sábado, 30 de abril de 2016

Entrando no personagem




“No Brasil eles compram o corpo, aqui eles compram o personagem”. Essa foi a resposta de um garoto de programa brasileiro em Londres, respondendo sobre a diferença entre um cliente brasileiro e um de Londres. Por que será?
Ao comentar com um amigo, ele atribuiu ao fato, de ainda sermos devoradores de açougue, de carne, de ainda sermos um tanto primitivos vis à vis gente mais evoluída, no quesito relação humana. Talvez não esteja claro ainda, o que queremos ou buscamos no outro. Seria só o corpo? Apenas isso? O próprio Mário, o tal amigo que contei sobre a frase acima, é ator, segundo o próprio, um “vil e difamado ator”, como gosta de falar. Um ator, cujo corpo onde se hospeda, ainda não rompeu a barreira entre os dois, a barreira entre o corpo e o personagem. De tudo que assisti até hoje feito por ele, jamais consegui encontrar o personagem, quem estava sempre lá em cima do palco era o velho Mário cansado de guerra, que conheço de décadas.  Claro, que jamais lhe disse, mas nunca consegui assistir a um personagem criado ou construído por ele.
Confesso, que no pouco tempo de teatro que tive, lembro ter encontrado a mesma dificuldade. Numa peça infantil, que cheguei a fazer durante uma temporada inteira, só comecei a encontrar o fiozinho do personagem no final da temporada, o que foi definitivo para desistir da carreira de ator. Isso me lembra o título da peça de Luigi Pirandello, Seis personagens à procura de um Autor, se em vez de “autor” fosse “ator”, teria mais a ver com o que estou tentando desenvolver. Imagine um personagem em busca de um verdadeiro ator, que o represente, mas que seja um ator, que seja alguém. É melhor deixar esse assunto de lado, por enquanto, porque pode dar muito pano para a manga.
A dificuldade é maior, porque para se chegar ou encontrar o personagem pretendido, que por sua vez não existe ainda, não se consegue ter nem a mais pálida sombra do que seja. É preciso pesquisar muito, conhecer um pouco sua vida, lugar de origem, idade, orientação, gostos, mentalidade, valores, ideias, além de toda conjuntura da época. Todo esse cabedal de informações e movimento irá trazer subsídios na elaboração do personagem, é a matéria prima, para o trabalho definitivo de composição, que depois poderá ser levado ao palco, posto em cena aberta ao público. É evidente, que para tal supõe-se, que se esteja vindo de algum canto, donde partiu, lugar que é o seu próprio ser, seu caráter, a persona que se é. Quando não se tem, ou se tem pela metade, uma obra inacabada, mal feita ou por se fazer ou se constituir, de onde se possa partir com segurança para voos mais ousados, fica tudo muito mais difícil, quase impossível. Em algumas situações, não se consegue dar sequer um passo, trava, tensiona.  O que leva a supor, que para ser capaz de construir, vestir e habitar um personagem de outra pessoa, um caráter diferente do que somos, é necessário ser.
No senso comum, encontra-se muita dificuldade em saber o que as pessoas comuns acham que são, em geral não sabem quase nada a respeito de si mesmas. Não gostam de pensar a respeito. A maioria das pessoas ainda faz uma enorme confusão entre ser e ter, muitas ainda acham que só são, se tiverem a posse de alguma coisa, senão serão nada. Ser e ter ou, ser ou ter? Eis a questão. Deve ser incrível poder trocar de personagem quando conveniente, sem pagar nenhum preço. Como trocar de máscaras, e conseguir surfar na onda, poder jogar com algum personagem particular, brincar de ser qualquer coisa. Qual o seu papel atual? Mencionei “jogar” de jogo, um pouco acima, na verdade, é assim que se diz, tanto em língua inglesa, to play, como em francês, jouer, que tem o mesmo significado da língua inglesa, brincar. A ideia de brincar é ótima, porque supõe uma imagem de alegria. Quem não se lembra da alegria proporcionada pelo brincar? Da imensa alegria, que costumava apresentar momentos marcantes e mais felizes na infância de muita gente boa. O ruim, é que esquecemos quase tudo, e assim fica muito mais difícil brincar de ser alguém, de entrar no personagem, seja que personagem for.  




quinta-feira, 28 de abril de 2016

Ela queria minha atenção




Dizem que o amadurecimento não tem prazo de validade, não tem fim, não tem limite. Tem gente, que surpreendentemente decide parar, estaciona em um determinado degrau da vida, os anos prosseguem, não tem jeito, e ela fica por ali, numa boa. Os mesmos velhos hábitos e rotinas, como se, mesmo sabendo, que o tempo não para, não para ela, que não tem regras a cumprir e respeitar. Respeitar limites.

