Na forma de Crônicas e ensaios, abordo assuntos da Política e da Filosofia, e alguma invenção nos contos.
terça-feira, 16 de novembro de 2010
A direita não existe mais? Será?
É muito comum se ouvir por aí: "ah, essa coisa de esquerda e direita não existe mais!". E o que significa essa afirmativa pela negação, da existência em nossos dias da diferença entre esquerda e direita, e até mesmo sobre a inexistência de ambas? O que é que não existe mais? Será que o ideário conservador e intolerante, que caracteriza o pensamento de direita e é sua especificidade, que não se manifesta ou se materializa mais em nossos dias? Ora, pelo que me conste, nunca esteve tão presente como agora, as denúncias impressas na grande mídia, sobre diferentes tipo de intolerância, tanto racial como em relação a questão de gênero, orientação sexual e outros como a xenofobia. Os exemplos são os mais variados possíveis, é só lembrar a questão dos ciganos na França, a situação dos turcos na Alemanha, a questão da intolerância quanto ao uso do véu islâmico em diferentes países do bloco europeu, a proibição de construção de minaretes na Suíça, mesquita pode, mas sem minaretes, aquelas torrezinhas características, quase um ícone das mesquitas. Atravessa-se o Atlântico e nos States, o que encontramos? O 'Tea Party', grupo radical e fundamentalista da direita do Partido Republicano, com toda a sorte de prescrições e restrições, um verdadeiro rol ou lista de proibições, tipo isso pode, aquilo não pode. Uma miscelânea de liberalismo político, ou seja, redução do tamanho do Estado, o tal do Estado mínimo, com intolerância religiosa agravada pelo fundamentalismo cristão evangélico. Qualquer projeto de política pública, para atender os mais necessitados, que na Europa não seria mais do que mais uma medida de amparo social, coisa de social-democrata, do lado de cá do Atlântico é vista pelos 'NeoCons' como coisa de comunista. Além disso tudo, temos o conservadorismo religioso, que conduz a um fundamentalismo, tão ou mais radical, que a doutrina xiita iraniana. E aqui nos trópicos, acompanhamos como certas questões de cunho religioso, direitos civis de homossexuais e a questão do aborto, foram usadas durante a campanha política para presidente no ano de 2010 de forma sub-reptícia, invertendo a ordem natural das coisas, nos levando para trás em total retrocesso. Com o objetivo claro de jogar contra a candidata da situação, a oposição raivosa de setores tacanhos e atrasados da sociedade, que ainda são contra aquelas questões. Embora não tenha entrado em maiores detalhes, nos pormenores dessas manifestações de intolerância, tanto na Europa, como nos EUA, nem mesmo no Brasil, fico a pensar, no que há de comum entre as diferentes manifestações de intolerância, o que é precisamente específico e peculiar, para caracterizá-las como de direita. E mais do que de repente, acontece em São Paulo o episódio do espancamento de alguns indivíduos, absurdamente julgados pela aparência como gays, por bandos de delinquentes e desordeiros, alguns de classe média alta, como foi o episódio da Avenida Paulista no domingo passado. E também no Rio de Janeiro, o tiro tomado por um rapaz de dezenove anos, que passeava com amigos no parque do Arpoador, apenas porque se disse gay para uns soldados do exército em serviço. Soldados esses, segundo o jovem, que ofendiam outros rapazes que estavam no local em momento de lazer, exigindo documentos de forma intimidatória, etc, gerando total constrangimento para os visitantes do local. O caso do Rio é emblemático porque, o que está em jogo, é algo do tipo, vivo numa sociedade em que ser viado é uma coisa feia e obscena, portanto como você é viado, pois acho você parecido com um, então eu posso ofendê-lo, humilhá-lo, em seguida espancá-lo, massacrá-lo e finalmente destruí-lo. Se você quer viver aqui sem punições, trate de ficar, estar e permanecer invisível, caso contrário pagará um alto preço, talvez até mesmo com a própria e sem valor vida. O que é uma manifestação como essa? Coisa típica de filme sobre nazistas, a direita mais extremada possível, a intolerância levada as últimas consequências. A configuração de uma mentalidade, composta de algumas idéias, noções, preconceitos e crenças de intolerância contra determinados símbolos, e consequentemente contra indivíduos sob o manto de tais símbolos, a mover e mobilizar certos agentes públicos e atores sociais e levá-los a praticar atos anti-sociais, invadindo direitos e praticando crimes. Se manifestações como essas não se trata, ou se configura como gestos de direita, o que será então? Como classificá-lo? Como compreender tais fenômenos, sem chamá-los pelo nome, nem mostrar sua origem, digitais e raízes ideológicas?
