sexta-feira, 20 de abril de 2018

Tudo se repete como farsa

Essa história da burguesia nacional se exibir como democrata, é tudo fachada, mentira, a mais pura falsidade. Na verdade a burguesia brasileira é ainda muito saudosa dos tempos da casa grande e do escravismo, de democratas eles não têm nada. Aliás, para ser um pouco justo, e considerando a conjuntura internacional, poderia ser dito, que essa situação não é privilégio apenas da burguesia nacional, como se está assistindo hoje o retrocesso da democracia no território europeu, com o crescimento de vários partidos de estrema direita. Voltando ao nosso país, se poderia dizer sem medo de errar, que a burguesia nacional é composta por uma gente chinfrim, mesquinha, egoísta, que só pensa em seu próprio bem-estar e privilégios, e também profundamente preconceituosa contra os mais pobres, na verdade eles odeiam os pobres, como odiavam os escravos. Como são muito influentes socialmente falando, acabam por transferir esses valores mais mesquinhos para as camadas médias, ou pequena burguesia como preferia Marx, que se espelham e desejam ser como os mais altos na hierarquia social. Salvo raras exceções a pequena burguesia não se identifica com os do andar de baixo. Quando os tempos da economia são de bonança, aquela pequena elite influente politicamente, até tolera um pouco de transferência de renda, como foi o caso nos dois governos Lula, mas não pode ser muita coisa, só algumas migalhas, a maior parte do bolo, terá que ser para a classe dominante.
Lembro bem durante a ditadura militar de EXTREMA-DIREITA, quando o principal ministro da economia, Delfim Netto dizia e a mídia repetia exaustivamente, que era preciso esperar primeiro o bolo crescer, para depois distribuir, pois bem, na época o bolo crescia, foi a chamada época do milagre econômico, quando teve ano que o PIB chegou a crescer 11% , e nem assim distribuíram nada, era só promessa, só aumentou a precariedade dos mais pobres e o consequente aumento da favelização, da pobreza, do número de ambulantes nas ruas, arrocho do salário mínimo, etc. Portanto essa burguesia tacanha não tem o menor pudor de recorrer ao autoritarismo, isto é, jogar na lata de lixo da história, o tempo que for necessário, os valores democráticos, para a sociedade como um todo, PARA PRESERVAR OS SEUS INTERESSES E PRIVILÉGIOS. Tal como estão a fazer agora, forçando a barra e jogando os seus cães de guarda superiores, os generais do exército, a fazer ameaças contra a normalidade democrática, levando-os a cometer crimes contra a Constituição, ao fazer determinadas ameaças, antes de votações importantes serem realizadas pela suprema corte do país. É um descalabro total, se tivéssemos um governo sério e forte, o general, que procedesse dessa forma, seria preso de imediato, porque isso é crime segundo a Constituição Federal, mas a imprensa golpista e financiada pelos poderosos, ainda reforça esse tipo de crime ao dar voz e destaque no horário nobre, como foi feito por William Bonner no jornal nacional. Só mesmo com a mobilização popular em massa, esse tipo de gente retornará aos seus porões, só com muita gente mobilizada nas ruas, retornarão ao lugar que lhes cabe nesse latifúndio, porque são minoria, a classe média mais reacionária é numericamente ainda muito pequena, os ricos nem se fala, jamais vão às ruas, portanto é preciso muita mobilização, só com mobilização mesmo é que vamos empurrar esses fascistas para a insignificância deles, para a qualidade principal deles que é a ESTUPIDEZ. A única força que possuem é o autoritarismo das forças armadas e o arbítrio de setores reacionários do judiciário.