Então para numa estação particular, onde não está desconfortável, gosta do estilo de vida, que enfim encontrou, se considera muito bem, está curtindo o que está rolando. Bacana. Subitamente, uma mudança repentina, e problemas começam a rondar o ambiente, porque os anos estão passando velozes. Os probleminhas vão aparecendo aqui e ali, seja na saúde, na insegurança com as mudanças, sutis ainda, seja na aparência física, mudanças que estão vindo à luz, e que ela eleva a vigésima potência, exagera.
O que vai produzindo insegurança com a aparência de forma exagerada, sem necessidade. A isso vai se somando uma série de pequenos problemas, que vão se acumulando, e em consequência vai alterando o seu estado de humor. Está evitando sair. Com a morte de Eva, perdeu sua única parceira de boteco, entrou em seguida num certo luto com a perda da amiga, depois mergulhou num ostracismo total. É de casa para o trabalho, do trabalho para casa, as vezes um ou outro almoço, ou jantar fora, quase sempre sozinha, só muito raramente, com um amigo qualquer, e em seguida volta correndo para o aconchego do lar, como precisasse se proteger dos humanos, se proteger da megalópole, fugir de todos, escapar.
Volta para a sua zona de conforto, para casa, para o computador, um pouco de tevê, um chocolate quente antes de dormir. Amanhã terá compromissos inadiáveis, acaba de pensar nisso, e assim vai tocando a vida. Mas diz que está doida para namorar, só não sabe como providenciar, esqueceu, está destreinada, sobretudo agora, que está fora da pista há anos, saeculorum. Não que não passe pela cabeça um dia sair, criar coragem para encarar uma saída noturna, um boteco, sabe que precisa encontrar ânimo, ainda não sabe como nem onde, mas gostaria de pagar o preço. Quando será? Não sabe por enquanto, mas diz acreditar, que qualquer hora dessa sai, pelo menos que saia a ideia. De posse da ideia, diz: “vou construir minha historinha, a minha narrativa particular, mesmo que pareça uma fábula, será importante tê-la na cabeça, para poder enfrentar as ruas de cabeça erguida, saber olhar, ver e enxergar, saber o que quero." Coisa que ainda não conseguiu e precisa conquistar.

    

terça-feira, 26 de abril de 2016

Digitais do golpe

A trama para armação do golpe já vem de longe, o vídeo abaixo, que exibe uma conversa entre Marco Feliciano e Jair Bolsonaro, numa conspiração francamente aberta em torno do golpe de Estado. Depois que Alexandre Frota disse numa entrevista, que saiu com Marco Feliciano como garoto de programa, ficou muito curiosa a revelação da mitificação toda que ele faz de Cunha. Cunha é hoje para Feliciano uma espécie de guru, fala como se Cunha fosse um gênio da política e coisas do gênero. Ficou muito esquisita, e um pouco demais, toda essa tietagem. Além de toda sordidez humana deplorável de conspiradores do pior gabarito, imensamente sujos, das piores sujeiras dos esgotos da política, como fica demonstrado no vídeo. É assim, que essa gente escrota faz política, gente do pior gabarito ético e moral. Que faz a política do esgoto, a anos luz daquilo que se convencionou chamar de republicanismo. Uma espécie peculiar de canalha, um canalha inusitado, que lida com a pecha de canalha ou de cafajeste numa boa, quase tanto como Maluf lida com a pecha de corrupto, isto é, muito bem. Maluf circula por aí numa boa, muito tranquilo, sem ser incomodado por nada nem por ninguém, nunca ouvi falar, que algum grupo de fanáticos fascistas, desses que atacam e perseguem autoridades do governo ou do PT, em eventos públicos realizados em shopping centers, livrarias, ou chegando de viagem em aeroportos, com violentos ataques verbais, insultos e xingamentos.