quinta-feira, 4 de novembro de 2010
Sinais do ovo da serpente
A vida no período pós-eleitoral parecia que estava voltando aos poucos aos padrões de normalidade, que é a vida cotidiana sem os palanques eleitorais, desse ou daquele partido ou grupo político. Quando a blogosfera da internet foi inundada por e-mails apócrifos, a fazer todo tipo de terrorismo político, de cunho racista, pregando a morte aos nordestinos e outros quejandos. Sentia-se, pelo clima quente, que existiu durante a campanha, que os ânimos não se amainariam assim tão rapidamente. E não deu outra, a guerra ideológica continua, ou seja, a chamada luta de classes na teoria, para ser mais elegante. Porque, pelo visto, não teremos mais folga, é preciso tirar os tacapes teóricos da mochila, e se colocar em posição de combate, de forma quase que permanente daqui pra frente. Em face do desejo de registrar esse momento, e tratar do assunto em questão, fez-se necessário a reprodução aqui nesse espaço, de um post, que na verdade trata-se de uma troca de e-mails, como veremos a seguir:
Como vale a pena esperar um pouco a sua resposta, pois quando ela chega, é quase como um bálsamo, que em vez de atiçar os ânimos de nosso espírito animal, pelo contrário, nos deixa mais tranquilo e trabalha a nossa compreensão. Também gostaria muito, de poder, de vez em quando, trocar idéias com a sua esposa, que considero ter mais identidades do que diferenças, e ter diferenças com alguém, não impede o diálogo, pelo contrário. E por que é importante o diálogo por escrito? Porque estando à distância, temos muito mais tempo para elaborar o pensamento, coisa que ao vivo e a cores, no calor emocional do “tête à tête”, acaba se perdendo. Por outro lado é bom o contato físico e o encontro, pode-se e deve-se fazê-los sempre que possível. Vamos agregar, vamos incluir, trabalhar "o lidar" com o contraditório, por que não? Agora, uma coisa que não tenho a menor habilidade, nem sei como lidar, e foi uma coisa, que aflorou muito nessa última campanha política, despertada e incentivada pelos partidários do candidato Serra, é a manifestação de ÓDIO. Ódio contra nordestinos, ódio contra homossexuais e contra as mulheres na política, usado como artilharia política, como arma para desqualificar adversários. Uma coisa é o debate político e ideológico, onde se tenta através do diálogo e da argumentação, cada um dos lados tenta mostrar as razões, que os levaram a fazer essa ou aquela opção ou escolha. Inclusive essa foi a motivação principal, que me moveu, quando decidi abrir o blog, era criar um espaço para debater ideias.
Combater os equívocos cometidos por articulistas de mídia e alguns políticos, equívocos conceituais e outros, como por exemplo, a distorção de sentido com certos termos e vocábulos, para fazer barulho em face de certos interesses, de forma sub-reptícia. Só não tenho levado adiante esse objetivo com mais afinco por falta de interlocutores, pois sou um pouco movido à paixão, e como não tenho a sabedoria de um pensador independente, que fica a falar aos quatro ventos, quase como um arauto moralista e meio enlouquecido, não foi possível dar continuidade ao blog. Não devo ter competência nem habilidade para ficar pregando no deserto, pois preciso do outro, do interlocutor, para quase tudo na vida, e principalmente e sobretudo para escrever, preciso saber para quem estou dirigindo a palavra. Não tenho vocação para evangelista nem sou nietzschiano. Agora voltando à questão do ódio recente, que veio à tona, despertado da letargia e do silêncio da raiva individual e coletiva, porque hoje em dia coisas desse tipo acabam também desaguando em redes sociais. Ódio tal, que alguns carregam o tempo todo, mas que não tem como canalizar de forma eficiente. A gente sabe muito bem, que esse ódio está por aí, aguardando a melhor oportunidade. É aquela estória do ovo da serpente. Existe um exército de indivíduos frustrados e quase derrotados na vida, mas não apenas, que estão prontos para transferir a sua culpa de perdedores para alguém, ou para algum grupo específico da sociedade, que pode muito bem ser os gays, ou os nordestinos em São Paulo, que são tratados quase como bodes expiatórios. Você disse: “que chegou a me ver quase como um cabo eleitoral”. Comecei a receber de gente que não conhecia, e também não tenho habilidade nem conhecimento de internet suficiente para rastrear a origem, DEZENAS de e-mails cheios de ódios, é claro que o alvo maior era a candidata Dilma, mas nas entrelinhas revelava o espírito raivoso contra determinados grupos minoritários, ou nem tão minoritários assim, não importa, o ódio estava muito presente. Bem, diante de tudo isso, o que é que se pode fazer, como disse antes, não tenho preparo para lidar e combater o ódio, não sei se o ódio se combate com o ódio, como estabelecia a famosa lei do talião, do olho por olho, e dente por dente. Portanto, devido a todas essas circunstâncias conjunturais, fui forçado a tomar alguma atitude, e assim passei a repassar para aqueles idiotas nazi-fascistas odientos, todo o arsenal, que recebia com pensamento contrário. Houve momentos, que temi ter o computador infectado por algum vírus maldito de um hacker fascista. Eleições à parte, independente de quem vença as eleições, acho que nessas oportunidades, sempre se tem a chance de perceber em que mundo de valores se estar a viver, em que sociedade se está imerso, como somos, como pensamos, o que queremos para o mundo. Muita coisa vem à tona, aparece quase como bandeira, em geral de forma subconsciente, e dessa maneira muita coisa se revela. E aí, se nos consideramos um pouquinho conscientes, não podemos nos omitir. É necessário desmascarar certos comportamentos nocivos socialmente, que a gente sabe muito bem até onde pode levar, pois já assistimos esse filme antes, em outras latitudes, e até mesmo aqui pelos trópicos em décadas recentes. Porque o ovo da serpente está sempre sendo chocado em algum ninho à espera de momento oportuno, em que algum político, ou outro agente público, lhe ofereça o gancho adequado, o ponha em cena, o traga a tona, como vimos na última campanha eleitoral brasileira de 2010.
