terça-feira, 5 de abril de 2016

Resistimos ao golpe fatal?





O artigo: "Lava jato quer tirar Brasil do BRICS e CELAC" de Beto Almeida. 

É um excelente artigo, com uma visão macro de um campo mais amplo possível da realidade internacional, o das relações entre os países, da relação de cada país com seus pares e com outros nem tanto. Com potências muito mais fortes em todos os sentidos, principalmente militarmente, e que já deu provas mais do que o suficiente de sua capacidade em várias partes do planeta. Como vimos no Iraque em 2003 e recentemente na Líbia, a Síria foi uma tentativa não muito bem sucedida, frustrada, embora não tenham desistido completamente dela. A Ucrânia continua dividida. A Rússia sofrendo um bloqueio econômico com vários impedimentos comerciais diante do mundo rico. É uma visão na órbita de assuntos ligados à geopolítica, mas que também tem uma ligação bem estreita, várias conexões com tudo o que está acontecendo hoje em dia internamente no país. Muitas conexões. Porque está tudo ligado, e não poderia ser diferente, na verdade ignoramos mais do que sabemos fazer a leitura correta das conexões entre os fenômenos narrativos, nesse ponto o instrumental filosófico auxilia e ajuda um pouco destrinchar e revelar o que está por trás, nos bastidores, fazendo pressão sem aparecer, sem mostrar claramente envolvimento material. Finalmente a inteligência brasileira está abandonando a corrente da fragmentação do discurso e do pensamento, que foi hegemônica entre nós até recentemente, e que não interessa nem um pouco aos nossos interesses. Não trabalha a nosso favor, pelo contrário, atenta contra esses interesses, contra as empresas nacionais, onde o jogo da competição continua sujo, desleal e invisível, embora vejamos os seus efeitos materializados na piora dos negócios das empresas nacionais, além da sofisticada espionagem desigual invisível. Donde a importância de uma visão macro da conjuntura ser fundamental, para se poder criar as condições políticas necessárias para enfrentar e superar as dificuldades. É bom estar alerta, porque a potência matriz do liberalismo econômico quer levar tudo, ganhar todos os mercados, com apetite e ganância feroz. Uma fome por ganhos e vantagens incomensurável. Como diz um trecho do artigo que copiei: "Vale contar uma história de como, em 1980, a Odebrecht perdeu uma concorrência no Chile de Pinochet. Recém eleito, Ronald Reagan, telefonou diretamente a Pinochet para interferir numa licitação para uma obra de infraestrutura no país andino, para que ela não fosse vencida pela Odebrecht e sim por uma empresa dos EUA, tal como ocorreu. Reagan prometeu a Pinochet que desativaria a campanha de direitos humanos que o Presidente Carter vinha fazendo contra a sanguinária ditadura chilena." Enfim, a força da grana fala mais alto, quer dizer a força do império, disposto a impor as suas empresas em todos os mercados, ocupar todos os espaços pela lógica do lucro, não importam os meios. A Odebrecht vem sendo a pedra na chuteira das empreiteiras norte-americanas, pelo menos, pelo que diz o artigo desde 1980, portanto prejudicá-la agora no plano interno, em sua capacidade de trabalho e de investimento, impedindo que empregue mais trabalhadores brasileiros, etc., como está fazendo a operação Lava-jato do juiz Moro. Não seria também atender os objetivos e interesses dos negócios de adversários muito mais fortes, amparados por governos de potências imperiais, que não querem pôr a perder um milímetro que seja do seu poderio e dominação, sobretudo no campo econômico? Novamente a lógica do lucro dominando tudo. Querem enfraquecer nossas empresas e nossa economia não importam os meios. Se o que está atrapalhando, que continua criando problemas, para as suas empresas multinacionais, e que ainda por cima, recebem o apoio do governo local para se fortalecer, incluindo financiamento de bancos públicos brasileiros. O remédio é espionagem em cima. Se o problema permanece. Qual é o problema? Se um determinado governo está criando problemas. Espiona-se o governo e as suas empresas protegidas, por um longo período, por alguns anos, até que uma estratégia seja preparada meticulosamente, que possa produzir os resultados desejados com eficácia e eficiência. Em seguida inicia-se os movimentos de conspiração para valer, incluindo o aliciamento e a cooptação de agentes públicos, agentes de estado, como juízes e outros. Em seguida, cuida-se do aparelho ideológico da informação, do sistema de comunicação de massa do país, com a criação de uma narrativa única padrão, fácil de transmitir para as massas, e para a classe média em particular através dos jornais e da tevê paga. Para pôr em andamento o movimento de derrubada do regime político ou governo, que está impedindo os seus negócios. Se o problema é o governo, derruba-se o governo, não importa quem seja. Se tem alta popularidade, trabalha-se a mídia, elabora-se uma nova narrativa, e impõe-se a divulgação daquela lorota através dos meios de comunicação. Trabalha-se o processo de desconstrução da imagem e de traços favoráveis ao governo de plantão, para reverter tudo absolutamente ao contrário, desgastá-lo até o limite máximo perante a opinião pública, através do processo de desqualificação, desmoralização e demonização radical de massa. Pronto, o golpe está pronto, só falta dá-lo. Por tudo que passou ao longo da história o Brasil não deveria mais cair nesse tipo de tramoia, conto do vigário, porque está tudo muito nítido e claro. Primeiro espiona-se, depois prepara e finalmente dá o golpe fatal. Acho que já chega, não é mesmo? Golpe desse tipo, já caímos em 1964. Já está de bom tamanho. Mais do que suficiente. Não vamos mais passar por isso.