segunda-feira, 16 de abril de 2018

Não esquecer para não desejar jamais a sua volta


O regime militar e o caso Para-Sar

Quem hoje tem menos de cinquenta anos, não tem a menor ideia do que foi o regime militar, que governou o brasil de 1964 a 1985. Um regime político forte com muita repressão política e policial, onde não havia liberdades democráticas, apesar da aparente normalidade democrática através do funcionamento de um Congresso Nacional completamente manietado e sob a ameaça constante de cassação do mandato de seus membros, pelos dispositivos autoritários do regime em vigor, como o AI-5 e outros instrumentos repressivos. Quer dizer, era uma ditadura com tudo que tinha direito, para ninguém botar defeito, um verdadeiro estado policial. Logo no início do golpe, esqueceram por completo a Constituição de 1946, e em seu lugar criaram os diferentes Atos Institucionais, AI-1, AI-2, etc., até o AI-5 em dezembro de 1968, quando o regime endureceu de vez, tornando-se um autêntico estado de exceção. Além disso, cassaram os registros de todos os partidos políticos existentes, e no lugar só permitiram a existência de apenas dois partidos políticos, criados artificialmente, um de oposição, o MDB, e outro chapa branca ou oficial, de apoio total ao regime, de nome ARENA. Todos os órgãos representativos de classe e os sindicatos foram postos na ilegalidade, e seus principais líderes perseguidos, presos ou mortos em confronto com a polícia. A sede da UNE na praia do Flamengo/Rio foi atacada e incendiada, e depois o prédio, mesmo chamuscado pelo fogo do ataque, serviu de sede da Escola de Teatro de uma universidade carioca. Os estudantes não podiam mais fazer política em hipótese alguma, havia um decreto-lei contra isso, o famigerado 477, que todo estudante sabia o número de cor, e era um terror, muita gente foi expulsa e presa por causa dele. Havia a figura do estudante profissional, ou seja, em geral um militar de patente superior, tenente, capitão ou major, que era infiltrado em salas de aula, nas turmas de cursos universitários, principalmente nas unidades da área de humanidades. Postos ali especialmente, para vigiar e dedurar os professores e alunos mais engajados politicamente, que porventura se pronunciassem durante as aulas, questionassem e criticassem o governo militar, esses sempre ficavam na alça de mira dos infiltrados. Não preciso dizer, que essa situação, provocava muita insegurança, instabilidade e pânico entre alguns alunos, e também muita paranoia. Era proibida qualquer atividade extra curricular dentro dos muros das faculdades ou escolas, dessa forma, estavam proibidos: grêmios acadêmicos, jornais, cineclubes, grupos de teatro, etc. Costumava-se dizer, que três estudantes juntos no pátio interno, era considerado multidão, era suspeito, não podia, o que gerava um clima muito negativo. Com o passar dos anos as coisas foram mudando aos poucos, mas só durante o governo Geisel, é que começou a mudar lentamente, era chamada de distensão lenta e gradual pelo próprio Geisel. Existia uma censura muito rigorosa contra os produtos culturais, tudo era suspeito, então havia muita censura contra o que se publicava nos jornais, revistas, na música popular, nos espetáculos teatrais, cinema, livros, etc. Para concluir, vou lembrar um pouco de um caso estarrecedor, que ficou célebre, não na ocasião que ocorreu, pois com a censura, não se deixava ser divulgado esse tipo de coisa. Quando começaram os primeiros atentados à bomba contra o regime em 1968, contra alvos militares realizados por grupos de guerrilheiros clandestinos, que logo em seguida, efetuaram alguns sequestros de embaixadores, para servir como moeda de troca por presos políticos ameaçados de morte pela repressão. Alguns setores mais radicais da repressão arquitetaram planos tenebrosos contra a população civil, com a intenção diabólica de culpar os combatentes da luta armada. Um desses planos tenebrosos ficou conhecido como o atentado do gasômetro, ou caso Para-Sar (esquadrão da aeronáutica especializado em resgastes em áreas remotas), diz respeito a um plano terrorista arquitetado em 1968 pelo brigadeiro João Paulo Burnier, que ordenou o desvio de função do esquadrão, para servir de instrumento na eliminação de várias autoridades políticas, como o jornalista Carlos Lacerda, o ex-presidente Juscelino Kubitschek e outros, que seriam sequestrados e em seguida atirados ao mar de aviões do esquadrão; além da explosão do gasômetro no Rio durante o horário de pico, com o objetivo de matar o maior número possível de vítimas, e culpabilizar os guerrilheiros da luta armada.
O que seria uma atrocidade inigualável, e só não foi levada adiante, porque o capitão da aeronáutica Sérgio de Carvalho contestou a operação, e levou ao conhecimento de autoridades superiores, fazendo com que todo o plano terrorista dos militares da Aeronáutica fosse abortado. Sugiro aos apreciadores desse tipo de evento, que pesquisem no Google também, sobre a tentativa de atentado no Rio Centro, durante um show comemorativo do dia do trabalho, no dia primeiro de maio de 1981. Isso apenas para ficar nesses dois casos, mas tem muitos outros casos escabrosos, que é sempre bom lembrar, sobretudo para aqueles jovens, que volta e meia, manifestam o desejo da volta do governo militar.
   




