Lembro que no início dos oitenta, quando a Anti-psiquiatria estava no auge, pelo menos aqui pelos trópicos, era comum escutar nesse meio, da parte de gente interessada nessa corrente anti-psiquiátrica, uma anedota muito corrente. Dizia-se, que deveria-se evitar de todas as formas, qualquer tipo de viagem através da loucura, tipo Mary Barnes, devia-se fazer de tudo, psicoterapia e o escambau para não entrar nessa, que era uma roubada. Se em último caso, não tivesse jeito, o sujeito vacilasse e perdesse as estribeiras, que pelo menos enlouquecesse apenas na esfera da instituição psiquiátrica, mas jamais socialmente. Em suma era um: “enlouqueça mas não bandeire socialmente”. E é curioso, porque mesmo a anedota tendo partido de adeptos da Anti-psiquiatria, era certo que não partira da liderança intelectual do movimento, pelo menos de suas duas principais cabeças, Ronald Laing e David Cooper, que não tinham nada a ver com essa frase, anedota ou postura. Porque se bem me lembro, era o momento para enlouquecer mesmo em nosso país, não se podia fazer política por causa do regime de força da ditadura militar, de sorte que sobrava poucas alternativas na órbita cultural e de engajamento político. Falava-se que o resultado da repressão do regime contra a população, era o desbunde da porra-louquice, a adesão ou cooptação do "Brasil ame-o ou deixe-o", ou a ruptura psicótica. Muita gente boa estava embarcando nas viagens de ácido lisérgico, o LSD, e o movimento do grupo liderado pela “Philadelfia Association” londrina era aparentemente um movimento libertário, dava ares de libertário, porque foi o movimento que começou a ecoar pela primeira vez o discurso dos direitos dos loucos, que deveriam receber um tratamento mais humanitário, mais justo e cidadão do que vinham recebendo até então em todos os asilos e instituições mundo afora, lutavam enfim por todas essas causas. Fazendo uma política setorizada, a exigir mais poder para os doentes mentais, até mesmo questionando a legitimidade do encarceramento dos loucos, como até então vinha acontecendo por toda a parte. A própria Mary Barnes, que foi celebrizada mundo afora através do seu livro: “Viagem através da Loucura” escrito em coautoria com o seu psicoterapeuta Joseph Berke, foi paciente do grupo de psicoterapia da Philadelfia Association londrina mesmo sendo americana, o próprio psicoterapeuta dela o Dr. Joseph Berke também era norte americano. A Anti-psiquiatria foi muito influente em solo americano, com o seu viés existencialista sartriano do "Ser e o Nada", sobretudo na psicoterapia, apesar de na época ter conhecido gente, que considerava Sartre um psicólogo de meia tigela, nunca diziam porque, mas enfim eram os comentários depreciativos desse tipo proferidos por quem era contra o movimento. A Anti-psiquiatria chegou a influenciar até filmes de Hollywood, como é o caso do filme "O Estranho no Ninho" protagonizado por Jack Nicholson por exemplo. De modo que naquele momento a loucura estava muito em voga, ou pelo menos passou a ser mais falada, muito mais comentada do que antes. Se as pessoas estavam pirando bem mais ou bem menos não era esse o ponto, falava-se muito sobre loucura, e assistia-se efetivamente gente entrando em ruptura psicótica, saindo ou entrando em órbita, quem não teve algum vizinho que tivesse pirado? Atribuía-se muitas vezes a influência da maconha ou Cannabis, enlouqueceu porque fumou muita maconha e não segurou a onda, era comum se ouvir. E quando disse que achei curioso, é porque o foco estava em cima da loucura, dos distúrbios mentais, era uma corrente alternativa para o tratamento psiquiátrico, e como eram o oposto do oposto, o avesso do avesso do movimento psiquiátrico oficial, do stablishment médico da época, era natural que se ocupassem mais com a parte clínica, e assim não sobrasse quase tempo para uma reflexão mais intensa sobre o social, embora fossem capazes de fazê-lo caso tivessem tido mais tempo de vida, como é o caso de Laing por exemplo, que era um cientista sério e que morreu com pouco mais de cinquenta anos de ataque cardíaco, apesar de todos os seus testes de ácido, que gostava de fazer regularmente. E não estava absolutamente em pauta esconder nada da sociedade, muito menos a loucura, que quando se manifestava não tinha como escondê-la de forma nenhuma, não tinha como, e esse não era para um movimento libertário, como era a corrente anti-psiquiátrica, capitaneada pela instituição de ensino e pesquisa a Philadelfia Association, com sede em Londres, ter como objetivo procurar camuflar, esconder ou escamotear da sociedade um fenômeno como a loucura. Aliás, muito pelo contrário, como bom movimento Psi com forte presença no tratamento de distúrbios mentais e outros mais leves, alguns tratados até mesmo com o auxílio e uso de substâncias alucinógenas, como a radical narcoterapia, queriam e desejavam que seus membros assumissem cada vez mais através de diversas formas de "outing", todos os conteúdos apreendidos através das experiências vivenciadas nos diversos e diferentes tratamentos empreendidos.