segunda-feira, 4 de abril de 2016

No Tempo



Não dá para desconsiderar que somos seres temporais, moventes e dinâmicos, estamos portanto no tempo, por mais acomodados, estacionados e parados que estejamos. Tudo passa, tanto os sucessos como os fracassos. Estamos embarcados. Não há tempo para balanços, nem avaliações passageiras, senão corremos o risco de perdermos o bonde da história. Não se pode parar nem para pensar, se pensa em movimento, no fluxo do dinamismo da vida temporalizada. Os desvios de rota no caminho são as vezes inevitáveis, já que nem sempre somos movidos pela razão; pelo contrário, na maioria das vezes, somos empurrados e levados por sentimentos e paixões, o que favorece muito mais os erros e enganos que os acertos. Daí o “errar é humano” tantas vezes repetido. Em algum ponto do labirinto haveremos de reencontrar o caminho temporariamente perdido, ou não. Prefiro me poupar de pensar na possibilidade de perder o caminho para sempre.

domingo, 3 de abril de 2016

O predomínio de apenas uma versão




Não lembro ter visto antes, um canal de tevê discutindo o papel de outro canal de tevê, se não é inédito, é algo inusitado em nosso país. Vejam, para conferir, talvez valha a pena, o vídeo do programa VerTV da TV Brasil na internet, sobre o papel da tevê Globo nesse momento golpista, que estamos vivendo e assistindo diariamente. Uma mídia familiar, que mesmo sendo beneficiária de uma concessão pública, que passa de pai para filho como herança, na cara de pau, essa mesma concessão pública, como se fosse um patrimônio familiar, depois de se tornar um monopólio midiático poderosíssimo, o maior do país, algo inédito no mundo. E faz isso tudo, porque os instrumentos reguladores existentes são muito antigos e inadequados. Pelo fato de não ter sido possível até agora, encontrar o apoio suficiente no Congresso, para aprovar e implantar uma regulação midiática, que regulasse inclusive os negócios cruzados de uma mesma empresa de mídia, algo similar ao que acontece nos EUA e em países importantes. Aqui como nada é regulado, a cartelização e o monopólio se consolidou de forma criminosa. O mais grave é ver, como a imprensa trabalha com informação e opinião para o grande público, para a imensa maioria do povo brasileiro, para a massa. Torna-se, dessa forma, um grande risco para a democracia brasileira, quando toma partido de forma tão escancarada. Estamos a assistir o desenrolar de uma peça política, muito parecida com uma farsa, que se constitui no papel que está jogando a grande mídia, embora cada agente midiático tenha o seu respectivo papel, tamanho e relevância específica. No caso das Organizações Globo, cada canal pago ou aberto, tem os seus objetivos políticos ao estabelecer  o seu público alvo. Mas o que se observa, e que chama atenção de forma marcante, é o partidarismo da emissora a favor dos aliados de sempre da direita, tanto políticos como empresariais, o tempo quase todo da pauta de programação. Uma ausência total do contraditório. Na defesa e divulgação de uma narrativa do contra o governo de plantão, como sendo a única verdadeira, para convencimento de toda a massa de espectadores. O que é uma coisa extremamente perigosa, já que o discurso do contra praticamente se tornou uma lavagem cerebral contra a população de modo geral, e dessa forma, uma terrível ameaça à democracia. Tem sido dito em algumas análises, que dependendo do público alvo, a estratégia muda na abordagem, no tom mais ou menos crítico. Por exemplo, é conhecido que no Jornal Nacional das 20:30 hs, cujo objetivo é atingir grandes massas, onde a média de escolaridade é mais baixa, e por mirar um público maior, o resultado jornalístico