Como vale a pena esperar um pouco a sua resposta, pois quando ela chega, é quase como um bálsamo, que em vez de atiçar os ânimos de nosso espírito animal, pelo contrário, nos deixa mais tranquilo e trabalha a nossa compreensão. Também gostaria muito, de poder, de vez em quando, trocar idéias com a sua esposa, que considero ter mais identidades do que diferenças, e ter diferenças com alguém, não impede o diálogo, pelo contrário. E por que é importante o diálogo por escrito? Porque estando à distância, temos muito mais tempo para elaborar o pensamento, coisa que ao vivo e a cores, no calor emocional do “tête à tête”, acaba se perdendo. Por outro lado é bom o contato físico e o encontro, pode-se e deve-se fazê-los sempre que possível. Vamos agregar, vamos incluir, trabalhar "o lidar" com o contraditório, por que não? Agora, uma coisa que não tenho a menor habilidade, nem sei como lidar, e foi uma coisa, que aflorou muito nessa última campanha política, despertada e incentivada pelos partidários do candidato Serra, é a manifestação de ÓDIO. Ódio contra nordestinos, ódio contra homossexuais e contra as mulheres na política, usado como artilharia política, como arma para desqualificar adversários. Uma coisa é o debate político e ideológico, onde se tenta através do diálogo e da argumentação, cada um dos lados tenta mostrar as razões, que os levaram a fazer essa ou aquela opção ou escolha. Inclusive essa foi a motivação principal, que me moveu, quando decidi abrir o blog, era criar um espaço para debater ideias.
Combater os equívocos cometidos por articulistas de mídia e alguns políticos, equívocos conceituais e outros, como por exemplo, a distorção de sentido com certos termos e vocábulos, para fazer barulho em face de certos interesses, de forma sub-reptícia. Só não tenho levado adiante esse objetivo com mais afinco por falta de interlocutores, pois sou um pouco movido à paixão, e como não tenho a sabedoria de um pensador independente, que fica a falar aos quatro ventos, quase como um arauto moralista e meio enlouquecido, não foi possível dar continuidade ao blog. Não devo ter competência nem habilidade para ficar pregando no deserto, pois preciso do outro, do interlocutor, para quase tudo na vida, e principalmente e sobretudo para escrever, preciso saber para quem estou dirigindo a palavra. Não tenho vocação para evangelista nem sou nietzschiano. Agora voltando à questão do ódio recente, que veio à tona, despertado da letargia e do silêncio da raiva individual e coletiva, porque hoje em dia coisas desse tipo acabam também desaguando em redes sociais. Ódio tal, que alguns carregam o tempo todo, mas que não tem como canalizar de forma eficiente. A gente sabe muito bem, que esse ódio está por aí, aguardando a melhor oportunidade. É aquela estória do ovo da serpente. Existe um exército de indivíduos frustrados e quase derrotados na vida, mas não apenas, que estão prontos para transferir a sua culpa de perdedores para alguém, ou para algum grupo específico da sociedade, que pode muito bem ser os gays, ou os nordestinos em São Paulo, que são tratados quase como bodes expiatórios. Você disse: “que chegou a me ver quase como um cabo eleitoral”. Comecei a receber de gente que não conhecia, e também não tenho habilidade nem conhecimento de internet suficiente para rastrear a origem, DEZENAS de e-mails cheios de ódios, é claro que o alvo maior era a candidata Dilma, mas nas entrelinhas revelava o espírito raivoso contra determinados grupos minoritários, ou nem tão minoritários assim, não importa, o ódio estava muito presente. Bem, diante de tudo isso, o que é que se pode fazer, como disse antes, não tenho preparo para lidar e combater o ódio, não sei se o ódio se combate com o ódio, como estabelecia a famosa lei do talião, do olho por olho, e dente por dente. Portanto, devido a todas essas circunstâncias conjunturais, fui forçado a tomar alguma atitude, e assim passei a repassar para aqueles idiotas nazi-fascistas odientos, todo o arsenal, que recebia com pensamento contrário. Houve momentos, que temi ter o computador infectado por algum vírus maldito de um hacker fascista. Eleições à parte, independente de quem vença as eleições, acho que nessas oportunidades, sempre se tem a chance de perceber em que mundo de valores se estar a viver, em que sociedade se está imerso, como somos, como pensamos, o que queremos para o mundo. Muita coisa vem à tona, aparece quase como bandeira, em geral de forma subconsciente, e dessa maneira muita coisa se revela. E aí, se nos consideramos um pouquinho conscientes, não podemos nos omitir. É necessário desmascarar certos comportamentos nocivos socialmente, que a gente sabe muito bem até onde pode levar, pois já assistimos esse filme antes, em outras latitudes, e até mesmo aqui pelos trópicos em décadas recentes. Porque o ovo da serpente está sempre sendo chocado em algum ninho à espera de momento oportuno, em que algum político, ou outro agente público, lhe ofereça o gancho adequado, o ponha em cena, o traga a tona, como vimos na última campanha eleitoral brasileira de 2010.