domingo, 15 de abril de 2018

Duzentos anos de Karl Marx

Nesse ano de 2018, celebra-se o aniversário de 200 anos do nascimento do grande Karl Marx, autor do célebre livro "O Capital", que traça um raio X do sistema capitalista, mostra como funciona, suas entranhas e os bastidores sujos do capitalismo, numa análise de cunho eminentemente científico até agora insuperável do ponto de vista teórico. Um capitalismo, que traz como consequência, muita exclusão social, concentração da riqueza cada vez mais em pouquíssimas mãos, crises recorrentes, guerras, e por causa disso, a fome e a destruição de muitos países, tornando a vida de muita gente completamente insegura, instável e insustentável. Como estamos assistindo agora na Síria, e em muitos outros lugares, quando se vê um pequeno grupo de países extremamente ricos, liderado pelos EUA, conhecidos por empregar no campo da política internacional o imperialismo em suas relações com outras nações menores e menos potentes, tanto econômica como militarmente. Alegam não gostar de determinado governo de um país qualquer, por algum motivo, inventam mentiras, como foi o caso do Iraque, quando alegaram que o Iraque possuía as chamadas "armas químicas" ou "armas de destruição em massa". E assim, decidem de forma unilateral, atacar o país falsamente acusado, com a força máxima de suas armas de última geração, para derrubar e destruir o governo de um país soberano. Como consequência, destroem o país completamente, e como resultado, deixam centenas de milhares de mortos, milhões de cidadãos da população civil com suas casas em ruínas, perdendo tudo que possuíam, tornando-se refugiados da noite para o dia. Uma tragédia completa e desnecessária. É como age e atua hoje no planeta, os países imperialistas do chamado mundo ocidental, sem o menor respeito às leis internacionais promulgadas e assinadas por quase todos os países em seu organismo principal, a ONU. Países que se dizem desenvolvidos, e professam a fé em cultos monoteístas de cunho judeu ou cristão. O curioso, é que se consideram politicamente democratas, mesmo agindo dessa forma, dizem defender a democracia contra ditaduras, mas eles têm as suas ditaduras preferidas, como é o caso da ditadura monárquica da Arábia Saudita por exemplo, aliada de primeira hora dos norte-americanos, uma ditadura extremamente cruel, homofóbica, xenófoba e misógina, contra quem, os imperialistas não dizem nada, nem tampouco criticam ou fazem qualquer ameaça. Sem falar em outro vizinho extremamente violento da mesma região, o estado de Israel, governado hoje por Benjamin Netanyahu, um líder considerado fascista pelos próprios cidadãos israelenses, que executa e mata constantemente dezenas de civis palestinos desarmados à luz do dia, de forma covarde. Além de estar promovendo, nos dias que correm, uma verdadeira limpeza étnica no país, através da expulsão e deportação de milhares de trabalhadores estrangeiros, principalmente os de origem africana. É inacreditável, que tudo isso ainda esteja a ocorrer no mundo hoje, em pleno século XXI, mas infelizmente essa é a verdade a que estamos ainda sujeitos. E o sistema capitalista capitaneado por esse grupo de países imperialistas, com suas crises internas constantes, fruto do próprio sistema econômico, segue aos trancos e barrancos, com sua lógica de máfia, derrubando um governo aqui, outro ali, utilizando-se para isso de diferentes tipos de guerra, desde a hoje conhecida como guerra híbrida, onde se derruba um regime político de um país sem dar um tiro, e também da guerra por procuração, quando se arma milícias rebeldes de mercenários pagos à soldo do dinheiro imperialista e de seus aliados, como se fez na Síria, ou até mesmo, em último caso, o ataque direto, como o realizado contra o Iraque de Saddam Hussein em 2003. O que deixa a vida no planeta sob o capitalismo, cada vez mais instável e insustentável. Tempos muito difíceis.