é diferente e mais leve do que é apresentado na Globonews. Canal pago, que se dirige a um público mais restrito e instruído, mais rico e bem menor, quase uma bolha, é lugar de uma contundência crítica contra o governo de proporções gigantescas. O mesmo fenômeno acontece com o jornal impresso o Globo, que hoje conta com um número de leitores bem inferior, ao que já teve no passado, e que nem se compara com o público da tevê aberta, por isso no jornal os ataques contra o governo são violentíssimos. As formas de realizar a narrativa do contra varia, mas o conteúdo é sempre o mesmo, sempre com o objetivo de tornar hegemônica apenas uma versão da realidade política. E como é feito tudo isso? São as táticas e estratégias mercadológicas, que se enriquecem com aspectos políticos e ideológicos. Primeiro eles não mencionam em nenhum momento o movimento de 1964, esquecem e negligenciam totalmente a história, como se não houvesse a menor conexão entre uma coisa e outra, nada que acontece hoje tem nenhuma correspondência, conexão ou relação com o passado, como se o passado fosse irrelevante ou inexistente, o passado não conta. É o que acontece, na negligência deliberada, com a campanha do “mar de lama” feita por Carlos Lacerda e pela imprensa contra Getúlio Vargas em 1954, e novamente em 1964 contra Jango. Fatos, que para essa mídia tendenciosa, é como se nunca tivessem existidos. Algo estranho e deliberado, contar com outros instrumentos e elementos, que dê outro tempero em sua narrativa discursiva demonizadora, e assim reforçar a criminalização do grupo político, ora no poder, alvo principal e absoluto dos ataques. É como se dissessem: "esqueçam o passado de uma vez por todas". O jogo político é praticado usando a régua do jogo sujo, pegando pesado, de "se colar colou", já que não têm nada a perder. Procura-se construir e divulgar uma narrativa do contra, buscando ser a versão mais verdadeira dos fatos, e através da completa distorção dos fatos, procuram fazer os ataques com narrativas, cada vez mais demonizante e criminalizante, visando enfraquecer gradativamente o alvo, fazê-lo sangrar como já diz alguns veículos, para derrubá-lo não importa como, tanto através de um impeachment na Câmara dos Deputados, ou cassação da chapa vencedora em 2014 no Superior Tribunal Eleitoral, no processo de revisão do termo de posse. Qualquer coisa é válida para se atingir o objetivo, derrubar o governo através de um golpe no judiciário, com o mais amplo apoio possível da grande mídia monopolista, que já tem a hegemonia da opinião pública brasileira. E a verdade se revela, pela forma como alguns jornalistas, que não se dobram, estão sendo demitidos. Jornalistas que vivem, de forma ambígua e esquizofrênica, já que em seus blogs particulares mostram uma posição, que não podem jamais compatibilizar com a postura imposta nos tele-jornais que apresentam. Tudo para fazer cumprir a estratégia de manter coerente o discurso do contra, manter uma narrativa única diante do quadro conjuntural nacional. Quem não está cumprindo o papel no roteiro do contra a contento, de acordo com script deve ser afastado ou eliminado com a peça ainda em andamento.
http://tvbrasil.ebc.com.br/vertv/episodio/crise-politica-em-debate
http://tvbrasil.ebc.com.br/vertv/videos
http://tvbrasil.ebc.com.br/vertv/episodio/crise-politica-em-debate
http://tvbrasil.ebc.com.br/vertv/post/como-a-imprensa-francesa-esta-cobrindo-a-crise-brasileira#media-youtube-1
http://tvbrasil.ebc.com.br/vertv/post/a-medicao-de-resultados-sobre-a-cobertura-politica-feita-pela-midia#media-youtube-1
http://tvbrasil.ebc.com.br/vertv/post/a-luta-pela-democratizacao-da-midia-no-brasil#media-youtube-1
     