domingo, 10 de outubro de 2010
A desqualificação do adversário como arma política
É curioso observar como a direita faz política no Brasil. Como uma parte da elite social, é obrigada a ter que participar da vida política nacional, para, pelo menos, poder assegurar e manter os seus inumeráveis privilégios. E como não pode, evidentemente, revelar, exteriorizar essas reais intenções para a sociedade, pois seria um suicídio eleitoral na certa. Essas elites, através dos seus representantes, legais e ilegais, composta por toda a sorte de ideólogos, conhecidos como formadores de opinião entre aspas, constituídos por jornalistas, cientistas sociais e outros. Devido àquelas reais intenções, que, como afirmei acima, se reveladas seria o suicídio eleitoral, fica meio numa sinuca de bico, sem ter o quê apresentar como conteúdo, que fosse ao menos, uma pálida aparência de um projeto político para o país, um arcabouço que fosse, de como resolver os enormes desafios e problemas brasileiros. Dessa forma, a ausência de um projeto macro político, traz para a campanha da direita uma enorme lacuna, difícil de lidar e difícil de resolver. E como a direita resolve esse dilema? Na verdade, não resolve, ela contorna o problema, ela o tangencia. E como isso é feito? Muito simples: disposta a fazer qualquer coisa, para assegurar, manter e ampliar os seus privilégios, a direita dirige todas as suas baterias, armas e ferramentas, em direção ao seu(s) adversário(s) de ocasião. A primeira arma e em algumas ocasiões, bastante eficaz, é a arma da desqualificação do adversário, que às vezes funciona muito bem, outras nem tanto, depende da conjuntura, e quando funciona costuma causar grande estrago ao oponente. É o caso, por exemplo, da questão do despreparo da candidata Dilma, e outros, são tantos na atual campanha de 2010. A questão do aborto é outro exemplo digno de ser citado, porque a direita plantou essa questão entre os evangélicos e, de certo modo, deu resultado, atingiu os objetivos desejados, já que levou a eleição para o segundo turno. É a tática de plantar um boato maldito contra um adversário, repeti-lo e reproduzi-lo à exaustão, e em seguida aguardar os resultados, esperar para ver, que bicho vai dar. É legítimo dar um nome a essa prática política, não é outra coisa que terrorismo político, ou seja, criar pânico e alarme entre a população, visando alcançar determinados objetivos. Sobre a questão do despreparo da candidata, algum cronista político comenta num artigo de jornal, revista ou entrevista na tevê, que a candidata "y" não é preparada. Em seguida, outro "formador de opinião", citando aquele cronista, repete o mesmo comentário, e assim por diante, a coisa vai fluindo, vai aumentando, adquirindo vida própria, vai atraindo outros atores sociais para aquela posição. E de repente, aquilo cola como etiqueta de preço em mercadoria de supermercado, passa a fazer parte da personagem, como um carimbo, um clichê, escuta-se o nome daquele personagem, e logo aparece na mente aquela ideia maldita. Bem, o estrago está feito, praticamente não tem mais jeito, porque é como se levasse o adversário às cordas do ringue, não tem outra opção, a não ser ficar na defensiva, o tempo todo, e aí, vem o desgaste devastador. Dizem que dessa influência maléfica, praticamente ninguém escapa ileso, nem mesmo aqueles, que se consideram mais conscientes. O que me faz voltar aos anos trinta da Alemanha nazista, acho que todo mundo alguma vez já deve ter se perguntado, como uma população tão educada e avançada, com elevado nível cultural, foi cair numa roubada ideológica daquela. Mas talvez seja mesmo verdade, que uma mentira bem contada, depois repetida muitas vezes, tem grande chance de tornar-se verdade, e em algumas ocasiões, em verdade quase absoluta. Como a direita não tem nenhum projeto para o país, apenas projeto de poder, pois, não suportam ficar longe dele por muito tempo. Então, só resta mesmo utilizar esses expedientes políticos da pior espécie, a mentirosa política do esgoto, como a desqualificação e a satanização do adversário por exemplo. Ainda resta alguma esperança, ou seja, preparar-se a contento, para o combate, para uma espécie de luta de classes na teoria, e desmascarar algumas armas da direita sempre que possível. Já que não dispomos das armas da crítica que, por princípio, não são convenientes, usemos da crítica das armas. É o que estou tentando, muito modestamente, fazer.
