Não pretendo tomar mais café com açúcar. Se para tomar o cafezinho, que tanto aprecio, preciso adoçar com açúcar, é porque não aprecio o café e sim aquilo que o adoça. A ponto de alguns se perguntar, se não é o vício no açúcar, que os fazem tomarem tantos cafezinhos ao longo da jornada. Lembro de quando ainda trabalhava, a pausa para o cafezinho, era quase tão esperada quanto a sagrada sexta-feira. Não era tanto, talvez tenha exagerado na comparação, mas sem dúvida era mais pela chance de um “break” na labuta, no trabalho, uma interrupção benéfica, para a saúde mental. Muito bom mesmo, foi assim que muitos se iniciaram no hábito diário de consumir tantos cafezinhos, e assim também aconteceu comigo. Preciso do café para dirigir até Niterói, para me manter ligado ao volante, ter um pouco de agressividade nas ultrapassagens, o que requer também um pouco de coragem. É o meu combustível diário, me dá calor, energia e disposição para qualquer tarefa que tenha pela frente, não me vejo sem ele. Agora o açúcar é outra estória, não faz bem à saúde, vicia e é uma porcaria nutritiva. Portanto, é bom renunciar ao açúcar o quanto antes, não ao café, que evita o câncer na próstata e melhora a atenção e o humor, na dosagem certa e suficiente, claro. Tudo em excesso não é bom. Bom cafezinho para todos!
Na forma de Crônicas e ensaios, abordo assuntos da Política e da Filosofia, e alguma invenção nos contos.
sábado, 22 de fevereiro de 2020
quinta-feira, 26 de dezembro de 2019
Devo ser obsceno
Saber que obsceno, tinha na origem, como significado etimológico, “cães de mau augúrio”, me pegou completamente desprevenido. Acostumado que estou, com a afirmação de massa hoje em dia, que acredita que obsceno é fazer uma afronta deliberada ao pudor, (dar uma vontade danada de falar poder, mas deixa para lá). Encontrei também na pesquisa, que obsceno é o “que se compraz em ferir o pudor”. Quer dizer, estamos diante de um transgressor contumaz, quase um iconoclasta, o avesso do avesso, o contra a corrente, absolutamente contrário a mania de todo mundo reproduzir a mesma coisa sempre e ao mesmo tempo, contra o chamado comportamento de manada. Por outro lado, tem gente também, e agora estamos falando da grande maioria, que não quer mudar de jeito nenhum, que gosta de nadar de braçada no comportamento de massa, que não saberia fazer de outro jeito, e ficaria inseguro se o tentasse. Se sentiria uma ave raríssima, talvez não conseguisse ir muito adiante, não sobreviveria na pele de um personagem mais genuíno, único e verdadeiro. Então precisa permanecer por lá mesmo, no ambiente adequado de “todos iguaizinhos”, consumindo o mesmo tipo de produto de todo o mundo, replicando os mesmos jargões, repetindo os mesmos clichês, só dando valor àquilo que todos valorizam, acompanhando a manada teleguiada até mesmo nas eleições, etc. Então, por tudo isso, acho que sou obsceno. Primeiro porque, muito pouca gente, das que conheço ultimamente quer me dar papo ou ouvidos nos últimos tempos. Não demonstram ter o menor interesse em saber o que passa pela minha cabeça. Passam batido, não indagam nada, me evitam, como se estivessem tentando escapar de saber, ouvir ou escutar algo muito feio, uma coisa obscena, despudorada. Preferem nos obrigar a escutá-los, querem se fazer ouvir, querem alugar, com as suas estórias familiares, ou de amigos, que jamais conhecemos. Há algum tempo vinha me queixando das incompreensões das pessoas, dizia uma coisa e entendiam outra, interpretavam sempre com o sentido diferente, numa inversão total de significado, uma distorção da real intenção. É fato também, que a conjuntura política não é nada favorável, com a chegada da extrema direita ao governo central, trazendo um pacote/agenda autoritário, que flerta o tempo todo com ditaduras e com a tortura, propaga a violência física contra seus adversários políticos, e comemora abertamente a derrota ou prisão de algum deles. Enfim flerta com a morte, ostenta armas, impõe mentiras no lugar de verdades e dispara fake news. Diante de tudo isso, é até compreensível a incompreensão de tanta gente. Posso até fazer um esforço de compreensão, para os aceitar como estão. Nem só por isso escapo de ser obsceno! Devo ser obsceno mesmo! Eles não querem me ouvir, não têm o menor interesse no que tenha ou não a falar, contar ou escrever. Talvez porque não seja de bom tom?!