Eu te respeito


EU TE RESPEITO

Quando existe respeito mútuo em qualquer relação humano afetiva,
Não importa os credos,
Não importa quais,
Seja em que área for,
Não importa qual,
Tanto político ideológico,
Gosto estético,
Crenças religiosas,
Paixão futebolística
E demais credos.
Não importa qual,
Porque se eu te respeito,
Não tem porque te fazer crer em minhas ilusões e viagens.
Eu te respeito,
Se eu te respeito não devo desejar te mudar.
Eu te respeito,
Se preciso, desejo e quero produzir alterações em ti,
É porque eu não te respeito.
Se eu te respeito,
A decisão sempre deverá ser tua.
Eu te respeito porque amo quem tu és.

sexta-feira, 1 de abril de 2016

Fazemos parte do mundo ocidental?




Setores da classe média tradicional brasileira gostam de se colocar, de se pabular, como pertencentes ao chamado mundo ocidental, o que em parte revela, o desejo de ocuparem os postos dos antigos colonizadores; e também, por outro lado, de acreditar numa fábula. E que mundo ocidental seria esse? Seria a parte mais rica da Europa Ocidental e os dois países brancos mais ao norte das Américas. O que essa gente mais rica de nossa sociedade acha ou sente, não é tão relevante nessa história, mais importante que tudo seria também considerar o outro lado da moeda. O que os habitantes das sociedades opulentas do chamado mundo ocidental ACHAM das gentes de nosso mundo periférico, sobretudo aquele que inclui o México e todas as outras sociedades latino americanas? Todos sabem como os setores mais privilegiados de nossa sociedade gostam de se pavonear, cultivar e macaquear o modus vivendi europeu em suas vidas cotidianas, o que só favorece o tipo de mentalidade de “se sentir europeu” ou “como se europeu fosse”. Daí fica tudo mais fácil, quase um pulo, para se considerar sendo parte daquele chamado mundo ocidental, àquele pertencimento forçado. Donde fica muito claro e transparente, as razões que os levam a cultivar tantos preconceitos contra os brasileiros mais pobres em geral, com quem não se identificam nem um pouco, já que se julgam mais europeus que brasileiros. O Brasil e sua gente mestiça é sempre desvalorizado e desqualificado por parte de uma pequena elite integrante de sua população, justamente por aquela parte da população nacional que se julga europeia e pertencente ao chamado mundo ocidental. Acontece que eles acham tudo isso, e não se preocupam nem um pouco com o que os outros, os europeus verdadeiros e também os norte-americanos ricos pensam a respeito da questão. E parece que não estamos nada bem na foto, a percepção deles a nosso respeito não é nada favorável. Para início de conversa, logo de cara, afirmam que não fazemos parte do chamado mundo ocidental, ao criminalizarem a miscigenação realizada nos trópicos, coisa só possível em sociedades fora do padrão europeu de sociabilidade, e baseadas também em outras crenças absurdas e nem um pouco científicas a respeito do fenômeno da miscigenação brasileira. Só por esse fato: ‘a miscigenação’, já seria mais do que suficiente para sermos expulsos do fechado clube. Miscigenação, principalmente aquela encontrada no Brasil, considerada por alguns europeus como uma bizarrice étnica. Muitos europeus ainda cultivam uma certa intolerância contra o diferente. E o Brasil é muito diferente de qualquer país europeu em vários aspectos. Sem fazer qualquer avaliação de que seja bom ou ruim. Além disso, existem outras razões para excluir o Brasil enquanto sociedade, do mundo ocidental, como é o caso da sua cultura política, a maneira como a política é feita, apesar da recente conquista democrática após os 21 anos de ditadura militar de direita, que gostamos tanto de propagandear mundo afora. Com a instabilidade política da crise atual, aquilo que se pensava ser uma democracia mais consolidada e sustentável, se revelou o contrário. Os usos e costumes dos politiqueiros brasileiros é narrado em forma de crônica pelos correspondentes internacionais aqui instalados, que os consideram folclóricos, ou seja, mais uma coisa bizarra bastante peculiar a um tipo de sociedade completamente fora do modo e padrão europeu de ser. Além de muitos outros traços peculiares de sociedades como a brasileira, ex-colonizada e impregnadas de costumes e valores considerados totalmente fora do padrão europeu. E o mais curioso dessa história toda, é o paradoxo revelado pelo fato de uma elite dirigente europeizada, que está no comando do país, mesmo não estando temporariamente no poder político de estado; essa elite europeizada dirige o país da forma a menos europeia possível, reforçando com isso a percepção negativa de país fora do padrão, sobretudo no aspecto do déficit democrático, com a desigualdade, por europeus de verdade. Por que será?

