Por mais incrível, que ainda possa parecer, existe por aí um tipo de apoiador de Bolsonaro, anti-petista até a medula, que ainda acredita que a corrupção foi inventada pelo Partido dos Trabalhadores (PT), sobretudo pela sua ala lulista. Então para eles todo petista lulista, porque fazem questão de estabelecer essa distinção, pelo ódio que devotam ao Lula e a todo aquele que lhe é próximo ou simpatizante, tem má formação de caráter, pode cometer a qualquer momento algum delito, e que portanto, não são confiáveis. Tal foi a forma como esses apoiadores do Bozzo tiveram a cabeça feita pelos teóricos, ideólogos, articuladores e formadores de opinião da onda chamada de criminalização da política, onde todo político é ladrão, principalmente se for do PT. Um chavão similar àquele outro que diz: "bandido bom é bandido morto". Durante toda a campanha do golpe contra Dilma, e mesmo depois, durante o governo Temer, e até mesmo durante a última campanha política eleitoral, essa ladainha da demonização do PT e criminalização da política foi amplamente repetida e disseminada pelas redes sociais e grande mídia 'ad nauseum'. Além disso, alguns desses apoiadores do Coizo, não sentem o menor constrangimento de ainda ostentar nos para-brisas dos carros um adesivo pró-Bolsonaro, mesmo depois de quatro meses de seu líder estar a fazer um governo pífio, que afunda a cada dia, e afunda junto o país e seu povo, com o aumento exponencial do desemprego, o aumento no número dos moradores sem-teto, e outras mazelas mais. Os apoiadores do Bozzo são incapazes de qualquer autocrítica desse estapafúrdio apoio político para um líder incapaz, incompetente, que demonstra não ter a menor capacidade de estar à frente do governo de um país da dimensão do Brasil, e quem sabe nem mesmo do condomínio do prédio onde mora. Parece que nada disso importa para esse tipo de apoiador fanatizado, já que prefere tudo na vida menos o Lula, o PT ou qualquer projeto político do chamado campo popular. Consideram que tudo, que saia do campo político da direita brasileira, isto é, conservador nos costumes e liberal na economia, é comunismo. Nada para a gentalha, ou seja, nada para o povão, é o lema favorito deles. Costumam dizer, que já estavam fartos de ver tantos pobres nos aeroportos, a comer com a boca aberta e malvestidos. Portanto, em sua maioria, esses apoiadores fazem parte de uma galera de torcedores políticos, que não se movem para o centro político em nenhuma hipótese, estão com Bolsonaro e não abrem, e não adianta ninguém argumentar ou chamar para o debate de ideias, se recusam a ouvir. Não estão abertos para nenhum debate, diálogo, conversa ou colóquio. Quando pensei em falar algo sobre essa gente, fiquei matutando sobre como nomeá-los. Sei que poderia chama-los por vários nomes, como por exemplo, coxinhas, paneleiros, conservadores, reacionários, direitistas, ultradireitistas, sectário de direita, e até mesmo, fascistas, por que não? Quem sabe até chamá-los de nazistas. Nada disso surtiria o menor efeito, receberiam como xingamento, que na pior hipótese devolveriam em forma de insulto. Enfim, fazer o que?
Na forma de Crônicas e ensaios, abordo assuntos da Política e da Filosofia, e alguma invenção nos contos.
