira de 64, foi obrigado, a trabalhar mais no estrangeiro do que em seu próprio país, mas depois da anistia de 1979, voltou a prestar valiosos serviços também por aqui, inclusive na prefeitura de São Paulo durante a gestão de Luiza Erundina. E esses ataques tem partido mais de parte de certos pastores evangélicos neopentecostais, que pedem o fim do método Paulo Freire nas escolas, assim como pedem também a volta do ensino de moral e cívica da época da ditadura. E porque eles não querem o método Paulo Freire, porque o método Paulo Freire ensina a pensar, a refletir, jamais aceitar passivamente um conteúdo alienígena, um conteúdo decoreba e ponto final. O aluno no método do professor pernambucano não se contenta em memorizar um conteúdo, para repetir na prova como um robô. O aluno é ativo também no processo de aprendizagem, é um aluno que questiona tudo aquilo que é objeto de aprendizagem. Como aqueles pastores são responsáveis hoje em dia pelo maior curral eleitoral dos tempos modernos no Brasil, é claro que gente passiva, gente que não pensa nem questiona, é tudo o que eles mais precisam em seus templos suntuosos, verdadeiras megaigrejas, onde fazem todo tipo de proselitismo, da teologia da prosperidade e principalmente o proselitismo político, para eleger gente do tipo Bolsonaro, Magno Malta e outros do gênero, formando uma grande bancada na Câmara dos deputados em Brasília, a chamada bancada da bíblia. É uma grande lavagem cerebral o que aqueles pastores realizam em seus cultos diariamente com os seus fiéis, daí a metáfora do rebanho ser perfeita para eles, a manada e os seus pastores picaretas e aproveitadores inescrupulosos. Logo, anátema para Paulo Freire, e nem poderia ser diferente.
segunda-feira, 10 de setembro de 2018
Os militares e a corrupção
Com as eleições se aproximando, e ao utilizar uma estratégia de aumentar os votos nos candidatos da direita fascista, tenho recebido uma série de mensagens e vídeos falando na honestidade dos militares e na corrupção do PT. Em primeiro lugar para atingir determinados objetivos usam de subterfúgios, mentiras, armadilhas e bombas semióticas, tipo facadas, achando, possivelmente, que só dessa forma podem aumentar o apoio, que precisam para permanecer no poder. JAMAIS usam o convencimento do eleitor, e sempre a burla, o choque, o espanto, o susto e o medo, como arma política, isso é o fascismo, é assim que atua e age na cena política, ou através da violência física, como os tiros contra a caravana Lula no sul, em acampamentos de sem terra e sem teto, ou quando incendeiam moradores de ruas covardemente nas madrugadas. Ninguém é mais corrupta do que a direita política, mas é sempre os mesmos, que levantam a bandeira da corrupção, como arma política, contra os adversários do campo popular ou esquerda. Foi assim contra Getúlio Vargas em 1954, contra Jango dez anos depois e agora recentemente contra os governos do PT, desde o episódio do mensalão, e os acusadores sempre encarnados por notórios corruptos, como Roberto Jefferson por exemplo. Quanto ao militares, todo mundo sabe que os departamentos de intendência das corporações militares sempre foram antros de corrupção, de superfaturamentos, de vez em quando estoura um escândalo aqui ou ali, isso quando existe o mínimo de normalidade democrática e certa liberdade de imprensa. Quando os militares chegaram ao governo com a ditadura em 64, que cerceou a livre circulação de informação, só se divulgava o que era consentido, devido à censura prévia, jamais era permitido nenhuma divulgação de casos de corrupção nas forças armadas. Acontece que muitos oficiais ao irem para a reserva remunerada, com os militares no governo central, muitos ocuparam altos cargos na burocracia de estatais e da administração direta. E então foi uma festa, rolou muita corrupção, gente que ia fazer tratamento dentário na Califórnia bancado pelo dinheiro público. Gente, filhotes da ditadura, filhos de amantes de generais, que entravam pela janela, em cargos públicos, com altos salários, sem a expertise exigida para o cargo. Era uma farra geral, que evidentemente aproveitava-se do silêncio da mídia, para os casos mais escabrosos de abusos contra a administração pública. Com a ditadura se tornando mais débil, nos últimos anos começaram a pipocar aqui e ali algumas notícias a respeito daqueles abusos, como foi o caso da empresa de navegação Lloyd Brasileiro, que os militares, por má gestão e falcatruas, levaram à falência, e em seguida o caso Sunamam (Superintendência nacional de marinha mercante), quem não se lembra? Portanto, contar mentiras a respeito do período do governo militar, como dizer que não havia corrupção, depois de tanto tempo passado, quando a maioria da população nem se lembra mais ou não era nascida, é no mínimo uma desonestidade intelectual.