segunda-feira, 28 de março de 2016

A noite de autógrafo





Para quem não foi, eis uma chance de assistir a noite de autógrafo do livro "O quarto Poder" do jornalista Paulo Henrique Amorim, realizada em Nova Friburgo, em 17 de março de 2016. Um raro tipo de peça política, um evento político grandioso e completo, um verdadeiro espetáculo, e para concluir a definição, realizado num teatro. Apesar de todas dificuldades trazidas pela crise e engendradas por aqueles que buscam o CAOS através da política. Essa crise possibilita também a chance de assistir e ouvir coisas, como o recado político de PHA, e não apenas o dele, porque ouvimos também opiniões de outras cabeças, como é o caso de Guilherme Estrella, apresentado por PHA como o descobridor do pré-sal. Nem tudo deu certo ou funcionou a contento, como a espera na fila para entrar na sala da conferência, porque foi surpreendente a presença de tanta gente, quase mil pessoas no evento, a fila ficou enorme, muita gente não conseguiu entrar e teve que voltar da porta. Houve também um episódio lamentável, já esperava passar por isso, foi a presença de um bando de baderneiros, uns dez gatos pingados fantasiados de milícia fascista, gritando palavras de ordem e slogans da "direita golpista", com bandeiras do Brasil e cartazes contra o governo, insultando quem estava na fila, mas foram completamente ignorados. O evento também possibilitou a chance de ver e rever amigos, gente com quem hoje em dia se fala mais virtualmente ou por telefone do que ao vivo e a cores. Portanto ver e rever gente, gente que a gente gosta, que dá prazer encontrar, e trocar figurinhas, incluídas as figurinhas políticas, por que não? É muito bom. Foi ótimo, adorei e depois saímos para jantar. Realmente um evento raro em Nova Friburgo. Foi um momento bom, em meio a toda essa experiência vivencial da atual situação política do país, que muitas vezes gera angústias e separa amigos afins, amigos da vida toda, de anos, que só se afastam por radicalizar a busca pela hegemonia no discurso do contra, só por isso. Uma pena, lamentável.  Aliás considero uma tolice, engajar-se na tarefa de hegemonizar, enquanto cidadão individual, um determinado discurso político coletivo. Um discurso coletivo, um verdadeiro pacote pronto, com conteúdo determinado em forma de roteiro, com começo, meio e fim; recebido via internet ou através de outras mídias, dominantes ou não. Isso deveria ser tarefa do partido político, cada partido com seu credo político e a sua luta correspondente. Agora o cidadão individual não é obrigado a pensar da mesma forma que outro, qualquer outro, sob ameaça e a chantagem do rompimento de relações. Porque isso é coação, e coação não é verossímil com o regime democrático. Não é legítimo querer me convencer na pressão e no grito a respeito de qualquer coisa. Não é uma prática boa e saudável para a convivência. É uma tática fascista, e como tal precisa ser desmascarada e denunciada aos quatro cantos. Para concluir, aqueles que desejarem assistir aos outros dois vídeos de continuação do evento, estão disponibilizados no mesmo site deste.