Na forma de Crônicas e ensaios, abordo assuntos da Política e da Filosofia, e alguma invenção nos contos.
segunda-feira, 26 de dezembro de 2016
domingo, 25 de dezembro de 2016
O combate teórico contra o estruturalismo pós-moderno
Nunca é demais disponibilizar e exibir um trecho da página 125, capítulo dois do genial livro de Fredric Jameson, O inconsciente político (a narrativa como ato socialmente simbólico), que considero bastante ilustrativo do título acima como segue:
“(...) uma crítica dialética das categorias da semiótica e do método narrativo deve historicizar essas categorias relacionando o que são aparentemente apenas questões e dilemas de metodologia com toda a atual crítica filosófica do sujeito, como ela parte de Lacan, Freud e Nietzsche e se desenvolve no pós-estruturalismo. Esses textos filosóficos, com seus ataques ao humanismo (Althusser), sua celebração do “fim do Homem” (Foucault), seus ideais de dissémination ou derive (Derrida, Lyotard), sua valorização da escrita esquizofrênica e da experiência esquizofrênica (Deleuze), podem, no presente contexto, ser tomados como sintomas ou testemunhos de uma modificação da experiência do sujeito no capitalismo de consumo ou do monopólio tardio: uma experiência que é evidentemente capaz de acomodar um sentido muito mais amplo de dispersão psíquica, fragmentação, quedas de “niveau”, fantasia e dimensões projetivas, sensações alucinógenas e descontinuidades temporais, que, digamos, os vitorianos podiam reconhecer. De um ponto de vista marxista, essa experiência de descentramento do sujeito e as teorias, predominantemente psicanalíticas, que foram elaboradas para mapeá-lo devem ser vistas como sinais da dissolução de uma ideologia essencialmente burguesa do sujeito e da unidade ou identidade psíquica (o que era chamado de “individualismo burguês”); mas podemos admitir o valor descritivo da crítica pós-estruturalista do “sujeito” sem necessariamente endossar o ideal esquizofrênico que ela tende a projetar. Para o marxismo, na verdade, apenas o surgimento de um mundo social pós-individualista, só a reinvenção do coletivo e do associativo podem conseguir de maneira concreta a “descentralização” do sujeito individual exigida por esses diagnósticos; somente uma forma nova e original da vida social coletiva pode suplantar o isolamento e a autonomia monádica dos antigos sujeitos burgueses de tal forma que a consciência individual possa ser vivida – e não apenas teorizada – como “efeito de estrutura” (Lacan).”