sexta-feira, 20 de abril de 2018
A direita não gosta de filosofia
Quando entrei na Faculdade de Filosofia da Uerj em 1974, a universidade ainda se chamava UEG, e ainda funcionava ao lado do Instituto Lafayette na rua Haddock Lobo na Tijuca. Só fomos para a unidade do Maracanã em 1976, onde permanece até os dias de hoje. Quando iniciei o curso, descobri que o catedrático chefe do departamento de filosofia, era Tarcísio Meirelles Padilha, filho do ex-integralista Raimundo Padilha, interventor federal no antigo estado do Rio, antes da fusão com a Guanabara. Tarcísio Padilha, era um tomista convicto, gostava de falar bonito e empolado, escolhia bem as palavras, em geral termos e conceitos, que os alunos dos primeiros anos, ainda não conheciam os significados, e assim ele se impunha e se exibia impunemente. Tínhamos a sensação, que era aquele tipo de sujeito, que fala, fala muito e não diz nada. Gostava de citar uma profusão de autores, dentre os quais Jacques Maritain, além de outros autores tomistas, algumas vezes em latim, flertava também com o existencialismo cristão do francês Gabriel Marcel, e dessa forma, era o mais próximo da atualidade daqueles dias, que conseguia chegar em matéria de filosofia teórica. Já do ponto de vista político mostrava ser extremamente conservador e reacionário, exibia sempre um anticomunismo quase visceral. Por outro lado, apesar de tudo, no corpo docente ainda restavam alguns professores mais próximos do que a gente entendia por esquerda, um tanto liberais em questões comportamentais, e que só permaneceram professores naquele instituto, por nunca terem se envolvido com a política propriamente dita, eram bem poucos. Os outros, em sua maioria, eram muito ruins em tudo, mas sobretudo didaticamente falando, quase todos eram muito ligados à igreja católica e ao tomismo. A gente sabia que os melhores professores ou estavam presos, ou tinham sido banidos do ambiente acadêmico ou estavam no exílio. O governo militar já havia proibido, e suprimido dos currículos de nível médio das escolas secundárias de todo o país, o ensino de filosofia. Ainda restava o ensino de disciplinas filosóficas (História da filosofia, ética, estética, lógica, epistemologia, teoria do conhecimento, etc.), apenas nos cursos de graduação no nível superior, mas com séria ameaça de ser suprimido num futuro próximo, o que acabou felizmente não acontecendo com o fim do governo militar em 1985, governo, que a partir da anistia em 1979, começou a se enfraquecer. Dessa forma éramos uns resignados resistentes, amantes de filosofia, que apesar de tudo, do opressivo regime político ditatorial, que havia afastado de nós os melhores professores e de todas as ameaças de todos os tipos, ainda estávamos por ali tentando conhecer, debater, discutir e questionar, embora o ambiente disponibilizado pela instituição de ensino fosse o pior possível, quando se pensa num curso de licenciatura e graduação na área de humanidades, centrado no ensino de filosofia numa universidade pública. E assim, com muitas dificuldades conseguimos chegar ao final do curso, já que era pré-requisito para o ingresso no mestrado, e foi o que alguns fizeram ao final do curso, me incluo entre os que foram fazer o mestrado, fui para o IFCS no Largo de São Francisco/UFRJ. Portanto, quando leio hoje uma notícia como essa, de que a disciplina de filosofia voltará a ser retirada da grade curricular dos cursos secundários, acaba, de certa forma, sendo quase um café pequeno, perto de tudo que já vivenciamos no passado. O que não significa, que não devamos resistir, denunciar, desmascarar e criticar uma atitude política dessa, feita por esse desgoverno. Para concluir, prefiro não entrar no mérito do que afirma esse sujeito chamado Adolfo Sashcida, que se diz consultor ou conselheiro de Jair Bolsonaro, que faz um painel, do que julga ser esquerda e direita de forma estapafúrdia, onde diz que tanto Hitler como Pinochet eram de esquerda. Depois dessa, deixo entregue aos caprichos dos leitores, toda e qualquer consideração final a respeito desse disparate.