terça-feira, 27 de março de 2018

Uma nota sobre o documentário Condor


Não deixem de assistir, pelo menos até a primeira parte do documentário, que mostra como foi feito o golpe de 1973 no Chile contra o governo Allende, que diferente de Cuba, pretendia fazer no Chile um governo orientado por um socialismo democrático, priorizando atender os mais pobres, sem luta armada, guerrilha, etc., a luta se daria apenas no campo político, na retórica, na narrativa de convencimento da maioria. Para isso chegou ao poder através do voto da maioria do povo chileno. Tudo isso é mostrado no filme de forma ampla, sobretudo a sabotagem dos setores contrários, da reação golpista, do apoio e a ingerência direta do governo norte americano e de suas agências de informações, como a CIA por exemplo, além de organizações não governamentais, etc., que financiaram greves em setores estratégicos com a finalidade de enfraquecer o governo Allende. A importância que dou em assistir esse tipo de filme nos dias que correm, é no mínimo para comparar com o golpe dado no Brasil em 2016, que sofremos, e que ainda está em curso, com golpes atrás de golpes quase todo dia. É incrível como as coisas se repetem, mas de outra forma, com novas roupagens, com novos uniformes, para além dos coturnos de 64. A violência agora se dá mais no uso das canetas de certos jornalistas, no abuso de autoridade de certos juízes de primeira instância, o abuso da toga, empoderados que foram depois de receberem treinamento nos EUA, que se atribuem super poderes, a ponto de condenarem sem provas, baseado apenas no relato de uma delação obtida sob tortura, num franco processo persecutório contra determinado partido político. Se caracterizando como um judiciário seletivo, partidário, tendencioso, que julga segundo a regra de dois pesos duas medidas. O objetivo sempre é o mesmo, derrubar um governo popular, não importa os meios utilizados, até mesmo com o uso da força se for preciso, com toda a sua peculiar truculência, com muita violência e mortes, como foi no Chile, na Argentina, no Uruguai, Peru e Bolívia. No Brasil foi moleza para os golpistas de 64, que usaram a força militar no início, como se tivessem entrado em guerra, colocando nas ruas uma grande quantidade de tanques e homens armados patrulhando a cidade. Com isso conseguiram intimidar a população civil, que atônita, sem saber muito bem o que estava se passando, não esboçaram a menor reação. É bom lembrar, que tal como hoje, quase toda a grande imprensa estava apoiando o golpe, salvo o jornal Última Hora. Os generais golpistas fecharam de imediato todos os sindicatos de trabalhadores, UNE, partidos políticos, órgãos representativos de classe, etc., prenderam suas principais lideranças, puseram os sindicatos na clandestinidade e sem a resistência da classe trabalhadora organizada, o golpe militar acabou por se consolidar, que como sabemos durou longos 21 anos, e levou o país a experimentar um enorme atraso democrático, com reflexos e impactos até os dias de hoje. 




quinta-feira, 22 de março de 2018

Os golpistas não mataram a minha esperança


É espantoso ver, como tem gente, que ainda não percebeu o que de fato está  acontecendo no país. É curioso ver gente vir a público dizer, por exemplo, que está completando dois anos do golpe, quando na verdade, o golpe continua em curso, em pleno vapor. No atual momento da vida nacional, todo dia tem golpe. A cada dia que passa, mais um golpe é desferido, não apenas contra Dilma, Lula ou o PT, mas desferido contra a sociedade brasileira, contra a soberania e a cidadania, contra um projeto de país, contra os recursos naturais e o patrimônio público do país. Vejo também gente falando em eleições de maneira tranquila, como se o país estivesse vivendo em plena normalidade democrática, que as eleições ocorrerão de forma natural, o que é outro erro de avaliação, um total absurdo. Isso ocorre mesmo em setores, que se dizem de esquerda, onde pequenos partidos já lançaram seus candidatos próprios, que em nenhum momento cogitaram ou falaram de unidade da esquerda. Rui Costa Pimenta do PCO, costuma dizer, que esses grupos de esquerda, como PSOL, PSTU e até mesmo o PCdB, que durante anos foi aliado do PT, ainda não acordaram para a realidade política, que o país está passando, o risco que o país está correndo, que o golpe pode se radicalizar ainda mais, descambar para a extrema direita, apelar para mais intervenção com o uso da força, a ponto de não haver nem eleições. Muito pelo contrário, todos eles lançaram os seus candidatos próprios, o que seria mais do que legítimo, se o país estivesse em plena normalidade democrática, o que não é o caso agora. Preferem assim fazer, para marcar posições, marcar suas diferenças ideológicas com o único partido de massa do campo popular, o PT, o que revela cada vez mais, que esses grupos compraram totalmente a agenda moralista da direita golpista contra a corrupção. Falei do Rui Costa Pimenta, porque me lembrei de um diagnóstico, feito por ele, a respeito desses grupos de esquerda como o PSOL por exemplo, dizia ele, que esse tipo de partido, não tem base social nenhuma onde se amparar, Guilherme Boulos do MTST tem, mas o Boulos nunca foi do PSOL, não fez a sua carreira de militância política nesse grupo, só se filiou ao PSOL muito recentemente, unicamente para ser candidato do mesmo, o que desagradou algumas alas do partido. Para Rui Pimenta esses pequenos partidos de esquerda, como o PSOL, são partidos dirigidos por uma elite pequeno burguesa, que falam e se dirigem para a pequena burguesia, para grupos de militantes de classe média, como se estivessem falando para os trabalhadores mais pobres, sem ter nenhuma base na classe operária, que via de regra, querem ser mais realistas que o rei. Partidos políticos sem lastro social, sem base, sem conexão com a classe trabalhadora, conduzidos única e exclusivamente por meia dúzia de intelectuais, está fadado ao fracasso, como a história mostra exaustivamente. Não ter compreensão da dimensão real do momento político, pelo qual estamos todos passando, leva a erros de avaliação, que gera prejuízos políticos graves, já vividos muitas vezes no passado. Errar é humano, mas se deveria aprender com os erros, e não continuar a cometê-los, por qualquer razão, seja por teimosia, sectarismo ou esquerdismo. Aliás, já dizia o mesmo o próprio Lenin lá atrás, quando publicou, “Esquerdismo, a doença infantil do comunismo”.