A última, que soube ontem, é que agora, esses fanáticos fascistas estão atacando até vizinhos de condomínio, quando descobrem, que o vizinho se recusa a compartilhar o lixo midiático disseminado por eles. Uma coisa horrorosa e absurda. É a volta do fascismo, onde não vale mais nenhuma regra do estado democrático de direito, nem mesmo o básico direito de ir e vir. Nunca ouvi falar que esses malucos tivessem incomodado Maluf alguma vez sequer, nunca. O que demonstra, que a motivação dos ataques não é a pecha de corrupto nas vítimas dos ataques, os motivos são outros, são de ordem ideológica. Portanto os fanáticos fascistas lidam muito bem com os tipos corruptos e canalhas, aqueles que são membros do seu grupo político, aliados deles ou gente que não fede nem cheira segundo os próprios. O mesmo pode ser dito de toda a manada seguidora coxinha, parcela relevante numericamente falando da pequena burguesia nacional. Aquilo que mais se temia ocorrer na Colômbia, na época de Pablo Escobar, que o mundo do crime organizado conseguisse ocupar postos importantes em órgãos do Aparelho de Estado, como o Judiciário ou o Legislativo. Infelizmente acabou acontecendo no Brasil, com a eleição de Cunha, com forte apoio e ajuda de grande parte do Congresso, inclusive do PSDB, para a presidência da Câmara no começo de 2015. E ele continua lá, muito firme, muito seguro de si, deve ter gente muito forte e poderosa O EMPODERANDO. Cunha está se achando, tem sob o seu comando, uma tropa de choque com mais de cem deputados, que conseguiu eleger em 2014, com subsídio de dinheiro fraudulento, fruto de todo tipo de acharque e extorsão, contra empresários e endinheirados da república. Dessa forma conseguiu derrotar o Executivo durante todo o ano que passou, num boicote total ao executivo, num movimento deliberado de não deixar governar, fazer o governo sangrar até definhar e acabar morrendo, mesmo sem impeachment. E para concluir a prestação do serviço mais sujo, que já assisti nessa república, finalizou com o cheque mate da aprovação do pedido de impeachment contra a presidente, proposto por uma advogada paulista completamente desequilibrada, e um velho gagá desautorizado pelos filhos.

Numa hora como essa, é que a gente fica tentando juntar uma coisa com outra, estabelecer conexões, e tudo vai se tornando mais claro e evidente. Por exemplo, o que justificaria a prisão de José Dirceu por tanto tempo, um homem que já havia sido condenado, que já havia comprido pena, que não ameaçava nada nem ninguém, nem mesmo ameaçar possíveis novas investigações contra si mesmo. Então? Por quê? Precisavam tirá-lo de cena, silenciá-lo? Uma cabeça como a de José Dirceu precisa ser silenciada, porque é um risco que se corre, deixando-o solto, pois ele pensa, fala, escreve, e poderia insuflar militantes numa reação contra o golpe. De forma, que começa a ficar mais clara a orquestração do golpe, pensaram em tudo, e Moro também está implicado. Deixou o rabo de fora, quando vazou para as Organizações Globo as fitas gravadas por arapongagem de conversa da presidente com Lula. E também com as prisões seletivas, só caçam membros do PT, do tesoureiro ao marqueteiro. Tudo muito suspeito e tendencioso, só não vê, quem não quer ou é partidário do golpe.