Assunto conexo: O sentido da crítica cultural
Assunto conexo: O sentido da crítica cultural
domingo, 20 de novembro de 2016
Absolvição do pensamento
O sujeito chegou ao bar do clube inflamado, alterado, como se tivesse conquistado algo, como se tivesse feito um golaço, falava em tom de celebração tal o entusiasmo manifesto. O que levou os presentes a criar uma certa expectativa ansiosa, de repente todo mundo queria saber o que tinha deixado aquele sujeito em tal estado, o que o tinha abalado tanto. Foi quando confessou, que estava feliz até aquele momento, após ter sido tocado profundamente pela fala de um tele padre, que o levara às lagrimas, o emocionara profundamente. Em seguida emendou um discurso elogioso das emoções fortes, quando somos tocados por algo, não importa o que, e ficamos mexidos e tocados, que era muito bom passar por aquilo, e hoje isso tinha acabado de acontecer com ele. Considerou ser uma espécie de milagre passar por momentos como aquele, e continuou por esse caminho, no elogio das emoções e do emocionar-se, como se o fato de alguém poder passar por tal descarrego emocional, fosse motivo de comemoração. Como se o fator emocional não fosse uma experiência corriqueira e banal, que acontece a toda a hora e a toda a gente. Emocionar-se é simples e fácil, difícil é refletir e pensar. Noto que é difícil até mesmo compreender do que se trata, o exercício do pensar, o que é a atividade reflexiva. Há uma grande confusão a esse respeito entre a maioria da população. Perdemos em parte a prática de pôr “em questão” as coisas, de vez em quando, como tão bem se gostava de fazer nos anos setenta. Observo uma preponderância de um tipo de gente, para quem ‘pensar’ é um estorvo, tornou-se algo negativo, da ordem do pensamento depressivo. Algo repetitivo, torturante e patológico. Existe até uma corrente mística de inspiração indiana, me escapa o nome agora, que prega abertamente o esvaziamento total da mente, e como consequência a sua total paralisação, deixando o corpo completamente livre para curtir os sentidos e os sentimentos, que estiverem fluindo exatamente no momento. Por essas e outras, que hoje em dia tanta gente boa não tenha em boa conta a atividade da reflexão e do pensamento, infelizmente. Por isso é vital a necessidade de partir logo para um movimento de absolvição do pensamento e da reflexão, tirá-los dessa condenação burra. Porque ser movido apenas pelas emoções, é se submeter a uma limitação muito grande, é um empobrecimento mental. Como é bom ser capaz de pensar antes de dizer certas coisas, como é bom pensar num projeto, arquiteta-lo, criá-lo e reinventá-lo. O pensamento é o nosso maior aliado, sobretudo quando precisamos lidar e conviver com o outro, quando não funciona ficamos à mercê dos erros, corremos o risco de um naufrágio total, podemos sucumbir e até mesmo perder a vida.
sexta-feira, 22 de julho de 2016
Uma mente mais simples
Em geral uma mente mais simples, é mais fácil ser levada a acreditar na primeira hipótese, como razão de ser de um fenômeno qualquer. As coisas acontecem, mesmo que aparentemente apresentem uma causa mais determinante para a sua efetividade, tem também uma série de outros fatores ou causas como origem, causas menores evidentemente, mas que também tem influência no episódio, no acontecido. Por não está habituada a exigir mais da sua própria mente em voos mais ousados, uma mente mais simples acredita de cara na primeira causa, que lhe dão como razão de ser e pronto. Não acostumou o cérebro ao exercício diário de questionar aquilo que recebe e observa no mundo cotidiano, aceita quase tudo como verdadeiro, não sabe o que é ceticismo, não duvida de nada, e por acreditar em quase tudo, acabou tornando-se um crente, não no sentido restrito da palavra, mas no sentido lato, aquele que acredita. Tudo isso, a ponto dos mais maliciosos, considera-los ingênuos, ou naîves para os mais intelectualizados. Uma mente em tal estado, torna-se muito mais vulnerável aos aproveitadores, seja que aproveitador for, desde um político de plantão até mesmo um pastor picareta de ocasião, os chamados falsos profetas. Tornam-se vítimas enganadas e manipuladas com muita facilidade, quase uma massa de manobra, uma manada. Em tudo que ali se planta, floresce, cresce e esparrama-se para tudo que é lado, até mesmo um preconceitozinho qualquer. Hoje isso, amanhã planta-se aquilo, e assim vai se espalhando a plantação dos preconceitos, que