Assuntos conexos:
Não esquecer para não desejar jamais a sua volta
Tudo se repete como farsa
Assuntos conexos:
Não esquecer para não desejar jamais a sua volta
Tudo se repete como farsa
Tudo se repete como farsa
Essa história da burguesia nacional se exibir como democrata, é tudo fachada, mentira, a mais pura falsidade. Na verdade a burguesia brasileira é ainda muito saudosa dos tempos da casa grande e do escravismo, de democratas eles não têm nada. Aliás, para ser um pouco justo, e considerando a conjuntura internacional, poderia ser dito, que essa situação não é privilégio apenas da burguesia nacional, como se está assistindo hoje o retrocesso da democracia no território europeu, com o crescimento de vários partidos de estrema direita. Voltando ao nosso país, se poderia dizer sem medo de errar, que a burguesia nacional é composta por uma gente chinfrim, mesquinha, egoísta, que só pensa em seu próprio bem-estar e privilégios, e também profundamente preconceituosa contra os mais pobres, na verdade eles odeiam os pobres, como odiavam os escravos. Como são muito influentes socialmente falando, acabam por transferir esses valores mais mesquinhos para as camadas médias, ou pequena burguesia como preferia Marx, que se espelham e desejam ser como os mais altos na hierarquia social. Salvo raras exceções a pequena burguesia não se identifica com os do andar de baixo. Quando os tempos da economia são de bonança, aquela pequena elite influente politicamente, até tolera um pouco de transferência de renda, como foi o caso nos dois governos Lula, mas não pode ser muita coisa, só algumas migalhas, a maior parte do bolo, terá que ser para a classe dominante.
Lembro bem durante a ditadura militar de EXTREMA-DIREITA, quando o principal ministro da economia, Delfim Netto dizia e a mídia repetia exaustivamente, que era preciso esperar primeiro o bolo crescer, para depois distribuir, pois bem, na época o bolo crescia, foi a chamada época do milagre econômico, quando teve ano que o PIB chegou a crescer 11% , e nem assim distribuíram nada, era só promessa, só aumentou a precariedade dos mais pobres e o consequente aumento da favelização, da pobreza, do número de ambulantes nas ruas, arrocho do salário mínimo, etc. Portanto essa burguesia tacanha não tem o menor pudor de recorrer ao autoritarismo, isto é, jogar na lata de lixo da história, o tempo que for necessário, os valores democráticos, para a sociedade como um todo, PARA PRESERVAR OS SEUS INTERESSES E PRIVILÉGIOS. Tal como estão a fazer agora, forçando a barra e jogando os seus cães de guarda superiores, os generais do exército, a fazer ameaças contra a normalidade democrática, levando-os a cometer crimes contra a Constituição, ao fazer determinadas ameaças, antes de votações importantes serem realizadas pela suprema corte do país. É um descalabro total, se tivéssemos um governo sério e forte, o general, que procedesse dessa forma, seria preso de imediato, porque isso é crime segundo a Constituição Federal, mas a imprensa golpista e financiada pelos poderosos, ainda reforça esse tipo de crime ao dar voz e destaque no horário nobre, como foi feito por William Bonner no jornal nacional. Só mesmo com a mobilização popular em massa, esse tipo de gente retornará aos seus porões, só com muita gente mobilizada nas ruas, retornarão ao lugar que lhes cabe nesse latifúndio, porque são minoria, a classe média mais reacionária é numericamente ainda muito pequena, os ricos nem se fala, jamais vão às ruas, portanto é preciso muita mobilização, só com mobilização mesmo é que vamos empurrar esses fascistas para a insignificância deles, para a qualidade principal deles que é a ESTUPIDEZ. A única força que possuem é o autoritarismo das forças armadas e o arbítrio de setores reacionários do judiciário.