quarta-feira, 20 de abril de 2016

Rastros da direita

Uma coisa que sempre me chamou a atenção, no combate ideológico que vem rolando entre nós, mas forte sobretudo de 2013 para cá. São os ataques constantes e recorrentes, algumas vezes se intensificando mais em determinadas épocas, afrouxando em outras, como recentemente durante o período entre as festas de fim de ano e o carnaval. Chama a atenção os ataques contra grupos “especiais” minoritários, como por exemplo: indivíduos com alguma deficiência física, que apresente alguma dificuldade para o trabalho, que recebem, sem direito a décimo terceiro, uma pensão mensal de um salário mínimo, para se manterem minimamente. Alguns desses grupos representativos ganharam status ministerial, como foi o caso do “Igualdade Racial”. Mais uma vez simbólico, porque as despesas eram mínimas aos cofres públicos, mas mesmo assim, a direita não aliviou jamais os seus ataques, como é notório, os ataques feitos, até pouco tempo atrás, contra os 39 ministérios, lembram-se? Era uma cantilena na imprensa, e total falta de imaginação da parte dos homens de imprensa, em pautar o jornalismo com assuntos mais interessantes. É preciso lembrar, que a coerência deles era com os ataques, apenas os ataques. Daí o prejuízo com as perdas de espaço para conteúdos com maior peso cultural, quando se radicaliza muito um partidarismo fanático, e se escolhe um lado só na luta política, tendo que oferecer e disponibilizar conteúdo, com informação e opinião ao público em geral. O risco, é ser acometido por esse distúrbio mental, e não conseguir enxergar o óbvio, ou perder completamente a imaginação, já que ficou cego pelo objetivo único de usar de todos os meios não importam os fins a considerar, nem o preço a pagar por toda a sociedade.  E o pior disso tudo, é que conseguem convencer as massas, que estão certos, embora preguem o tempo todo, que não existem mais verdades. Poderia muito bem não ser verdadeiro até mesmo tudo aquilo, que pregam? E o surrealismo é maior, quando observamos certos políticos de Brasília falando de ética, ao fazer um cineminha particular, toda vez que visualizam uma câmera por perto, para falar contra a corrupção, sendo os mesmos, os seres mais corruptos da face da terra em todos os aspectos. São esses homens sem moral, sem valor e sem caráter, que viraram protagonistas, ou jogam o papel que lhes cabem nesse latifúndio, premidos pelas necessidades ou oportunidades políticas, algumas possibilidades ou chances de escapar de um abominável processo de desmoralização pública com a pecha de corrupto num julgamento final no STF. Muito embora o personagem Maluf vista muito bem esse personagem há muito tempo, aparentemente sem grandes preocupações, parece que o Maluf leva e tem uma boa vida em suas propriedades em São Paulo, apesar da pecha de corrupto.
São extremamente conservadores também em questões muito sensíveis aos direitos civis de minorias sociais, como o direito ao aborto, são contra a ampliação de direitos civis para o movimento LGBT, como a adoção por casais homoafetivos, e todas as demais questões que beneficiem outras minorias. Minorias que eles discriminam, abominam, violam, fazem piadas politicamente incorretas e desrespeitam publicamente. Aliás, mais um traço peculiar da direita política, não respeitar minorias, nem quem estiver fora do padrão, isto é, todos os diferentes de forma geral. Desejam excluir direitos de algumas minorias, se voltarem ao governo através desse golpe escroto. Escroto porque sub-reptício, sujo, ilegal, do vale tudo na política, do quanto pior melhor, do levar o país ao caos desde que consigam os seus objetivos espúrios, que podem ser qualquer coisa. Daí a escrotidão de uma ética dos meios e não dos fins, eles não têm fins, jamais. O que importa são os meios. Cada um ali tem o seu objetivo sujo particular, porque não há um objetivo comum de país. O que esperar de um fascista corrupto, réu em processo no STF ou em Curitiba? Estou certo, que todos sabem a quem me refiro. Claro, apenas quer safar a própria pele, custe o que custar. E se tiver a chance de obter mais algum ganho, larápio que se preza, não vai deixar escapar, lógico. Será o completo butim dos recursos nacionais, e um enorme rombo na soberania do país. Ainda há tempo de evitar isso, pensem, reflitam um pouco sobre os prós e os contra de todo esse louco e tenso processo, em que estamos afundando, que poderá trazer muito prejuízo para muita gente, e que ainda há tempo de evitá-lo. Urge, evitá-lo, não vale a pena correr o risco.