vai cultivando e a proliferar terra a dentro, no afã de querer logo ser safra a ser colhida, para entrar no mercado. É triste constatar essa situação, mas tem sido assim, que as coisas têm se passado ultimamente. A gente mais simples tem sido manipulada, por grupos mal intencionados, seja de que interesse for, esse ou aquele, como campo fértil propenso a espalhar e reforçar determinados preconceitos, ali planta-se o veneno, que floresce e prospera, e em seguida faz um mal danado, não só ao alvo a ser atingido, mas ao próprio hospedeiro eventual do preconceito, que em vez de estar a aproveitar a vida da melhor maneira possível, está a perder tempo perseguindo membros de grupos discriminados e atacados pelos setores mais conservadores da sociedade. Estão portanto a serviço de, sem ter noção nenhuma do fato, sem consciência. Tem sido observado ultimamente, não apenas em terras sul-americanas, certos grupos de interesses na busca por legitimar algumas práticas antipopulares, utilizando-se dessa ferramenta de manipulação de massa, e depois do serviço feito e realizado, é feita uma pesquisa tipo ibope, algo plebiscitário, para justificar e legitimar algo, que de outro modo desagradaria em massa. É o chamado mau uso do vocábulo democracia. Portanto, é bom estar ligado.
quinta-feira, 14 de julho de 2016
Absolvição ou demonização? Eis a questão
Fico triste
as vezes, quando ouço ou vejo um jovem ainda nos seus vinte e poucos anos, se pôr a
demonizar gays, maconha, o aborto ou seja lá o que for. Está havendo um
retrocesso conservador no país, depois de um relativo rápido avanço nos últimos
quinze anos. É visível como a narrativa evangélica, e toda a sua ladainha, tem
servido para alavancar a candidatura de pseudo-pastores, pseudo porque em sua
grande maioria jamais estudaram teologia, não têm preparo intelectual nenhum. Pois
bem, muitos desses picaretas estão hoje deputados federais, caíram de
paraquedas na Câmara dos Deputados em Brasília, no Congresso Nacional, viraram
congressistas da noite para o dia. É fato também, que já existia uma bancada
evangélica no Congresso, mas não passava de uma minoria, que era até certo
ponto, bastante folclorizada pela imprensa da época. Hoje em dia não, eles são
quase hegemônicos, mas não estão sós nessa cruzada conservadora que assola o país
ultimamente, contagiando e contaminando a tudo e a todos, tem as bancadas de todos
os bês da República, é ‘b’ isso, ‘b’ aquilo, tem boi, bíblia, bala, banca, e
vai por aí a fora. A pauta dessa gente é a pior possível, em termos da redução
de direitos, e o pior, de direitos já conquistados e assegurados pela Carta
Magna, que é a Constituição Federal de 1988. Portanto a agenda dessa gente é só
retrocesso na questão de direitos civis e cidadania das populações
minoritárias, sujeitas a preconceitos e bullying. Não se dando por satisfeitos
nessa perseguição, agora querem por que querem a total criminalização contra
todos os movimentos de emancipação e libertação da camisa de força dos adeptos
da chamada normalidade padrão, de um sistema social injusto, excludente,
favorável apenas aos senhores e ao status quo. Agora o alvo dos ataques tem
sido com frequência os gays e todas os grupos organizados, que lutam por mais
direitos, como é o caso do movimento de libertação do mundo homo afetivo ou
outros do movimento LGBT, que hoje são não só apenas demonizados em discursos
inflamados, francos e abertos na Câmara de Deputados, com a tevê pública
transmitindo ao vivo para todo o país, jogando toda a população contra tal
grupo perseguido, mas sobretudo criminalizado. O que é terrível, porque é como se
estivéssemos voltando aos anos sessenta do século passado. E o grupo LGBT não
foi escolhido por acaso, como se fosse num sorteio maldito, não, é algo
deliberado, porque significativo e simbólico, os gays representam tudo, que
desejam reprimir com a bíblia deles, nada de gente feliz, bem transada e
resolvida sexualmente, quanto mais se reprimir a sexualidade de todo mundo,
melhor será feito o controle social, econômico e político. Viver dentro de
religião, qualquer uma que seja, é sempre viver em manada, como se cordeiro
fosse, sob a tutela dos pastores, não pode jamais ousar jogar água fora da
banheira, tem que andar na linha, não pode isso, não pode aquilo. Pura
repressão. Todo mundo faz apenas o que reza a cartilha do pastor de almas de
plantão. Portanto, escreveu não leu o pau comeu. É verdade, não é mole não.