domingo, 22 de dezembro de 2019
O segundo comando
Quando se está fora do comando de si mesmo, não importa agora, a razão ou origem do problema. Antes de prosseguir, uma pausa, um pequeno parêntese, para um esclarecimento, esse não é o espaço adequado para o compromisso com a verdade científica, fruto da pesquisa e das teses acadêmicas. Muito pelo contrário, esse aqui é o campo das conjecturas, o livre campo do pensar com nossas intuições e imaginações. Dito isso, quando se abandona o comando do barco, existe um mecanismo para não ficar totalmente à deriva, que se poderia especular, e dizer, que seria o inconsciente, ou algo nebuloso, que prefiro chamar de segundo comando. É curioso, como não perdemos a consciência totalmente, pelo contrário, temos nítida ciência do que está se passando, só não podemos fazer nada, estamos sob outro comando. Nos piores momentos, nos momentos de uma crise mais aguda e profunda, que pode demorar a ocorrer, quando tudo se exacerba, e acaba-se por bandeirar o desequilíbrio eminente, o transtorno torna-se aparente. Mas se poderia dizer, esse fenômeno está presente na vida cotidiana o tempo todo, e se manifesta, na maioria das vezes, em pequenas coisas do dia a dia, de forma menos evidente. Por isso mesmo, passa de forma quase imperceptível, sem gerar um desconforto suficiente, que forçasse uma maior necessidade de racionalização. Como é o exemplo, no dia a dia, quando afirma-se coisas, que depois arrepender-se-á profundamente, “como pude dizer isso ou aquilo? ”. “Onde estava com a cabeça, quando tomei aquela decisão? ”. “Por que não respondi a agressão de fulano? ”. E por aí afora, tudo acontece em momentos de aparente normalidade psíquica. Claro que não é o tempo todo, as crises têm diferentes intensidades. As vezes o pânico é paralisante, que imobiliza e congela, deixa-nos sem reação, um desconforto real. Em outras ocasiões mais leves, deixa-nos com uma incontinência verbal incontrolável, com consequências, muitas vezes, devastadoras, que se pagará um preço, inevitavelmente depois. Encontro o Sr. Y na rua, paramos rapidamente para uma troca de meia dúzia de palavras, quando Sr. Y se afasta, lamento muito não ter aproveitado a oportunidade de ter-lhe dito poucas e boas, que considero seja merecedor. Ainda bem, que não disse nada, apenas pensei, e poderia ter dito isso ou aquilo, que perdi mais uma oportunidade, de ter brigado com ele. Esse EU que quis brigar com Sr. Y, é o segundo comando, é o EU despersonalizado. Não fui eu quem encontrou o Sr. Y, foi o segundo comando. Quando tudo isso se exacerba, vem a crise aguda, com a ideia de saída do corpo, conhecida também como desrealização, etc. Muito complicado tudo isso, porque ninguém percebe nada diferente ou estranho, não é um fenômeno aparente, visível, materializado, salvo nos extremos mais críticos das crises agudas. Aí sim, é assustador, é o pânico total, porque é difícil de camuflar ou esconder. O alentador hoje é saber, que não há risco real de loucura nesse tipo de transtorno, embora pareça e tenha algumas semelhanças, não é uma psicose. É tratável, e os terapeutas da análise cognitivo-comportamental estão aí mesmo para isso, dentre outras alternativas clínicas, incluindo medicação. Sobre isso, o sucesso do rivotril é mais do que eloquente.