O significado do SIM e do NÃO


Que governo é mais democrático? Claro que é aquele governo, que procura incluir mais gente, através de várias políticas públicas.  Onde cada problema diagnosticado pelos institutos de Estado, como o IPEA por exemplo, é disponibilizado para os técnicos do Ministério do Planejamento estudar os dados, para então, depois de profunda análise, poder estabelecer as condições mínimas necessárias, para criar programas, que melhor atenda cada problema específico. Nenhum governo popular e democrático, não pode se atrelar jamais, ficar restrito apenas à filosofia do senso comum: "farinha pouca, meu pirão primeiro". Incluir mais é fundamental, incluir sempre, estender a democracia para mais gente, ampliá-la cada vez mais. Criando condições para se chegar a ter mais cidadania, mais direitos civis para muito mais gente, tanto para quem já foi incluído, e precisa avançar mais em novos direitos, como também para aqueles que ainda não foram contemplados, e continuam, portanto, fora do sistema de controle social, feito pelos gestores dos programas. Construir uma estratégia política com políticas públicas específicas, facilitar o acesso e finalmente trazê-los para o mercado e a cidadania plena, e dessa forma, possibilitar o empoderamento dos mais humildes. Não se pode ser negligente jamais, com o controle e a eficiência na gestão, e muita fiscalização de todos os programas. Essa é a diferença fundamental e essencial, entre os rumos de uma política governamental popular de esquerda, e as políticas neoliberais, que deixa tudo entregue aos caprichos do deus mercado. 
Depois do tétrico espetáculo de domingo, 17 de abril. Uma vergonha! Foi vexaminoso, ver exposta pelas tevês mundo afora, a face negra da política brasileira, mostrada da forma mais sórdida e mesquinha possível. Através dos principais protagonistas dessa crise, e outros, que mesmo nas sombras, são muito influentes nos bastidores. Além de todo baixo clero, a imensa maioria da Câmara, que protagonizou o evento político mais vergonhoso, que assisti até hoje. Imaginem, tudo isso posto às claras, de forma absolutamente transparente, para o mundo inteiro assistir. Uma vergonha! Uma Vergonha nacional exposta para quem quisesse ver, aqui e lá fora. Fomos pegos com as calças na mão, na altura dos joelhos. O mundo inteiro assistiu em que ponto está o nível e o preparo de nossa elite política, e de todos os seus asseclas, ou seja, os membros da Câmara baixa, os deputados federais. Que baixo nível! Um espetáculo lamentável e de imenso mal gosto.
Quanto à democracia. Pelo que foi visto domingo passado. Com os deputados cassando o mandato da presidente em nome de toda a família, ou individualmente em nome de Deus, do pai, do avô, da esposa ou dos filhos. Ficou tudo muito claro e evidente, que a direita conservadora não é nada nada democrática, no sentido de querer incluir mais. Em todas as suas manifestações dos últimos tempos, fica visível e transparente, como são contra as cotas para negros e todos os demais programas de inclusão social em vigor. É claro, que se for feita a pergunta para qualquer um dos golpistas, eles negarão de pés juntos que não, mas nos bastidores já conspiram pela retirada de dezenas de direitos civis assegurados pela Carta de 1988, e regulamentados desde então. São extremamente conservadores também em questões muito sensíveis aos direitos civis de minorias sociais, como o direito ao aborto, são contra a ampliação de direitos civis para o movimento LGBT, e todas as demais questões que beneficiem outras minorias. Minorias que eles discriminam, abominam, violam, fazem piadas politicamente incorretas e desrespeitam publicamente. Aliás, mais um traço peculiar da direita política, não respeitar minorias, nem quem estiver fora do padrão, isto é, todos os diferentes de forma geral. Isso me lembra o Neguinho da Beija Flor, quando repete mais uma vez, algum refrão: "Olha o nazismo aí gente!"
A ser verdade, o que foi assistido por todos no domingo 17. O que importa para esses deputados é o clã, isto é, o núcleo familiar. "La famiglia!". É curioso, porque a família é o bem mais importante também para as máfias italianas. Então, fica o alerta, que qualquer semelhança com a realidade, não passa de mera coincidência.

http://publico.uol.com.br/multimedia/video/eu-voto-por-este-e-por-aquele-como-foi-a-votacao-do-impeachment-de-dilma-20160418-141002