E
os gays ameaçam com o seu comportamento desviante, fora da norma e do padrão
vigente e estabelecido, apesar de muitos de seus membros, além de
gays serem também cidadãos sérios, completamente inseridos socialmente, criativos,
produtivos, inteligentes, sociáveis e estáveis emocionalmente. Não importa,
anátema em todos eles, dizem certos setores contrários a aceitação e tolerância
ao desviante, que veem como transgressores, com condenação absoluta aos
infernos no dia do juízo final. Quando disse no início, que fico triste quando
presencio e sou testemunha de certos comportamentos demonizantes contra grupos
minoritários, dói o coração, porque sinto que esse conservadorismo está
chegando na ponta, no sujeito simples, no pai de família, que toma uma cervejinha
no bar da esquina, e repassa, replica o preconceito disseminado pela mídia. Uma pena
que isso esteja acontecendo em nosso país, um país ainda com um déficit de
cidadania clamoroso, que precisa mais do que os outros avançar ainda muito
mais, em busca de conquistar e ampliar mais direitos civis para todos,
incluindo mais e não o contrário, todos os demais grupos minoritários e
discriminados da sociedade.
terça-feira, 12 de julho de 2016
Savoir faire
É difícil entender como se dá certos processos na vida do dia a dia, como se constitui, como é a sua maturação, a sua “démarche” como gostam de dizer os franceses. Há momentos em que procura-se fazer a coisa certa, e não se consegue obter o resultado esperado, e em outros acontece exatamente o contrário. Como na vida vive-se entre erros e acertos sempre, é melhor e mais seguro não apostar todas as fichas só no imponderável, é mais seguro e prudente procurar se preparar da melhor forma possível, criar as condições ideais para buscar alcançar determinado objetivo, mesmo que não tenhamos o sucesso esperado. Não tem importância, quando o sucesso não pinta, deixa-se para uma segunda vez, para a próxima chance. Também não temos nenhum controle, quando as chances aparecem, as chamadas “oportunidades”, que poderão ser bem aproveitadas ou não. É verdade, que alguns indivíduos têm aquilo que os experts chamam de senso de oportunidade, os mais hábeis quase não perdem uma chance, é o caso de alguns craques de futebol diante do gol. Como não tenho como saber de imediato, a razão porque acontece determinada coisa, criei uma estratégia, que por enquanto tem dado certo, adio a solução da equação e atribuo toda a responsabilidade pelo episódio à força misteriosa, àquilo que chamo de magia. Por enquanto tem dado certo, e quando não encontro uma explicação razoável para algo inusitado, não esperado nem desejado, que tenha acontecido, e que ainda não consiga ter acesso a compreensão e entendimento do fenômeno, chamo de magia. Nesse caso jogo um monte de coisas inexplicadas no mesmo balaio, jogo quase tudo, muita coisa, desde pequenas manifestações de vida não programadas e portanto inusitadas, o desdobramento de algo muito longe do esperado, mas que acontece, surge de repente, aparece na sua frente, como se tivesse caído de paraquedas, de bandeja. Não tinha pensado naquilo, não havia programado nem desejado, e mesmo assim aconteceu. À primeira vista não sabemos porque, não temos como saber a respeito de muita coisa que acontece. Afinal de contas, precisamos algumas vezes, pelo menos, ter a honestidade em reconhecer, que não podemos saber tudo, é impossível, não tem como.