sexta-feira, 29 de novembro de 2019
Brigas virtuais
É verdade, que embora estando a maior parte do tempo sozinhos, jamais tivemos a possibilidade de fazer conexão com tanta gente ao mesmo tempo, como nos dias que correm. O fenômeno de, com apenas um toque, ter a possibilidade de acessar tanta gente, amigos ou não, companheiros da escola secundária, vizinhos do prédio ao lado, gente do outro lado do atlântico, não importa se em algum país da Europa ou América do Norte, sem falar de gente de nosso imenso país. De ouvir platitudes do tipo: "de que jamais se teve acesso a tanta informação como agora", informação de todo o tipo e para gostos os mais variados. Acontece que em tempos de extrema direita chegando ao poder político aqui e ali, nem sempre a clareza e evidência das ideias e a procura da verdade, esteja ainda na ordem do dia. O irracionalismo, o obscurantismo, o contorcionismo verbal e escrito pululam o tempo todo, por todo canto, o iluminismo foi jogado para escanteio por essa direita, que gosta de falar em pós-verdade. As mentiras das notícias falsas, também chamadas: “fake news”, são disparadas por robôs midiáticos num frenético ritmo alucinante. Nossas preferências e gostos são aferidos por instrumentos logaritmos, que tentam nos manipular, baseados em qualquer visita aleatória feita numa página qualquer da internet. Diante disso, se tornou muito mais difícil, hoje em dia, a comunicação escrita, ou melhor, digitada. Nunca podemos avaliar como o nosso amigo virtual receberá a mensagem enviada, como a compreenderá. Será que fomos claros o suficiente? Será que perceberá a real intenção, quando teclamos e publicamos aquele texto, aquela mensagem? Uma situação de impasse, uma incógnita total, que jamais poderemos ter uma pálida ideia ou resposta. Diante disso, volta e meia encontro e vejo gente em apuros, perdendo amizades de longa data, apenas por ter dito ou escrito uma determinada palavra, que foi mal recebida pelo interlocutor. O que gera tensão e stress, porque atinge o campo dos afetos, isto é, não se sai ileso de uma discussão, que gera o rompimento de uma relação de amizade, mesmo que não se dê trela à treta, nem se responda à ofensa proferida pelo interlocutor. Tudo isso é muito complicado e cruel, porque esperava-se que com mais educação e informação, todos estivessem mais preparados para uma convivência mais civilizada, mas não é isso, que se assiste nos dias de hoje, infelizmente. O mais triste disso tudo, é que não se vê luz no final desse túnel, e os mais agourentos ainda estão a dizer, que em vez de luz, se aproxima um trem, que passará por cima de tudo e de todos. Que horror! Ainda bem que sou daqueles, que preferem esperar, contar e acreditar no poder das luzes da razão.
segunda-feira, 28 de outubro de 2019
A missão de certas palavras
Quando caiu o muro de Berlim em 1989, não estava mais no meio acadêmico, que havia deixado no mestrado de Filosofia do IFCS, no velho Largo de São Francisco carioca, dez anos antes. Mas ainda estava dando aula, na rede pública estadual. É claro, que naqueles redutos onde trabalhei, Vila Kosmos, Marechal Hermes e Praça da bandeira, com aquele alunado procedente, em sua maioria, de comunidades pobres do entorno, que trabalhavam em sua grande maioria, e à noite vinham em busca de concluir o segundo grau. Não poderia criar nenhuma expectativa da parte deles sobre as grandes questões da humanidade, mas a gente tentava, e pareciam gostar. Não preciso dizer, que não havia a menor condição daqueles alunos, vivendo nas condições econômicas e sociais, as mais adversas, pudessem ter algum interesse em algo ocorrido em outro planeta, sem nenhum exagero, era como encaravam o fim do socialismo na Alemanha Oriental, antiga DDR, o chamado socialismo real. Mesmo entre os professores, que alguns preferem chamar de “mestres”, pouco havia tempo e chance para um mínimo de convivência e um dedo de prosa. Era raro, fora da imprensa, ouvir grande coisa sobre a queda do socialismo real. No lado oposto, na imprensa diária, semanal ou mensal, era do que mais se falava, se comentava, se discutia enfim, era o assunto do momento. Uma coqueluche. Será que o capitalismo, afinal de contas, tinha vindo para ficar? Seria uma sina? Definitivo? Estaríamos condenados a viver para sempre sob esse insustentável regime excludente? Falava-se em “fim da história” abertamente, sem o menor pudor de estar pagando mico. O liberalismo econômico saiu dos livros, para se efetivar historicamente, pela primeira vez, nos governos Reagan e Thatcher no início dos anos 80. Depois da queda do muro, procurou se expandir para outros cantos do planeta, e esse foi o caso do Brasil, onde chegou com a eleição de Fernando Collor, na primeira eleição do país pós-ditadura, além da vitória de Carlos Menem na Argentina, que vimos, depois de uma década, entregue à bancarrota, completamente falida por esse modelo liberal de governar a economia. Ninguém usava ainda o termo “neoliberalismo”, termo que só começou ser ouvido no Rio no final dos noventa, já no segundo governo FHC. Conceito suspeito, que continua sendo trabalhado nos meios acadêmicos, pesquisado e estudado. Pelo pouco, que tenho lido a respeito, seria a combinação perversa da política de livre mercado, crença da escola de Chicago de Milton Friedman, com a redução do tamanho do Estado proposta pela escola austríaca. Estudada sobretudo agora, que o efeito da implantação da agenda liberal na economia, implantada há mais de trinta anos, começa a dar seus nefastos frutos e resultados, como estamos assistindo no Chile e algures. É bom lembrar, para concluir, que o conceito de “neoliberalismo” ainda é um conceito em construção, se fazendo enquanto é implantado, ainda tão nebuloso quanto o de “populismo”.