sábado, 17 de março de 2018

Uma direita predadora

Na hora que ouvi a frase proferida no vídeo de Rui Costa Pimenta: "O bandido é o judeu da extrema direita brasileira", na mesma hora, vi que precisava anotá-la, para uma eventual necessidade. Em outras palavras, a imagem do "bandido" hoje, em certo sentido, corresponde no imaginário da burguesia nacional, uma espécie de bode expiatório, como o elemento a ser eliminado, a ser tirado de cena, algo similar à situação do imigrante “invasor” na Europa, extremamente demonizado pela direita local. Ou, até mesmo, em último caso, a situação limite vivida pelo "judeu" europeu no período entre guerras do século passado, quando os nazistas alemães queriam eliminar os judeus de qualquer jeito, e a qualquer preço, quando os encontrasse não importava aonde. Era uma política oficial de Estado deliberada de extermínio de um povo, de um genocídio. É por isso, que considero a direita burra, nada dialética, dura, rígida, tensa, travada, extremamente violenta e predadora, embora reconheça que nesse momento esteja ainda conseguindo levar alguma vantagem nos embates, que se travam na luta política nacional pelo poder e hegemonia de narrativa. Eles estão de posse do poder político de estado, que tomaram de assalto com o golpe parlamentar-midiático-jurídico, e também pela força da grana do capital financeiro, da truculência do seu aparelho repressor e de muita mentira difundida através de robôs midiáticos e ideólogos de aluguel, que infelizmente ainda conseguem enganar e manipular tanta gente. Por isso, não é difícil perceber as digitais da direita espalhadas por toda parte, em ações políticas efetivas praticadas e em factoides espetaculosos divulgados, percebe-se a marca da direita se manifestando publicamente, a torto e a direito. Evitam debater qualquer ideia, contrariar o roteiro com outra ideia alternativa ou contrária, preferem negar a ideia proposta ou estabelecida, destruindo-a, aniquilando-a, matando-a, eliminando o adversário. Dão preferência sempre pelo ataque frontal, mortal, surpreendendo o adversário na covardia com um repertório cheio de calúnias e acusações difamadoras, portanto desqualificadoras. Enganaram muita gente nos últimos seis anos, mas não dá para saber, por quanto tempo ainda, continuarão enganando. A tendência daqui pra frente é o desgaste, quanto mais tempo continuarem no poder, por isso o risco é radicalizarem ainda mais, e apelarem para mais truculência e intervenção militar, mas também cometem erros, que os desgastam cada vez mais no decorrer do tempo. Começo a perceber, que já começam a perder apoio, em grande parte da classe média. Apesar de toda a gravidade da crise política trazida pelo golpe, prefiro acreditar na chance da casa cair, o mais rápido possível. Aposto nisso, a mentira não pode prevalecer indefinidamente, pois carrega em seu próprio bojo a sua destruição, e a destruição do país. Para concluir, como diz Rui Costa Pimenta, não se deve contar apenas com os erros dos golpistas, para poder derruba-los, é preciso fazer política pra valer, sair às ruas em grandes protestos e manifestações, fazer pressão sobre os golpistas, jogá-los nas cordas, acuá-los, para enfim conseguir derrubá-los definitivamente.