A direita mostrando as garras


Muito antes de concluir a consecução do golpe parlamentar, que já dão como favas contadas. A nossa direita tupiniquim já começa dizer a que veio. Estão indo com muita sede ao pote. É visível que a intenção é mesmo, tomar de assalto o poder de Estado como estabelecido pela Carta de 1988, com todas as conquistas regulamentadas pelo Congresso desde então, e mudar tudo, sem dar a menor satisfação à sociedade civil. Claro, que não precisam dar, eles não foram eleitos, deram um golpe, então não devem satisfações. Não escondem de ninguém, que não gostam nem um pouco, de nada, que os governos do PT fizeram esses anos todos. Não gostam de nada. É incrível como, mesmo sem nenhum voto nas urnas, se acham no direito de tomar de assalto o Estado brasileiro, e qual um tornado terrível, alterar tudo da noite para o dia, e o povo que se lasque. Porque eles não são nada nada democráticos. A última é o marco civil da internet, regulamentado em 2014, que querem inviabilizar, alterando totalmente tudo aquilo que foi aprovado, e é um exemplo para o mundo, com muitos países copiando e seguindo o modelo brasileiro ao se espelhar nele. A proposta dos golpistas é rasgar o marco civil de internet, conquistado às duras penas, depois de muita luta, discussão e debates com a sociedade civil. Querem rasgar o documento e criar outro de cima para baixo, sem discutir com a sociedade, porque eles não são nada nada democráticos. É preciso que a sociedade reaja imediatamente, porque se a iniciativa da direita prosperar, em seguida começarão a cobrar o acesso à internet, que hoje é ilimitado, por tempo de uso. Dessa forma, inviabilizarão o acesso à internet, para os mais pobres. Por que? Porque eles não são nada nada democráticos. 
Por tudo aquilo que o país já passou nos últimos tempos, teve que enfrentar e superar, com crises e crises de todo tipo. Desde a época em que lutava com inflação galopante, uma enorme dívida externa, a miséria nas grandes cidades e os sucessivos planos econômicos para pôr fim às crises conjunturais, e outras nem tanto. A nossa elite teórica adquiriu e acumulou todo um conhecimento, que em momentos de dificuldades, pode se tornar muito útil. Portanto o país tem bagagem e quilometragem para superar qualquer crise interna. Acontece, que muitas crises do mundo de hoje, são em sua grande maioria, resultado da crise do capitalismo financeiro internacional desregulado. Capitalismo financeiro, que enxerga num país como o Brasil, uma excelente oportunidade, para otimizar os seus lucros financeiros exponenciais. Para isso, precisa de aliados fortes internos, que facilitem a otimização dos rendimentos de aplicações e investimentos financeiros do rentismo. Daí eles precisarem de um Banco Central independente, para poder elevar os juros Selic para a estratosfera, quando for conveniente. O sistema financeiro é tão forte, que mesmo durante o governo do PT, acumulou imensas fortunas com o rentismo. Só durante os últimos doze meses, que terminou em março passado, foram 513 bilhões de reais, retirados do tesouro nacional e entregue em mãos dos aplicadores rentistas. Isso durante um governo, que fez e trabalha em benefício dos mais pobres. Agora imaginem num governo neoliberal, com o fim dos programas de transferência de renda para os mais carentes, e o aumento dos juros, mais do que já são hoje, a montanha de dinheiro, que será transferida para os mais ricos, e o consequente aumento da desigualdade, que já é grande. Esse é o cenário, que nos aguarda. Quem já leu o programa do PMDB, "uma ponte para o futuro", lançado em outubro de 2015, diz que é um programa econômico mais liberal do que aquele dos tucanos, quando os tucanos eram governo. Querem ser mais realistas que o rei. Então serão privatizações em massa, para agradar e fazer média com o butim internacional do patrimônio público nacional. E no Congresso já começa o movimento pela terceirização do trabalho, e o objetivo principal é o fim da CLT e da justiça do trabalho. É bom a população ficar bastante antenada e ligada, se articular com os seus órgãos de classe, categorias profissionais, sindicatos e movimentos sociais, para tentar reagir, senão a chance na perda de direitos, que já é evidente, será muito forte, com tudo que anda em marcha. Por que hein? Porque eles não são nada nada democráticos. Nada nada democráticos.