domingo, 27 de outubro de 2019
Será o fim do neoliberalismo?
Esse Paulo Guedes, que hoje vemos, como ministro da economia, que está dando as cartas no Brasil, pondo tudo à venda, num privatismo galopante e obsessivo, a acabar com a previdência pública, trabalhando para pôr um fim definitivo à universidade pública, entregando tudo enfim. Na teoria, é adepto da ideologia econômica denominada neoliberalismo, uma ala do campo ideológico do liberalismo econômico, que é extremamente radical, quando se trata da questão da abertura da economia, para o capital privado e/ou financeiro. A meta final, dessa gente, é retirar totalmente a presença do Estado da economia nacional, ou pelo menos, inviabilizá-lo, deixá-lo limitado a um papel profundamente irrelevante.
Voltando um pouco no tempo, há mais de trinta anos atrás, vamos encontrar esse mesmo personagem, isto é, o Paulo Guedes, implantando no Chile de Pinochet, em plena ditadura sanguinária pinochetista, essas mesmas medidas. Implantando a cartilha neoliberal, da escola de Chicago de Milton Friedman, como se estivessem usando a nação chilena de cobaia da vez, fazendo uma experiência "científica" (risos). Não vamos nos esquecer, que uma coisa é a razão da outra. Para a direita implantar essa nefasta agenda na economia chilena, precisaram de uma nefasta ditadura, e não foi uma ditadura qualquer. A ditadura de Pinochet teve paredão de fuzilamento em pleno estádio nacional do Chile em Santiago, muita gente morta ou desaparecida, e a presença ostensiva de dois grandes campos de concentração, como é dito no vídeo, um no escaldante deserto de Atacama, e outro nas congelantes geleiras andinas. E o resultado do trabalho sujo de Paulo Guedes prestado no Chile de Pinochet, estamos vendo agora, com as ruas chilenas novamente cheias, mais de um milhão de manifestantes em protesto, exatamente contra aquelas medidas. Ouve-se agora nas ruas chilenas e argentinas, palavras de ordem de todo o tipo, como por exemplo “neoliberalismo nunca mais! ” O que parece, e de fato, é fantástico! É preciso aguardar um pouco mais, para ver se toda essa revolta dos protestos, se capitalizarão em transformação de fato do país. E os interesses reais do povo local possam voltar a se refletir no poder político de ocasião.
Voltando um pouco no tempo, há mais de trinta anos atrás, vamos encontrar esse mesmo personagem, isto é, o Paulo Guedes, implantando no Chile de Pinochet, em plena ditadura sanguinária pinochetista, essas mesmas medidas. Implantando a cartilha neoliberal, da escola de Chicago de Milton Friedman, como se estivessem usando a nação chilena de cobaia da vez, fazendo uma experiência "científica" (risos). Não vamos nos esquecer, que uma coisa é a razão da outra. Para a direita implantar essa nefasta agenda na economia chilena, precisaram de uma nefasta ditadura, e não foi uma ditadura qualquer. A ditadura de Pinochet teve paredão de fuzilamento em pleno estádio nacional do Chile em Santiago, muita gente morta ou desaparecida, e a presença ostensiva de dois grandes campos de concentração, como é dito no vídeo, um no escaldante deserto de Atacama, e outro nas congelantes geleiras andinas. E o resultado do trabalho sujo de Paulo Guedes prestado no Chile de Pinochet, estamos vendo agora, com as ruas chilenas novamente cheias, mais de um milhão de manifestantes em protesto, exatamente contra aquelas medidas. Ouve-se agora nas ruas chilenas e argentinas, palavras de ordem de todo o tipo, como por exemplo “neoliberalismo nunca mais! ” O que parece, e de fato, é fantástico! É preciso aguardar um pouco mais, para ver se toda essa revolta dos protestos, se capitalizarão em transformação de fato do país. E os interesses reais do povo local possam voltar a se refletir no poder político de ocasião.