segunda-feira, 22 de abril de 2019
domingo, 31 de março de 2019
Memórias de tempos ditatoriais
Volta e meia me pegava perguntando, quando aquilo, aquele regime militar, aquele barulho de coturnos e botas , iria passar, iria acabar. Foram 21 anos, que parecia não terminar nunca. Foram 21 anos de escuridão, de trevas, de tempo ruim, de censura draconiana contra a imprensa e também contra toda a cultura nacional. Contra o cinema, lembro de quando finalmente consegui assistir Laranja Mecânica de Stanley Kubrick, depois de três anos de espera, com o filme aguardando liberação dos censores, para nossa surpresa, além de vários cortes em cenas importantes, o que deixava o filme sem sentido em certas horas, puseram também bolas/tarjas negras nos genitais dos atores, que apareciam nus em algumas cenas, o que tornava cômico o que não era para ser cômico. Sem falar em dezenas de outros filmes, que jamais conseguimos assistir. Como na época flertava um pouco com o teatro, procurava assistir quase tudo, não havia semana que não fosse ao teatro, e era duro, porque muitos diretores e dramaturgos, para fazer passar os seus textos pela censura, praticavam um verdadeiro malabarismo verbal, construindo metáforas sobre metáforas. O mesmo fenômeno também acontecia com os compositores da canção popular, a chamada MPB. Tínhamos de fazer um esforço extra, além da conta, de sempre buscar outros sentidos nas entrelinhas, no subtexto, no sentido do sentido. Quanto aos livros, era onde ficava a pior parte da estória, porque sabemos a importância da leitura, para qualquer jovem em formação, e não tinha escapatória, a censura era implacável. Livro com capa vermelha era recolhido assim que o livreiro o exibia nas vitrines das livrarias. Visando causar notícia e impacto midiático, os censores preferiam usar a estratégia de não visitar as editoras, a repressão da censura se dava na ponta, na distribuição, com isso causava um impacto maior, além do prejuízo financeiro no investimento. Se algum editor ousasse publicar um livro que tivesse no título a palavra “revolução”, iria se ver em maus lençóis. Não preciso dizer, que muita coisa boa e interessante deixou de ser publicada, e não me refiro apenas as obras de nítida conotação política. Só consegui finalmente ler textos marxistas em português depois do 25 de abril em Portugal, que com a revolução dos cravos, publicaram por lá muita coisa, e uma parte do material chegava aqui não sei como. O ambiente dentro das universidades era o pior possível, primeiro porque não era permitido nenhuma atividade extracurricular, como por exemplo: grupo de teatro universitário, fazer jornais ou revistas, e muito menos cineclube. Os centros acadêmicos tinham sido todos fechados, foram interditados pela ditadura, era terminantemente proibido fazer política universitária. Segundo porque o nível dos mestres, em geral, era muito baixo, já que os melhores professores tinham sido expulsos, banidos, presos, ou estavam no exílio, quando não desaparecidos e mortos. Nesse particular, o pior cenário se dava na área de humanidades, lembro quando estudava na UERJ, tomei conhecimento do caso de uma turma de Ciências Sociais da UFRJ, que de 30 alunos, só sobrou um, expulsos quase todos portanto, no auge do terror de Estado, logo após o AI-5 e do famigerado Decreto-Lei 477. Como o ensino ministrado era completamente insatisfatório, os alunos com condições um pouco melhor, procuravam pagar aulas extras particulares àqueles professores, que haviam sido expulsos, fora do ambiente acadêmico claro. Foi assim, que fiz algumas cadeiras de filosofia com o saudoso mestre Roland Corbisier nos anos de 1975 e 1976. Para concluir, é preciso falar um pouco sobre os alunos infiltrados, ou seja, os agentes do serviço de informação, em geral militares, que eram postos entre os estudantes, com a missão de os espionar, descobrir e denunciar, para os órgãos competentes, possíveis esquerdistas. Eu mesmo tive o desprazer de conviver em minha classe na graduação de filosofia, com a presença de um capitão do exército desde o segundo ano, que inclusive chegou a ser promovido a major durante o curso, e chegou a se graduar. Fato como esse, gerava um desagradável clima de desconfiança e paranoia entre o alunado, porque em geral os estudantes não tinham como saber, quem de fato era o espião infiltrado. Foi um horror o regime de terror!
domingo, 24 de fevereiro de 2019
Sobre o irracionalismo contemporâneo
Para quem se pega, diante da atual situação política, com todo o retrocesso não liberalizante, completamente atordoado com toda a onda da chamada pós-verdade, que na verdade é a institucionalização da mentira, com todas as ‘fake news’ e congêneres. Além do que, e mais grave ainda, se avista na linha do horizonte, e por todo o canto uma absurda onda irracionalista e anti-intelectual, onde se despreza completamente todos os caminhos, que poderiam levar a algum esclarecimento racional de algum fenômeno através da lógica e da razão, e ao contrário é apresentado infinitas distorções linguísticas e lógicas. E de forma clara, não mão grande, hoje já não se precisa mais utilizar-se do expediente do eufemismo e do sofisma, pratica-se o estelionato e o vilipêndio às claras e à luz do dia, com o apoio da grande imprensa, nada escandaliza mais essa gente. Diante de todo esse quadro tenebroso da realidade política, cultural e ideológica do país, quem se sente afetado e sofre mais com tudo isso, quase entrando em desespero se pergunta: "o que está a acontecer?", já que não é esse mais o mundo onde viveu até então, haverá alguma saída, uma alternativa? Ou então só resta mesmo o exílio? Para onde ir? Calma! Não se exaspere, apesar de cenário tão desastroso ser muito semelhante com a realidade de algum canto qualquer desse planeta maluco em pleno século XXI, na verdade tudo isso se deu durante e após a crise de 1929, como aponta o excelente artigo do escritor alemão Robert Kurz, e se manifestou em lugares como Berlim, Nova York e até em Moscou. Faz parte de um determinado sistema econômico, que se torna extremamente irracionalista, em momentos de crise, mas não apenas nas crises, que o próprio sistema produz. Como apontado por Robert Kurz, revela que aconteceu até mesmo durante o estalinismo, porque Stalin jamais abandonou o Capital, e implantou o fordismo em suas linhas de produção, em busca de um exagerado aumento da produção, numa economia ainda muito atrasada na ocasião em relação aos países de ponta da Europa ocidental e os EUA. Sempre existe a possibilidade de reversão, apesar do enorme quadro sombrio, que paira acima de nossas cabeças. Confiram aqui.