Lembro bem durante a ditadura militar de EXTREMA-DIREITA, quando o principal ministro da economia, Delfim Netto dizia e a mídia repetia exaustivamente, que era preciso esperar primeiro o bolo crescer, para depois distribuir, pois bem, na época o bolo crescia, foi a chamada época do milagre econômico, quando teve ano que o PIB chegou a crescer 11% , e nem assim distribuíram nada, era só promessa, só aumentou a precariedade dos mais pobres e o consequente aumento da favelização, da pobreza, do número de ambulantes nas ruas, arrocho do salário mínimo, etc. Portanto essa burguesia tacanha não tem o menor pudor de recorrer ao autoritarismo, isto é, jogar na lata de lixo da história, o tempo que for necessário, os valores democráticos, para a sociedade como um todo, PARA PRESERVAR OS SEUS INTERESSES E PRIVILÉGIOS. Tal como estão a fazer agora, forçando a barra e jogando os seus cães de guarda superiores, os generais do exército, a fazer ameaças contra a normalidade democrática, levando-os a cometer crimes contra a Constituição, ao fazer determinadas ameaças, antes de votações importantes serem realizadas pela suprema corte do país. É um descalabro total, se tivéssemos um governo sério e forte, o general, que procedesse dessa forma, seria preso de imediato, porque isso é crime segundo a Constituição Federal, mas a imprensa golpista e financiada pelos poderosos, ainda reforça esse tipo de crime ao dar voz e destaque no horário nobre, como foi feito por William Bonner no jornal nacional. Só mesmo com a mobilização popular em massa, esse tipo de gente retornará aos seus porões, só com muita gente mobilizada nas ruas, retornarão ao lugar que lhes cabe nesse latifúndio, porque são minoria, a classe média mais reacionária é numericamente ainda muito pequena, os ricos nem se fala, jamais vão às ruas, portanto é preciso muita mobilização, só com mobilização mesmo é que vamos empurrar esses fascistas para a insignificância deles, para a qualidade principal deles que é a ESTUPIDEZ. A única força que possuem é o autoritarismo das forças armadas e o arbítrio de setores reacionários do judiciário.
segunda-feira, 16 de abril de 2018
Não esquecer para não desejar jamais a sua volta
O regime militar e o caso Para-Sar
Quem hoje tem menos de cinquenta anos, não tem a menor ideia do que foi o regime militar, que governou o brasil de 1964 a 1985. Um regime político forte com muita repressão política e policial, onde não havia liberdades democráticas, apesar da aparente normalidade democrática através do funcionamento de um Congresso Nacional completamente manietado e sob a ameaça constante de cassação do mandato de seus membros, pelos dispositivos autoritários do regime em vigor, como o AI-5 e outros instrumentos repressivos. Quer dizer, era uma ditadura com tudo que tinha direito, para ninguém botar defeito, um verdadeiro estado policial. Logo no início do golpe, esqueceram por completo a Constituição de 1946, e em seu lugar criaram os diferentes Atos Institucionais, AI-1, AI-2, etc., até o AI-5 em dezembro de 1968, quando o regime endureceu de vez, tornando-se um autêntico estado de exceção. Além disso, cassaram os registros de todos os partidos políticos existentes, e no lugar só permitiram a existência de apenas dois partidos políticos, criados artificialmente, um de oposição, o MDB, e outro chapa branca ou oficial, de apoio total ao regime, de nome ARENA. Todos os órgãos representativos de classe e os sindicatos foram postos na ilegalidade, e seus principais líderes perseguidos, presos ou mortos em confronto com a polícia. A sede da UNE na praia do Flamengo/Rio foi atacada e incendiada, e depois o prédio, mesmo chamuscado pelo fogo do ataque, serviu de sede da Escola de Teatro de uma universidade carioca. Os estudantes não podiam mais fazer política em hipótese alguma, havia um decreto-lei contra isso, o famigerado 477, que todo estudante sabia o número de cor, e era um terror, muita gente foi expulsa e presa por causa dele. Havia a figura do estudante profissional, ou seja, em geral um militar de patente