sábado, 9 de outubro de 2010
Sobre a alternância no poder político
Respondendo a um amigo:
Meu caro amigo João
Dizer que a alternância do poder político é boa e necessária, soa quase um truísmo, já que qualquer regime político, só é democrático, na medida em que SUPÕE a alternância. E exatamente é esse, o caso brasileiro, isto é, um regime democrático, pelo menos na esfera política, com eleições livres e diretas para cargos executivos, como a presidência da república, os governos estaduais e as prefeituras, a cada quatro anos, com a possibilidade de reeleição apenas uma vez. É bom lembrar, que no caso brasileiro, pelo menos no atual momento, o estatuto da alternância não está correndo o menor risco, já que estamos passando, por absoluta normalidade e legalidade democrática, com todas as regras do regime político em vigor, e monitoradas pelo TSE. É bom lembrar, que a questão da alternância como bandeira política, é mais pertinente, quando se está vivendo sob regimes ditatoriais. O que não é, repito, em absoluto, o caso do Brasil. Portanto defender a alternância de poder na atual conjuntura política, apenas por princípio, soa um tanto estranho, porque é como não se pudesse dar ao eleitor a chance de julgar determinado governo, a chance do eleitor poder aprovar ou não determinado governo. A vontade do eleitor nos regimes democráticos deveria ser soberana. Se for a alternância pela alternância, não deveria haver, por sua vez, nem mesmo reeleição, e quem sabe, quiçá, a própria eleição. Pois como o princípio maior, que rege um estado, por aquele ponto de vista, seria a alternância do poder, isto é, a alternância pela alternância. Não deve caber mais ao eleitor, de acordo com aquele princípio, repito, decidir sobre o destino do Estado "anymore". Pois, se porventura, déssemos essa chance ao eleitor, o sistema político correria o risco de, segundo a vontade livre e majoritária do eleitor, dar continuidade a algum projeto político de um determinado governante, ou grupo político, ou uma coligação de partidos, etc., COISA ESSA, que bagunçaria por completo o princípio da alternância pela alternância. Portanto, se é dado pela legislação em vigor, ao eleitor o poder, de pelo voto livre, demonstrar a sua vontade soberana, o resultado será sempre IMPREVISÍVEL, porque pode sair vitorioso, tanto a situação como a oposição. Não são favas contadas a alternância, compreende? Não é certo que B irá substituir a A. No caso brasileiro, poderia apresentar inúmeros exemplos, mas vamos ficar apenas com o caso do estado de São Paulo, onde o governo tucano já governa por lá há dezesseis anos consecutivos, e agora com a presente eleição de 2010, serão mais quatro anos, perfazendo um total de vinte anos de governo tucano, apenas num estado, e não se pode fazer nada para impedir isso, porque foi a vontade dos eleitores paulistas, e dessa maneira não foi possível haver nenhuma alternância. Por essa razão, veja como é complicada, essa coisa de defender determinado princípio ou tese em abstrato, sem nenhuma conexão com a conjuntura, o contexto e a realidade concreta. Voltando aos tucanos, nunca é demais lembrar, que o projeto de poder original, que os mesmos tinham para o país, também seria de no mínimo vinte anos no governo central, exatamente igual ao que eles estão ocupando na esfera estadual em São Paulo. Vinte anos de paulistério, porque o tucanato é e foi estruturado em Sampa, não é mais como na república velha, onde eles dividiam o poder com a república das Minas Gerais, a conhecida política do café com leite. Infelizmente para eles, os tucanos, alguma coisa não fluiu como esperado, alguma coisa deu errado com o governo de oito anos deles no plano federal, que fez com que o povo rejeitasse, apesar de todo o terrorismo político realizado durante a campanha política de 2002. Dizia-se até, caso Lula fosse eleito, que o Brasil viraria uma Argentina, que passava naquele momento por uma terrível crise econômica. Imperava e passava-se um clima de medo para a população, utilizando para esse objetivo, de atores e atrizes famosas, como foi o caso da atriz Regina Duarte dizendo num vídeo que tinha medo, lembra-se? HOJE, passados esses anos todos, podemos dizer com segurança, que o governo FHC, sucateou as universidades federais, arrochou os salários dos professores concursados, provocando um êxodo muito grande de docentes, terceirizou o ensino e outras funções e carreiras públicas, com enorme prejuízo na prestação dos serviços públicos à população carente, que é a que mais demanda e precisa dos serviços públicos. Tudo isso vinha no bojo do objetivo de reduzir o tamanho do estado, o chamado estado mínimo do neoliberalismo, que só podia se dá apenas na esfera econômica, porque a esfera política era um feudo, como acima visto, um projeto de vinte anos de poder. Fez-se a privatização de empresas públicas, usando o critério de aos amigos tudo, inclusive recursos do BNDES, aos inimigos nada, a ponto de numa conversa telefônica grampeada na época, o ministro Mendonça de Barros dizer, que era uma temeridade fazer a privatização daquela maneira. O outro objetivo com as privatizações seria reduzir o tamanho da dívida, e o resultado, pelo menos no que tange à dívida interna, multiplicaram-na por dez. Não havia quase crédito na praça, apenas os mais ricos podiam financiar a compra de imóveis e outros bens de consumo durável. A compra da casa própria para gente de baixo poder aquisitivo, não existia desde que faliram com o BNH. O salário mínimo, que era mínimo literalmente, não podia subir porque quebraria com previdência social e geraria inflação, esse era um mantra por demais repetido ad nauseum. O país não crescia, e a desigualdade, que com o Real, havia melhorado um pouco, quer dizer, feito umas cosquinhas de nada na miséria, depois se acomodou e acabou estagnando-se por completo. Conforme foi se aproximando o fim do governo FHC e, com as enormes transferências de recursos públicos para os mais ricos, com os dividendos pagos pelo aumento de juros, as privatizações pela via BNDES, que como sabemos, as transferências de recursos do BNDES foi às escâncaras, a DESIGUALDADE E A INJUSTIÇA SOCIAL só fez aumentar. Distribuiu recursos para determinados grupos econômicos e até mesmo indivíduos, poderem adquirir empresas e bancos estatais, sob critérios secretos e nada transparentes. Enfim, a lista de casos e exemplos é quase infinita, prefiro, portanto, parar por aqui e deixar ao seu critério particular, fazer o juízo que desejar.