sábado, 26 de janeiro de 2019
Ainda resta muito intolerância sexista na esquerda
O presente episódio do exílio voluntário de Jean Wyllys, ensejou uma série de comentários, críticas e análises da parte de muita gente, sobretudo de diferentes setores da esquerda, com veementes apoios e também muitas discordâncias contra a atitude tomada pelo deputado federal eleito pelo Psol do Rio. Não vou entrar no mérito de nenhuma dessas críticas, apenas quero pontuar um aspecto, que geralmente passa batido, quando a luta de narrativa entre a esquerda e a direita está pegando fogo como agora. Considero existir ainda um ranço heterossexista muito forte e, não diria homofóbico, mas pelo menos anti-gay, no universo da militância de esquerda, claro que não se compara ao universo da direita, porque a direita é grotesca, troglodita, ela quer eliminar, matar, exterminar a população Lgbt. A intolerância na esquerda é mais sutil, mais civilizada, é menos selvagem, mas mesmo assim ainda existe a presença de grande intolerância no seio dela, e que se manifesta de várias maneiras. Antes de entrar propriamente nessa questão, é preciso considerar, não para justificar, porque nessa altura do campeonato quem ainda se comporta como tal, já deveria ter se tocado, o século 21 já caminhando para a sua terceira década, e gente que se considera avançado, revolucionário em muitas questões, não tomou consciência de seus atos. Claro, que quando se conversa com alguns, na teoria concordam com tudo, que é preciso mais direitos para a população LGBT, etc., mas no dia a dia, quando precisam responder na prática, não procedem da mesma forma com o que costumam dizer nos bastidores e nos corredores. E como se manifesta essa intolerância, na forma como evitam conviver com os amigos assumidamente gay no dia a dia, presencialmente. Fora disso, até mantém a relação boa virtualmente, com uma ou outra curtida de vez em quando, em algo compartilhado, que concordam. São cordiais quando encontram o amigo gay, mas jamais o convidam para jantar em suas casas, há uma reserva e uma distância, talvez a presença do amigo gay não seja uma coisa boa, para a visão dos filhos adolescentes, que estão crescendo. Claro, que estou me referindo a uma camada de esquerda classe média, ou seja, a pequena burguesia na linguagem marxista. Conheço alguns que são frontalmente contra levantar a discussão pela questão identitária e de gênero, luta nem pensar, segundo eles existem questões mais prioritárias na luta política e social. Sei que refletem em parte, e não poderia ser diferente, a sociedade em que vivem, mas poderiam fazer um esforço maior, se desejam realmente ampliar a própria consciência, em busca de combater os preconceitos e toda essa intolerância, que alguns ainda cultivam de forma clara, aparentemente inconsciente. É lamentável, mas sei que muitos deles ainda permanecem extremamente caretas, não foram capazes de acompanhar o avanço do mundo e se esclarecerem um pouco mais, são gente da ordem e acostumados a viver dentro de determinado padrão socialmente mais aceitável, transgressão apenas na teoria. O que acaba se refletindo na visível insensibilidade deles em relação ao grau de vulnerabilidade daquela população, de todos os riscos que correm, na ausência de garantias mínimas para a sobrevivência com mais dignidade. Tudo isso me lembra agora uma pergunta do médico paulista Drauzio Varella, feita há algum tempo atrás, que indagava: "faz diferença para você se o seu vizinho dorme com outro homem?" Se faz é bom se ligar.