terça-feira, 19 de abril de 2016

Não precisa entender




Claro que não precisa entender de política, para perceber a farsa que foi a votação nominal de domingo passado no Congresso Nacional, a favor do impeachment da presidente da República. Onde só faltou um deputado da Bahia dizer, que era a favor do impeachment, em homenagem ao cuscuz de Mainha, segundo o humorista José Simão. Dezenas de outros deputados, que na hora de decidir o futuro do país, votou contra a presidente em nome da mulher e dos filhos. Outro pela nação bíblica de Canaã. A grande maioria dos deputados com um nível intelectual pré-ginasiano, falava de tudo, menos qual a razão que o estava levando a tomar uma decisão como aquela, de afastar a mandatária do país, que é o quinto país do mundo em extensão territorial e o oitavo em população, com mais de duzentos milhões de pessoas. Todo mundo sabe, já é ponto pacífico, que o nível do Congresso é baixo, mas nada como assistir ao vivo e a cores, a que ponto chegou o nível dos nossos congressistas, uma calamidade pública. Foi um choque e uma vergonha ao mesmo tempo. Pirante. Termos o nosso futuro entregue a gente tão desqualificada. Alguma coisa não bate bem, tem algo errado, não pode ser, indagam-se incrédulos diversos leitores/eleitores mais instruídos.
Não precisa entender de política, para perceber toda a tramoia conspiratória do vice-presidente, aliás figura nefasta sob todos os aspectos consideráveis.
Não precisa entender de política e nem ter posição político ideológica, para perceber que o partido derrotado não aceitou o resultado das urnas, não aceitou perder, desde que veio à tona o resultado final da apuração. E desde então, não faz outra coisa, que não seja: conspirar, criar dificuldades, pautas bombas, apresentar óbices e transtornos políticos à atual presidente.
Primeiro ato foi apoiar a eleição para presidente da Câmara de um bandido contumaz como Eduardo Cunha e toda a sua camarilha de neófitos. Quase cem deputados novos, que só conseguiram se eleger auxiliados pelo dinheiro sujo, fruto dos acharques, extorsões e ameaças de Cunha contra empresários e outros endinheirados da república. Uma montanha de bilhões de reais, que ajudou a financiar a campanha política de dezenas de lobistas, que do dia para a noite, tornaram-se políticos de carteirinha e cartilha, e sobretudo paus-mandados de Cunha, prontos a cometer qualquer ilegalidade em prol do mentor mor.
Não precisa entender de política, para perceber o papel jogado pela grande mídia nessa crise. Crise aliás criada, em grande parte, com o relevante papel jogado pela própria mídia oligárquica, familiar e monopolista. A forma como explora certas notícias contra o governo. A maneira como conseguiu criar uma narrativa do contra, tornando-a hegemônica, através da repetição de mentiras tantas vezes repetidas, que colaram na opinião pública como se verdades fossem.
Não precisa entender de política, para perceber e ver, que essa história da Fiesp, um colegiado de empresários bem sucedidos do estado mais rico, dizer que não quer pagar o pato, é outra grande mentira. Que quem, na verdade, sempre pagou o pato, foram os trabalhadores e parte da classe média assalariada do país. Mais uma farsa portanto.
Não precisa entender de política, para perceber, que o juiz Sérgio Moro, que se notabilizou com a campanha da operação Lava Jato da Polícia Federal. DESVIRTUOU totalmente os objetivos da operação que comanda, ao fazer o uso político da operação, quando negociou e revelou escutas telefônicas de conversa da presidente, para a maior rede de tevê do país. Tentando com isso, desestabilizar e criar um clima de comoção contra o governo. Levar o país ao caos político e incendiar as massas.
Além de tudo, que foi arrolado acima, não precisa entender de política, para saber que existem inúmeras outras razões claras e evidentes de todo o movimento golpista comandado por corruptos contumazes e notórios da república, travestidos de conspiradores.
Enfim, não precisa entender de política, para perceber e entender nada do que foi dito acima, porque está tudo tão claro, visível e à mostra.