Meu caro amigo João
Dizer que a alternância do poder político é boa e necessária, soa quase um truísmo, já que qualquer regime político, só é democrático, na medida em que SUPÕE a alternância. E exatamente é esse, o caso brasileiro, isto é, um regime democrático, pelo menos na esfera política, com eleições livres e diretas para cargos executivos, como a presidência da república, os governos estaduais e as prefeituras, a cada quatro anos, com a possibilidade de reeleição apenas uma vez. É bom lembrar, que no caso brasileiro, pelo menos no atual momento, o estatuto da alternância não está correndo o menor risco, já que estamos passando, por absoluta normalidade e legalidade democrática, com todas as regras do regime político em vigor, e monitoradas pelo TSE. É bom lembrar, que a questão da alternância como bandeira política, é mais pertinente, quando se está vivendo sob regimes ditatoriais. O que não é, repito, em absoluto, o caso do Brasil. Portanto defender a alternância de poder na atual conjuntura política, apenas por princípio, soa um tanto estranho, porque é como não se pudesse dar ao eleitor a chance de julgar determinado governo, a chance do eleitor poder aprovar ou não determinado governo. A vontade do eleitor nos regimes democráticos deveria ser soberana. Se for a alternância pela alternância, não deveria haver, por sua vez, nem mesmo reeleição, e quem sabe, quiçá, a própria eleição. Pois como o princípio maior, que rege um estado, por aquele ponto de vista, seria a alternância do poder, isto é, a alternância pela alternância. Não deve caber mais ao eleitor, de acordo com aquele princípio, repito, decidir sobre o destino do Estado "anymore". Pois, se porventura, déssemos essa chance ao eleitor, o sistema político correria o risco de, segundo a vontade livre e majoritária do eleitor, dar continuidade a algum projeto político de um determinado governante, ou grupo político, ou uma coligação de partidos, etc., COISA ESSA, que bagunçaria por completo o princípio da alternância pela alternância. Portanto, se é dado pela legislação em vigor, ao eleitor o poder, de pelo voto livre, demonstrar a sua vontade soberana, o resultado será sempre IMPREVISÍVEL, porque pode sair vitorioso, tanto a situação como a oposição. Não são favas contadas a alternância, compreende? Não é certo que B irá substituir a A. No caso brasileiro, poderia apresentar inúmeros exemplos, mas vamos ficar apenas com o caso do estado de São Paulo, onde o governo tucano já governa por lá há dezesseis anos consecutivos, e agora com a presente eleição de 2010, serão mais quatro anos, perfazendo um total de vinte anos de governo tucano, apenas num estado, e não se pode fazer nada para impedir isso, porque foi a vontade dos eleitores paulistas, e dessa maneira não foi possível haver nenhuma alternância. Por essa razão, veja como é complicada, essa coisa de defender determinado princípio ou tese em abstrato, sem nenhuma conexão com a conjuntura, o contexto e a realidade concreta. Voltando aos tucanos, nunca é demais lembrar, que o projeto de poder original, que os mesmos tinham para o país, também seria de no mínimo vinte anos no governo central, exatamente igual ao que eles estão ocupando na esfera estadual em São Paulo. Vinte anos de paulistério, porque o tucanato é e foi estruturado em Sampa, não é mais como na república velha, onde eles dividiam o poder com a república das Minas Gerais, a conhecida política do café com leite. Infelizmente para eles, os tucanos, alguma coisa não fluiu como esperado, alguma coisa deu errado com o governo de oito anos deles no plano federal, que fez com que o povo rejeitasse, apesar de todo o terrorismo político realizado durante a campanha política de 2002. Dizia-se até, caso Lula fosse eleito, que o Brasil viraria uma Argentina, que passava naquele momento por uma terrível crise econômica. Imperava e passava-se um clima de medo para a população, utilizando para esse objetivo, de atores e atrizes famosas, como foi o caso da atriz Regina Duarte dizendo num vídeo que tinha medo, lembra-se? HOJE, passados esses anos todos, podemos dizer com segurança, que o governo FHC, sucateou as universidades federais, arrochou os salários dos professores concursados, provocando um êxodo muito grande de docentes, terceirizou o ensino e outras funções e carreiras públicas, com enorme prejuízo na prestação dos serviços públicos à população carente, que é a que mais demanda e precisa dos serviços públicos. Tudo isso vinha no bojo do objetivo de reduzir o tamanho do estado, o chamado estado mínimo do neoliberalismo, que só podia se dá apenas na esfera econômica, porque a esfera política era um feudo, como acima visto, um projeto de vinte anos de poder. Fez-se a privatização de empresas públicas, usando o critério de aos amigos tudo, inclusive recursos do BNDES, aos inimigos nada, a ponto de numa conversa telefônica grampeada na época, o ministro Mendonça de Barros dizer, que era uma temeridade fazer a privatização daquela maneira. O outro objetivo com as privatizações seria reduzir o tamanho da dívida, e o resultado, pelo menos no que tange à dívida interna, multiplicaram-na por dez. Não havia quase crédito na praça, apenas os mais ricos podiam financiar a compra de imóveis e outros bens de consumo durável. A compra da casa própria para gente de baixo poder aquisitivo, não existia desde que faliram com o BNH. O salário mínimo, que era mínimo literalmente, não podia subir porque quebraria com previdência social e geraria inflação, esse era um mantra por demais repetido ad nauseum. O país não crescia, e a desigualdade, que com o Real, havia melhorado um pouco, quer dizer, feito umas cosquinhas de nada na miséria, depois se acomodou e acabou estagnando-se por completo. Conforme foi se aproximando o fim do governo FHC e, com as enormes transferências de recursos públicos para os mais ricos, com os dividendos pagos pelo aumento de juros, as privatizações pela via BNDES, que como sabemos, as transferências de recursos do BNDES foi às escâncaras, a DESIGUALDADE E A INJUSTIÇA SOCIAL só fez aumentar. Distribuiu recursos para determinados grupos econômicos e até mesmo indivíduos, poderem adquirir empresas e bancos estatais, sob critérios secretos e nada transparentes. Enfim, a lista de casos e exemplos é quase infinita, prefiro, portanto, parar por aqui e deixar ao seu critério particular, fazer o juízo que desejar.