quarta-feira, 21 de novembro de 2018
O nosso oriente
Considero bem curioso, volta e meia, ver brasileiros de certa classe média, se manifestando por aí, como sendo pertencentes ao chamado "mundo ocidental". Na verdade, muitos não se manifestam apenas, mas se jactam de fazerem parte do “mundinho” ocidental. Aonde cabe a pergunta, quantos brasileiros podem, na verdade, ostentar tal pertencimento? Alguns se olham no espelho e se acham parecidos com europeus, por isso ou por aquilo, até mesmo por ter laços sanguíneos através da descendência com imigrantes pobres, que aportaram por aqui em alguma ocasião, fugindo da fome ou de algum tipo de perseguição em épocas de guerra nos países de origem. Se formos botar no papel mesmo, muito poucos brasileiros conseguem levar a vida, materialmente falando, em condições de poder se ombrear com a vida levada por outros povos nos países mais ricos do chamado ocidente do mundo. Na verdade nunca deixamos de ser uma semi-colônia na periferia do sul do mundo, onde ainda uma minoria cooptada e vendida, que não se identifica jamais com o próprio país, nem com a sua população de modo geral, nem com a sua cultura, que se colocou no lugar dos antigos senhores e colonizadores do século XIX, como seus legítimos herdeiros ou substitutos. É claro, que é exatamente essa mesma gente, ainda uma parcela muito pequena da população, embora muito influente do ponto de vista ideológico, que se mete a se jactar que são europeus, ou que fazem parte do chamado mundo ocidental. Num país com mais da metade da sua população composta por afro-descendentes, descendentes dos antigos escravos, que continuam a viver ainda em absoluta precariedade, muitas vezes em condições subumanas, na informalidade empregatícia, na precariedade de suas moradias sem saneamento básico, na falta de qualidade da educação oferecida aos filhos, enfim em condições de vida, as piores possíveis e anos luz de distância da vida levada pelos habitantes do chamado mundo desenvolvido e ocidental. Portanto chega a ser bizarro, absurdo e completamente disparatado qualquer brasileiro, diante das condições de vida de todo o povo, diante de tanta desigualdade, AINDA ter a coragem de se jactar publicamente de pertencer ao mundo ocidental. Que mundo ocidental é esse cara pálida? É muito curioso, onde cabe a pergunta do porquê de tudo isso. Por que será? Será alienação? Será o quê? Ora, francamente!
quinta-feira, 1 de novembro de 2018
Um anticomunismo conveniente
Em tempos de radicalismo de extrema direita, quando o poder econômico dá um golpe no estado de direito, dentro de uma lógica do vale tudo, da lei do mais forte, levando o estado para um Estado de exceção, mudando as regras do jogo com o jogo em andamento. Utilizando-se para isso, das piores formas de fazer política, práticas que beiram a política do esgoto. E onde agentes públicos, como ministros do STF e outros, cuja atribuição primordial deveria ser zelar pelo cumprimento dos preceitos da carta magna, isto é, da Constituição Federal, que ao contrário passam a fazer puxadinhos para burlá-la. Não se respeita mais a presunção da inocência, e de outros dispositivos constitucionais. Permite-se que governos legítimos sejam derrubados sem crime de responsabilidade apresentado. Que possam aflorar aventureiros de todo tipo achando, que podem fazer qualquer coisa, pois agora tudo pode, até mesmo a volta dos militares ao poder. Num clima como esse, volta o fantasma do anticomunismo a galope, só que como não existe mais em parte alguma do planeta algum regime, que se diga comunista, parece até absurdo que exista alguém propenso a acreditar em tamanha fábula. Ledo engano, porque os marqueteiros do desengano, utilizam-se de qualquer falso argumento, para atingir seus objetivos políticos sujos. E o anticomunismo caiu como uma luva nesses aproveitadores picaretas. Não no campo da teoria, não tenho visto até aqui ninguém contestar os princípios básicos da teoria marxista, talvez os anticomunistas que se apresentaram até agora, não tenham preparo nem competência para tanto. A coisa toda tem se apresentado mais no campo cultural e dos costumes, e até alguns ataques à pedagogia de Paulo freire e ao seu método. Grande Paulo Freire, grande mestre e professor, já falecido, mas com grandes e inestimáveis serviços prestados à humanidade, pois como precisou partir para o exílio em virtude da perseguição da ditadura militar brasileira de 64, foi obrigado, a trabalhar mais no estrangeiro do que em seu próprio país, mas depois da anistia de 1979, voltou a prestar valiosos serviços também por aqui, inclusive na prefeitura de São Paulo durante a gestão