sábado, 26 de outubro de 2019
Não ter sido ofendido não significa que a ofensa não exista
Uma coisa, que tem me irritado ultimamente, é ver tanta gente funcionando, como se cada um, fosse o centro do universo, como se um indivíduo particular, ou seja, o indivíduo e seu próprio umbigo, o indivíduo e sua circunstância, fosse o centro e a medida de todas as coisas. Como se costuma ouvir por aí: "se algo não acontece consigo, se não lhe afeta, logo não existe”. O absurdo da situação é tamanho, que diante da informação da ONU, que mostra existir ainda um bilhão de pessoas a passar fome no planeta. Nosso pequeno egoísta argumentará que, como jamais passou fome na vida, a informação da ONU é falsa. Chega a ser ridículo, é verdade, mas não deixa de ter coerência com seu pensamento obtuso e individualista. É tal a quantidade de gente pensando dessa maneira, gente que acredita apenas na saída individual, que não gosta nem tolera palavras, como cooperativismo, solidariedade, companheirismo e espírito comunitário. Uma gente que espanta e choca, quem está mais ligado e atento às questões sociais. Tudo se reduz a: "cada um por si e deus contra todos". Uma espécie de bloco do eu sozinho, o próprio reino do individualismo. Mas nada disso é natural nem espontâneo, está conectado ao momento presente, ligado ao sistema econômico e político. É uma postura estimulada e incentivada pela financeirização da economia, uma manifestação do modelo de capitalismo ora praticado. Esse individualismo incentivado e estimulado, é mais um traço do chamado capitalismo neoliberal, uma ideologia que deseja transformar cada um de nós, numa espécie de mônada Leibniziana, uma criação exclusiva de consumidor contumaz acrítico, de empreendedor nato, uma espécie rara, que não deve favor nem satisfações a ninguém, aparentemente autossuficiente, embora não perceba, nem um pouco, o quanto é escravo desse sistema econômico, que o inventou e criou. O mais grave, é não perceber, que tudo isso, é mais uma mentira contada, e amplamente divulgada, que passou a acreditar como se verdade fosse. Portanto mais uma crença. A primeira coisa que observo nesse pessoal, é a perda da noção de totalidade, de todo, de conjunto, são particularistas, dispersos pelo mundo, condenados ao empreendedorismo individual radical, não acreditam em parcerias, em fazer junto, em conjunto, quem sabe tenham algo em comum com o fenômeno da uberização. Não conseguem nem desejam cultivar um espírito plural ou coletivo, a perspectiva do “nós” e dos outros, uma coisa quase inatingível para essa galera. É desolador ver tanto egoísmo e individualismo junto, um fenômeno que só aprofunda a insensibilidade social, quase ninguém se toca mais com mais nada. Nada os afeta ou os desestabiliza! Não se alteram com quase nada. São quase impassíveis! Tal qual um psicopata, ou se preferirem, sociopata, perderam completamente a empatia com o semelhante. Impossível se colocarem no lugar de outrem. Quando se fala de determinada situação, que afeta e atinge em cheio uma parte significativa da comunidade, dão de ombros e respondem, que não estão vendo, que não sentem, que não foram afetados ou atingidos. Se não os afeta, então aquilo não existe. Qualquer coisa, que se fale ou se mencione a respeito, de imediato precisam usar sua própria régua, para avaliar o panorama da situação, tudo é aferido, mensurado e considerado apenas do ponto de vista da sua régua individual e particular. Quando irão perceber, que agindo dessa forma, caminham aceleradamente na direção de um relativismo absoluto?
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