segunda-feira, 4 de outubro de 2010
Sobre a demonização do ex-presidente Sarney
Reproduzo abaixo o conteúdo de e-mail enviado para um amigo, com algumas pequenas correções, que a pressa da forma e-mail nem sempre torna possível, dessa forma passo a postar como segue:
João, na verdade eu devia estar enviando esse para Marilu, embora você estivesse presente, quando ela mencionou esse assunto, e não tenha se manifestado. Mas como estivesse um tanto chapado, deixei passar ou/e não me lembrei do episódio recente, dessa demonização principalmente por parte da chamada grande mídia e de alguns senadores da oposição, que inclusive, alguns deles foram derrotados nessa eleição, e não voltam mais para o senado, pelo menos nessa legislatura, como foi o caso de Artur Virgílio (Amazonas), Tasso Jereissati (Ceará), e Marco Maciel. Nesse episódio particular, que foi a tentativa de derrubar o presidente do Senado, que era e ainda é, o ex-presidente Sarney, o que ficou evidente, é que caso fosse bem sucedida a campanha contra o Sarney no Senado, estaria criada uma grande dificuldade para o presidente Lula no Senado, este era o objetivo. Como foi o caso, uns anos antes, com o episódio da eleição para a presidência da Câmara, com a oposição elegendo alguém como Severino Cavalcante, em quem depositavam todas as fichas, que ele fosse comprometer o andamento dos projetos políticos do governo central, e quando ele frustrou esses interesses, começou toda perseguição. Eu não estou dizendo, que ele não tivesse culpa no cartório, uma vida ilibada, o ponto não esse, e quem deles tem? O ponto, que quero me referir, é que ele foi usado com determinados interesses políticos, e quando frustrou esses interesses, foi vitimado e finalmente sacrificado. No caso do Sarney, no período do governo FHC, ele foi um grande e leal aliado do governo tucano, nos dois mandatos de FHC, e nessa época ninguém mandou a sua mídia atacá-lo. Pelo que o sabemos sempre foi o mesmo, o de sempre, com as práticas políticas que bem conhecemos, portanto não foi ele quem mudou. Quem mudou foi a posição de poder dos tucanos e demos, que com a derrota nas urnas, viram-se de repente na oposição, precisaram fazer de tudo, qualquer coisa, o jogo mais sujo que houvesse, para desqualificar o adversário, para prejudicar o governo lula, e a sua aliança com PMDB, esse era o foco, o objetivo principal era atingir essa aliança com o PMDB, miná-la o quanto pudessem. E quase o conseguiram, porque você sabe que o PMDB não é unívoco ideologicamente falando, partes do PMDB apoiaram e apoiam até hoje os tucanos, como é o caso, por exemplo, de Pedro Simon e Germano Rigotto, ambos do RGS, o último foi candidato ao senado agora derrotado, idem para Jarbas Vasconcelos de Pernambuco, que disputou o governo do estado e perdeu feio para Eduardo Campos. Na verdade, na luta política nacional, algumas práticas políticas, usos e costumes de certa vertente política, são por demais conhecidas, já desde os anos cinquenta, com o chamado mar de lama jogado pela antiga (tão atual) UDN nos adversários. Getúlio e Juscelino foram vítimas desse tipo de luta política, Getúlio inclusive pagou com a própria vida. Quem não se lembra dos ataques enfurecidos de Carlos Lacerda, tanto escritos em sua Tribuna da Imprensa, como ao vivo na tribuna ou no rádio. Que redundou mais tarde no golpe de 1964. Portanto não se iluda que ninguém é santo nessa estória, prática política desabonadora, que uns faziam quando estavam no governo, agora na oposição passam a atacar aqueles que usam do mesmo expediente no poder de ocasião. Quem pode atirar a primeira pedra? Todos têm culpa nesse nosso grande cartório de origem lusa. Que só vai mudar aos poucos, sangrando aqui e acolá, se purificando aos poucos, com reformas urgentes e sérias, e isso infelizmente vai demorar um pouco, pois supõe um eleitorado com um nível político e educacional mais elevado. É preciso esperar, não tem jeito. Ou quem sabe procurar o caminho do aeroporto.