sexta-feira, 25 de março de 2016

O nível do Congresso



Dilma Rousseff e os seus adversários do Congresso Nacional. Agora entendi porque eles têm tanta raiva dela. Se tornou consenso, que o atual congresso eleito nas eleições gerais de 2014, é o pior de todos os tempos. Nível intelectual e moral dos deputados o pior possível, é um tal de bancada disso e bancada daquilo, são aquelas gangues do agronegócio, ou bancada ruralista liderada no senado por Ronaldo Caiado. As vezes dá a impressão que os antigos lobistas do Congresso se tornaram todos congressistas. Se reinventaram? Ou continuam lobistas na pele de deputado? A célebre e famosa bancada BBB: boi, bíblia e bala. Além dos ruralistas do gado, tem a bancada evangélica do Marco Feliciano, lembram dele? E a bancada da bala, que em sua grande maioria são ex-policiais da força pública de SP, que se tornaram políticos, e o restante da bancada da bala, representam os interesses da indústria de armas. Durante a ditadura militar havia um ex-policial, que ficou célebre pela truculência, era a cara da direita, Deputado Federal por São Paulo ERASMO DIAS, que foi membro da repressão política no estado. Como é o caso agora do ex-comandante da ROTA Paulo Telhada(PSDB-SP), que é um radical de direita extremada, defende as ações da PM, contra qualquer acusação ou denúncia de abusos praticada por policiais. Coloca-se como se fosse advogado de defesa da PM-SP no Congresso, para quem bandido bom é bandido morto. Tudo dito abertamente e de forma escancarada. A primeira vez que assisti na TV Câmara, não acreditei no que estava ouvindo, fiquei chocado com a violência verbal, mas existem outros do mesmo nível ou pior. Só estão lá, infelizmente, postos pelo voto de milhares de eleitores brasileiros, que acharam por bem escolher homens desse naipe como seus representantes legais, sem falar na força da grana angariada junto ao setor econômico financeiro para as campanhas eleitorais, então os empresários financiadores têm também a sua parcela de responsabilidade. Conta-se nos bastidores vários motivos para o ódio dos políticos do PMDB contra Dilma. Todo mundo sabe que faz parte do DNA do PMDB, ser fisiológico e estar atrelado ao poder, embora o partido jamais tenha eleito um presidente, sempre esteve agarrado ao poder, aliando-se a presidentes de diferentes tendências e cor ideológica. A presidente depois de eleita em 2010 com o apoio deles, e sabendo dessa fama do partido, decidiu acabar com a chamada "porteira fechada", que era o mecanismo de ministros nomeados ter amplos poderes para nomear quem quisesse para todos os cargos da pasta. A partir de então, o partido indicava um nome para o ministério "X", mas seria uma espécie de rainha da Inglaterra, não teria poderes para muita coisa, todos os postos subordinados da pasta ficariam sob a responsabilidade da presidente. Tá bem, vocês me indicaram o nome de um safado, eu nomeio sem problemas, mas ele não vai mandar em tudo, será apenas mais um ministro, vai fazer as declarações protocolares necessárias em nome da pasta que representa, e falar com a imprensa quando preciso. Nada de excessivo protagonismo desnecessário, que só faz barulho midiático. Com isso o clima em Brasília começou a ficar ruim, Dilma era acusada de ser uma tecnocrata sem nenhuma habilidade política para lidar com os usos e costumes dos políticos. Pois muito bem, durante todo o primeiro mandato da presidente, ela praticamente governou com medidas provisórias, o Congresso era só delongas, e perdeu o bonde da história, produziu muito pouco do ponto de vista legislativo. O segundo mandato, estamos a assistir os passos, elegeram com o apoio da oposição para a presidência da Câmara o Deputado Eduardo Cunha, de ficha policial por demais conhecida. E desde os primeiros dias, os deputados liderados por Cunha, não fazem outra coisa que não seja: criar dificuldades, problemas, óbices, pautas bombas, ameaças, chantagem etc. Gente que se instalou no comando do aparelho político de Estado, do legislativo portanto, como se estivesse governando a máfia napolitana. É tudo o que a gente tem assistido do começo de 2015 até agora. Antes o país seguia o seu rumo através das medidas provisórias da presidente, e agora que o Congresso só pensa no Impeachment, semi paralisou o país e o foco principal, o objetivo maior é o caos. Salvo raríssimas exceções esses políticos não pensam nem um pouco no país, em lutar por um país melhor, não, nada disso, pensam só em suas carreiras individuais, nos votos a conquistar, em como fazer para angariar mais apoio político, financiamento, etc. Estamos a assistir como estão negociando as mudanças de partido, a "mobilidade partidária" novo eufemismo na praça dos três poderes, e as justificativas para tal. Para ajudar a governar são completamente inoperantes, agora para atrapalhar são muito eficazes, estamos assistindo tudo ao vivo e a cores. Como não faziam quase nada na outra legislatura, eram inoperantes, quase não serviam para nada. Agora, na nova legislatura, atacam a presidente o tempo todo por outras motivações, é verdade. Mas não custa nada, brincar um pouco e acreditar na charge ilustrativa do artigo, que diz: "Ou tiramos ela ou seremos extintos". Faz sentido.