de Luiza Erundina. E esses ataques tem partido mais de parte de certos pastores evangélicos neopentecostais, que pedem o fim do método Paulo Freire nas escolas, assim como pedem também a volta do ensino de moral e cívica da época da ditadura. E porque eles não querem o método Paulo Freire, porque o método Paulo Freire ensina a pensar, a refletir, jamais aceitar passivamente um conteúdo alienígena, um conteúdo decoreba e ponto final. O aluno no método do professor pernambucano não se contenta em memorizar um conteúdo, para repetir na prova como um robô. O aluno é ativo também no processo de aprendizagem, é um aluno que questiona tudo aquilo que é objeto de aprendizagem. Como aqueles pastores são responsáveis hoje em dia pelo maior curral eleitoral dos tempos modernos no Brasil, é claro que gente passiva, gente que não pensa nem questiona, é tudo o que eles mais precisam em seus templos suntuosos, verdadeiras megaigrejas, onde fazem todo tipo de proselitismo, da teologia da prosperidade e principalmente o proselitismo político, para eleger gente do tipo Bolsonaro, Magno Malta e outros do gênero, formando uma grande bancada na Câmara dos deputados em Brasília, a chamada bancada da bíblia. É uma grande lavagem cerebral o que aqueles pastores realizam em seus cultos diariamente com os seus fiéis, daí a metáfora do rebanho ser perfeita para eles, a manada e os seus pastores picaretas e aproveitadores inescrupulosos. Logo, anátema para Paulo Freire, e nem poderia ser diferente.
segunda-feira, 10 de setembro de 2018
Os militares e a corrupção
Com as eleições se aproximando, e ao utilizar uma estratégia de aumentar os votos nos candidatos da direita fascista, tenho recebido uma série de mensagens e vídeos falando na honestidade dos militares e na corrupção do PT. Em primeiro lugar para atingir determinados objetivos usam de subterfúgios, mentiras, armadilhas e bombas semióticas, tipo facadas, achando, possivelmente, que só dessa forma podem aumentar o apoio, que precisam para permanecer no poder. JAMAIS usam o convencimento do eleitor, e sempre a burla, o choque, o espanto, o susto e o medo, como arma política, isso é o fascismo, é assim que atua e age na cena política, ou através da violência física, como os tiros contra a caravana Lula no sul, em acampamentos de sem terra e sem teto, ou quando incendeiam moradores de ruas covardemente nas madrugadas. Ninguém é mais corrupta do que a direita política, mas é sempre os mesmos, que levantam a bandeira da corrupção, como arma política, contra os adversários do campo popular ou esquerda. Foi assim contra Getúlio Vargas em 1954, contra Jango dez anos depois e agora recentemente contra os governos do PT, desde o episódio do mensalão, e os acusadores sempre encarnados por notórios corruptos, como Roberto Jefferson por exemplo. Quanto ao militares, todo mundo sabe que os departamentos de intendência das corporações militares sempre foram antros de corrupção, de superfaturamentos, de vez em quando estoura um escândalo aqui ou ali, isso quando existe o mínimo de normalidade democrática e certa liberdade de imprensa. Quando os militares chegaram ao governo com a ditadura em 64, que cerceou a livre circulação de informação, só se divulgava o que era consentido, devido à censura prévia, jamais era permitido nenhuma divulgação de casos de corrupção nas forças armadas. Acontece que muitos oficiais ao irem para a reserva remunerada, com os militares no governo central, muitos ocuparam altos cargos na burocracia de estatais e da administração direta. E então foi uma festa, rolou muita corrupção, gente que ia fazer tratamento dentário na Califórnia bancado pelo dinheiro público. Gente, filhotes da ditadura, filhos de amantes de generais, que entravam pela janela, em cargos públicos, com altos salários, sem a expertise exigida para o cargo. Era uma farra geral, que evidentemente aproveitava-se do silêncio da mídia, para os casos mais escabrosos de abusos contra a administração pública. Com a ditadura se tornando mais débil, nos últimos anos começaram a pipocar aqui e ali algumas notícias a respeito daqueles abusos, como foi o caso da empresa de navegação Lloyd Brasileiro, que os militares, por má gestão e falcatruas, levaram à falência, e em seguida o caso Sunamam (Superintendência nacional de marinha mercante), quem não se lembra? Portanto, contar mentiras a respeito do período do governo militar, como dizer que não havia corrupção, depois de tanto tempo passado, quando a maioria da população nem se lembra mais ou não era nascida, é no mínimo uma desonestidade intelectual.
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