P.S. Alerto os leitores para não acessar nenhum dos links abaixo, pelos quais não tenho a menor responsabilidade, e desconheço como chegaram até o post.
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domingo, 28 de fevereiro de 2010
Novas Possibilidades
Depois de passar todo o mês de fevereiro, e também janeiro, arredio, longe do blog, distante desse espaço por “n” motivos, dentre os quais, o afastamento do grupo de estudo, provocado pela parada para as férias de verão, verão do hemisfério sul, parada que sempre fazemos nessa época. Além de outra interrupção menor, que acontece durante o mês de julho, no inverno, quando costuma fazer frio, aqui nessa cidade serrana de Nova Friburgo, estado do Rio de Janeiro. Creio, que já estava passando da hora de voltar ao blog. Voltar a usar esse espaço conquistado, e postar coisas, que embora continue envolto em um misterioso silêncio, devido à falta de comentários, pelo menos sirva para mostrar algumas sendas, sinais de outros caminhos e de novas possibilidades. Nesse nosso possível fazer, um fazer que não se restrinja apenas a uma prática, que é o fazer pelo simples ato de fazer alguma coisa, uma ação praticada quase no automático, mas a uma práxis, que é a atividade consciente por excelência. Pois bem, o que o título acima sugere, foi um vislumbre que me ocorreu durante um breve encontro com amigos jovens, num dos points jovens daqui da cidade. Quando fui apresentado por uma amiga muito querida, a um jovem professor de geografia muito interessante, que demonstrou sem pedantismo ter certo conhecimento de filosofia, imaginem que ele mesmo sem me conhecer, deu algumas sugestões e fez recomendações de como ler Hegel. Para não tirar um pingo da importância de suas palavras, eu não quis dizer que já fui professor de filosofia, nem que ajudei a organizar um grupo de estudos filosóficos desde 2001 aqui na cidade. Depois que o jovem professor de geografia afastou-se, para se juntar a outro grupo, fiquei pensando em quantos jovens iguais àquele deveriam existir por aí. Como deveria ser importante descobrir e identificar jovens de talentos, curiosos e inteligentes, e assim poder atraí-los para a filosofia, mas para uma filosofia crítica, não para o exibicionismo barato de quem se pavoneia com o saber, para tirar onda com os colegas, numa coisa tola de mostrar que sabe mais do que os outros, exibir-se gratuitamente por aí, que infelizmente ainda se observa em certos adultos idiotas e tolos, que se acham os tais. Vislumbrei na hora inclusive, como num sonho, passeando por ali em outra ocasião, e ouvir conversas jamais imaginadas antes, coisas inteligentes, de gente que amanhã, vai estar no comando de um país que caminha para ser muito mais rico. Daí a razão de colocar a questão: "em que medida uma cultura filosófica, bem estruturada e sistemática, pode ser um fator favorável, para certa juventude dessa cidade, juventude que faz o que qualquer outro jovem gosta de fazer, como por exemplo, sair à noite, para encontrar com os seus pares, trocar ideias, paquerar, se divertir, tomar alguma coisa, e porque não também questionar o mundo e a realidade, do ponto de vista e da perspectiva filosófica?" Poderia muito bem incluir o último item dentro do cardápio do programa, por que não? Não tenho a menor ideia do que e como fazer, para arregimentar esses jovens e agregá-los em grupo, e tocar esse movimento, sei que isso é quase uma utopia, mas tenho certeza que seria muito bom, ao passear por aí, poder ouvir gente jovem discutindo certas questões filosóficas de interesse, não apenas para exibirem-se, como mencionei acima, uma tolice, mas para tratar do mundo que o cerca, com mais profundidade e inteligência. Mais como preocupação de uma geração, que daqui a pouco, certamente, estará no comando de uma sociedade muito mais rica e poderosa do que é hoje, em outro patamar. Bem, que o país precisa desses jovens.
segunda-feira, 18 de janeiro de 2010
Sobre o artigo da Revista Valentina
Esqueci de postar um lembrete aos leitores, que tiveram dificuldades, e não conseguiram ler o artigo postado aqui abaixo, é só levar o cursor até a matéria postada, são duas páginas, clica na primeira página onde está a fotografia do grupo, que a página abre para um tamanho legível, e em seguida faça o mesmo procedimento na segunda página. Agora por favor, não basta apenas ler, deixem algum comentário, que não arranca pedaço de ninguém, digo isso principalmente para aqueles que são membros do grupo, em geral tão falantes, quando estamos em grupo, e agora digitalmente tão omissos. Desculpem-me a franqueza, mas sem a participação dos membros do grupo, fica mais difícil levar esse espaço adiante. Porque o debate de idéias é importante, é motivante, é estimulante, e uma coisa leva a outra, que leva a outra, e assim vai, aonde pode-se chegar é imprevisível, só depende de todos. Estou aguardando.
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