domingo, 4 de março de 2018

A razão não vacina contra os sentimentos




Interessante, descobrir o combate feito contra o sentimento, ver de forma forte e presente em todas as mídias, blogosfera incluída, mais uma palavra sendo condenada nesses conturbados tempos, o sentimento. Na clássica querela razão versus sentimento. O sentimento passou a ser vendido como coisa feia e inadequada, irracional, que deve ser combatido incansavelmente. Foi surpreendente, perceber como de uma hora para outra, parece que toda direita transita apenas no campo da racionalidade, de como são racionais, e ninguém tinha percebido nada disso antes, que não sentem nada jamais, que não é de bom tom demonstrar sentimentos em público, que bandeirar sentimentos, não é prova de nobreza, leia-se machismo. Deixando, com isso, um imenso espaço, para todo tipo de oportunismo e a hipocrisia se instalar. Só sendo muito cínico mesmo, ou partindo para a ironia fina ou grossa, para lidar com uma tolice dessa.


Apesar de todos os seus disparates, que muitas vezes soam jocosos, quase imbecis, a verdade é que, com esses métodos a direita está retomando o poder, em certos lugares está chegando, até mesmo, pelo voto. É impressionante, como a direita hoje dá lição ao mundo, como chegar ao poder, sem nenhuma pauta propositiva, como se não precisasse, absolutamente, se preocupar mais com isso. Confiante no sucesso do poder de fogo de seus arsenais midiáticos vivos ou robóticos, verdadeiros obuses ideológicos, hiper negativistas, destruidores, desqualificadores, com um poder de fogo mortífero contra o adversário. O que surpreende o adversário completamente, o leva até às cordas. Tentando se recuperar rápido e voltar à luta o mais rápido possível, não se pode deixar o adversário ganhar terreno. E assim que retoma o fôlego, encontra pela frente uma direita radicalmente demonizadora, estigmatizadora, criminalizadora, que consegue em pouco tempo, com a propaganda massiva convencer grandes massas, que alguma coisa não presta mais, não serve mais pra nada, precisa ser cassada, desqualificada, difamada, caluniada, perseguida, “impichada”, interditada, proibida, expulsa, deposta, banida e finalmente eliminada de forma definitiva, ou como muitos preferem dizer agora, deletada. Agindo dessa forma, desferem um ataque brutal contra determinado personagem da vida pública ou afeto humano, e talvez não haja nem reação, elimina-se o adversário imediatamente, sem resistência. Talvez a direita precise aplicar uma melhor logística na escolha dos adversários a atacar, para se tornar ainda mais efetiva e eficiente.

Por outro lado, como resultado de tudo isso, resta só a completa destruição da própria política, ou da forma como se fazia política, com suas regras, hábitos e negociação, muita negociação para assegurar o pacto mais próximo possível da sustentabilidade ou não, das regras do jogo em vigor, não importando a conjuntura. Isso acabou, agora as coisas estão sendo tomadas na mão grande, na lei do mais forte, não há mais respeito pelo adversário. Adversário? Imagine, pelo contrário, por essa lógica, qualquer adversário agora é inimigo, se é inimigo precisa ser destruído, eliminado, não tem conversa. Aniquila-se logo o inimigo e pronto, está acabado, de preferência, o mais rápido possível. Extermínio já! É uma guerra híbrida? Guerra híbrida é o nome que estão dando agora, a esse tipo peculiar de ataque sem tiros, como passaram a definir o ataque contra determinados governos nos chamados países democráticos e outros nem tanto, como foi o caso do ataque contra países do norte da África e Oriente Médio. Tenho ouvido vozes abafadas dizer, que mesmo no centro do mundo desenvolvido, ou seja, em países de proa da Europa Ocidental e América do Norte, a coisa tomou o rumo da direita radical, quase extremada, uma direita bizarra, caricata, abusada, provocadora, extravagante, brega, cafona, exagerada, que não está nem um pouco preocupada com a aparência. O que se ouve, é que essa retomada do poder pela direita, aumentou muito os riscos no mundo. Uma direita que perdeu a vergonha na cara, para que vergonha? Faz tudo com a maior cara de pau, na cara dura e sem esconder o rosto. Fez, faz e continua a fazer. Que mandou todos os escrúpulos às favas. Enquanto isso, na entrada da favela Rocinha no Rio, escuta-se: "O que você está dizendo?" "Democracia?" "Sabe com quem está falando?" Violência e mentiras são as armas da direita. No plano interno, se colar será ditadura, se colar colou.