superior, tenente, capitão ou major, que era infiltrado em salas de aula, nas turmas de cursos universitários, principalmente nas unidades da área de humanidades. Postos ali especialmente, para vigiar e dedurar os professores e alunos mais engajados politicamente, que porventura se pronunciassem durante as aulas, questionassem e criticassem o governo militar, esses sempre ficavam na alça de mira dos infiltrados. Não preciso dizer, que essa situação, provocava muita insegurança, instabilidade e pânico entre alguns alunos, e também muita paranoia. Era proibida qualquer atividade extra curricular dentro dos muros das faculdades ou escolas, dessa forma, estavam proibidos: grêmios acadêmicos, jornais, cineclubes, grupos de teatro, etc. Costumava-se dizer, que três estudantes juntos no pátio interno, era considerado multidão, era suspeito, não podia, o que gerava um clima muito negativo. Com o passar dos anos as coisas foram mudando aos poucos, mas só durante o governo Geisel, é que começou a mudar lentamente, era chamada de distensão lenta e gradual pelo próprio Geisel. Existia uma censura muito rigorosa contra os produtos culturais, tudo era suspeito, então havia muita censura contra o que se publicava nos jornais, revistas, na música popular, nos espetáculos teatrais, cinema, livros, etc. Para concluir, vou lembrar um pouco de um caso estarrecedor, que ficou célebre, não na ocasião que ocorreu, pois com a censura, não se deixava ser divulgado esse tipo de coisa. Quando começaram os primeiros atentados à bomba contra o regime em 1968, contra alvos militares realizados por grupos de guerrilheiros clandestinos, que logo em seguida, efetuaram alguns sequestros de embaixadores, para servir como moeda de troca por presos políticos ameaçados de morte pela repressão. Alguns setores mais radicais da repressão arquitetaram planos tenebrosos contra a população civil, com a intenção diabólica de culpar os combatentes da luta armada. Um desses planos tenebrosos ficou conhecido como o atentado do gasômetro, ou caso Para-Sar (esquadrão da aeronáutica especializado em resgastes em áreas remotas), diz respeito a um plano terrorista arquitetado em 1968 pelo brigadeiro João Paulo Burnier, que ordenou o desvio de função do esquadrão, para servir de instrumento na eliminação de várias autoridades políticas, como o jornalista Carlos Lacerda, o ex-presidente Juscelino Kubitschek e outros, que seriam sequestrados e em seguida atirados ao mar de aviões do esquadrão; além da explosão do gasômetro no Rio durante o horário de pico, com o objetivo de matar o maior número possível de vítimas, e culpabilizar os guerrilheiros da luta armada.
O que seria uma atrocidade inigualável, e só não foi levada adiante, porque o capitão da aeronáutica Sérgio de Carvalho contestou a operação, e levou ao conhecimento de autoridades superiores, fazendo com que todo o plano terrorista dos militares da Aeronáutica fosse abortado. Sugiro aos apreciadores desse tipo de evento, que pesquisem no Google também, sobre a tentativa de atentado no Rio Centro, durante um show comemorativo do dia do trabalho, no dia primeiro de maio de 1981. Isso apenas para ficar nesses dois casos, mas tem muitos outros casos escabrosos, que é sempre bom lembrar, sobretudo para aqueles jovens, que volta e meia, manifestam o desejo da volta do governo militar.
O que seria uma atrocidade inigualável, e só não foi levada adiante, porque o capitão da aeronáutica Sérgio de Carvalho contestou a operação, e levou ao conhecimento de autoridades superiores, fazendo com que todo o plano terrorista dos militares da Aeronáutica fosse abortado. Sugiro aos apreciadores desse tipo de evento, que pesquisem no Google também, sobre a tentativa de atentado no Rio Centro, durante um show comemorativo do dia do trabalho, no dia primeiro de maio de 1981. Isso apenas para ficar nesses dois casos, mas tem muitos outros casos escabrosos, que é sempre bom lembrar, sobretudo para aqueles jovens, que volta e meia, manifestam o desejo da volta do governo militar.
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