sábado, 18 de junho de 2016
Pausa para um jejum
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| Brockwell Park, Londres |
O fato de não ter escrito nem publicado nada nos últimos dias, obriga-me, de certa forma, comparecer ao blog, dar uma justificativa aos leitores, alguém pode ter procurado por novidades, e não encontrando, se perguntado sobre a ausência. Tenho me ocupado mais nas duas últimas semanas, com a releitura e digitação de textos bem antigos, coisas do período londrino, portanto com mais de trinta anos de escritos.Tudo motivado por uma sugestão de um leitor, que ao ler o post “O velho Brixton está desaparecendo”, perguntou, por que não dar prosseguimento, com outros episódios ocorridos no mesmo período? Só a digitação me deixou ocupado por duas semanas, mas ao mesmo tempo, foi prazeroso fazer, quer dizer, está sendo, já que ainda não acabei. Falta fazer a edição final, mais acabada e mais aprimorada. Dei uma pausa, porque não sei ainda onde parar, interromper a narrativa, colocar um fim, um ponto final no texto. Não decidi ainda se deixo apenas o período londrino num texto específico, que por sua vez, são quase cem laudas do papel A4, ou se vou adiante, aonde incluiria anotações da passagem por Amsterdam, Stuttgart, Berlim, Hamburgo e Bremen, lugares onde continuei a fazer anotações de algumas coisas. Daí a dúvida onde interromper o primeiro relato. Estou determinado a interromper e fechar o texto no dia em que deixo Londres, e quanto aos textos seguintes, já que a viagem continua, estou mais propenso a digitá-los com outro título. De qualquer forma, tenho muita coisa a me ocupar pelos próximos dias, e assim, nem sempre estarei disponível para publicar um novo post. Embora nunca se sabe, as vezes basta uma súbita saída para almoço, um encontro repentino, que impacta, desperta memórias, afeta e abala ao mesmo tempo, toca o seu exato ponto mais sensível justamente na hora mais crítica do dia. Bate de certa forma, causa impacto, fica impossível não desejar passa-lo para o papel, digitá-lo, e finalmente acaba chegando ao blog. De qualquer forma, não terei muito tempo nos próximos dias, para as divagações de praxe. Como deliberadamente tenho me privado de televisão e jornal há dois meses, meu último espetáculo circense assistido na tevê, foi o deprimente espetáculo midiático da votação do pedido de impeachment contra a presidente na Câmara dos Deputados em Brasília, no domingo 17 de abril último, que não preciso dizer, me chocou profundamente. São portanto dois meses completos sem assistir tevê, sobretudo os telejornais noturnos, ou até mesmo a programação diária, e também sem ler os jornais impressos, que não comprei mais, só pela internet uma coisa ou outra, que os amigos enviam por e-mail. Um jejum que pratico em forma de protesto, enojado da super edição da mentira de forma institucionalizada em rede nacional. Jejum e afastamento midiático, que me deixou desatualizado em termos de política nacional, já que não venho mais acompanhando os bastidores da política. Acho que não devo continuar comprando essa briga, dando murro em ponta de faca, no pequeno espaço de um blog privado, e ainda com muito pouco acesso. Foi nesse momento, que veio à luz a ideia de procurar ocupar-me mais com a criação, com a invenção, pelo menos por enquanto, porque não me considero palmatória do mundo, longe de mim tamanha presunção. Por enquanto estou achando ótimo, gosto muito, e finalmente conseguindo ocupar-me de forma criativa e inteligente, conseguindo produzir alguma coisa, mostrar outras em forma de conto, que exponho aqui e em redes sociais. Então, estamos firmes. Saudações, e até breve.
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