sábado, 18 de novembro de 2017

Entrevista com o almirante Othon


Não deixem de assistir a entrevista com o almirante Othon. Porque todo mundo precisa saber o que anda acontecendo com essa república, e porque também essas coisas não são jamais exibidas em nossas tevês, por razões óbvias e evidentes, são escondidas do grande público. Como divulgar, se os grandes meios também são parte do golpe? Para dar uma pequena prova do conteúdo da entrevista, cito uma breve fala do almirante Othon no depoimento exibido, quando diz: "É muito difícil viver num sistema, onde um camarada (procurador) diz (que você fez) uma coisa e aquilo vira verdade". Em outras palavras, significa que, do jeito, que o sistema foi montado, para operar de forma autoritária e arbitrária, muitas vezes, uma mentira proferida pela autoridade de plantão, se transforma em verdade. Uma mentira vira verdade? Muitas vezes uma acusação vazia e sem provas, como muitas que partem de delatores ou procuradores, como temos assistido e acompanhado o tempo todo na Lava Jato. "Vamos deixar de fora, por hora, a opinião e se ater ao fato", diz o almirante em outro momento da entrevista. Então nenhuma das garantias constitucionais asseguradas ao acusado estão sendo respeitadas por esses agentes públicos, agentes da lei, que juraram em seus códigos de ética profissional, cumprir o que reza a Constituição. Agentes que não cumprem a lei, que a desrespeitam em suas condutas, como, por exemplo, não respeitar o direito à presunção de inocência, de quem ainda não é réu, porque ainda não foi julgado e sentenciado. O acusado, preso preventivamente, outra anomalia jurídica praticada, ilícita na maioria das vezes, não pode fazer nada, fica completamente à mercê de carrascos mentirosos, truculentos e cruéis, a fazer todo tipo de ameaça e chantagem contra o acusado, até mesmo ameaçar familiares, chantagear, bloquear bens, etc. É possível conduzir um processo dentro da lei? Claro que é, se o conduz em desrespeito à lei, está agindo fora da lei, então é um fora da lei, como outro qualquer, embora continue envergando o paletó e gravata de procurador federal ou a toga de juiz. E dessa forma, perdeu totalmente a legitimidade para prosseguir na condução do processo, precisa ser afastado do caso o quanto antes, porque o contaminou completamente com as arbitrariedades e ilegalidades praticadas.

Assista ao vídeo da entrevista aqui.

Será que o jogo está virando?

Será que o jogo está virando mesmo? Porque tem aumentado muito o número de baixas nas hostes golpistas. Temos assistido praticamente toda semana, algum personagem protagonista do golpe, instrumento ou veículo utilizado pelos golpistas, caindo um a um, de podre, mostrando a cara feia que possui e ninguém ainda tinha percebido ou prestado atenção. Um desses casos é o do elemento Aécio Neves, o homem do aeroporto construído com dinheiro público na fazenda de um familiar, de um helicóptero recheado com meia tonelada de cocaína pura no Espírito Santo, do “empréstimo” de dois milhões de reais tomado a Joesley Batista, gravado em vídeo, e amplamente exibido em horário nobre na televisão, com vários pacotes e malas de dinheiro, recebidos por um primo do senador. De conversas gravadas, por ordem judicial, de telefonemas nada republicanos com altas figuras da república, como foi com o ministro do STF Gilmar Mendes. Além de muito mais, como os 51 milhões de reais encontrados no apartamento de Geddel Vieira Lima, em Salvador, Bahia. De sorte, que após todos esses episódios, todos amplamente divulgados, tudo leva a crer, que agora Aécio Neves acabou, pode-se dizer que esse personagem já era, pelo menos do ponto de vista eleitoral, o personagem "senador" no mínimo saiu bastante avariado. Portanto, por tudo aquilo que foi mostrado, exibido e visto pela audiência, Aécio Neves não passa de um bandido, é bandido mesmo, só que não um reles bandido, é bandido de gravata e capital, e se comporta como tal, tanto na maneira de agir, como na forma de proceder. Um bandido que sai por aí dando carteirada de senador da república. Então o cargo de senador é um artifício, um álibi, para o deixar imune e livre de sanções, e assim, continuar a praticar crimes. Utilizando-se para isso, do chamado foro privilegiado, que é facultado a todo senador da república, portanto mais uma ilegalidade de Aécio, que subverte e distorce completamente o objetivo daquele instrumento, que foi criado com outra finalidade. Soa bastante verossímil e verdadeiro, portanto, o bandido vivido e encarnado por Aécio, que apareceu nos meios de comunicação de massa nos últimos tempos. Um primor de papel, muito melhor do que o de senador. É melhor Aécio vestir logo a toga de bandido, porque o senadorzinho dele já era, não convence mais, ninguém acredita mais naquele personagem, não engana mais a ninguém, nem mesmo se  trocar de texto, ou o roteiro completo. Não há mais salvação, foi totalmente desmascarado, infelizmente ainda não temos como saber se morreu politicamente de forma definitiva. Fala-se, que sairá candidato a deputado federal por Minas Gerais nas próximas eleições gerais em 2018, mas é difícil prever o resultado, pode ser que até consiga ser eleito. Pois se até Collor de Melo voltou ao Congresso, após cumprir o período de afastamento, imposto pela cassação do mandato de presidente. Mas voltou como? Collor hoje é praticamente um cadáver ambulante, sem a menor expressão, poucos são os políticos de mais expressão, que querem o nome associado ao dele.
E para piorar a situação do lado golpista, foi a vez do grupo Globo, das Organizações Globo, uma holding de mídia, praticamente um monopólio de mídia, ficar extremamente em evidência por motivos negativos. Primeiro, com o caso de racismo praticado por William Waack, um importante âncora, que foi defenestrado simbolicamente, ao ser afastado dos programas, que comandava na emissora do Jardim Botânico carioca. E finalmente, agora acaba de vir à tona toda essa sujeira da Globo, pagando propina a autoridades internacionais, para ter exclusividade na transmissão de jogos de futebol. O problema todo com essa gente, é que eles costumam atuar em bandos, em quadrilhas, em gangues, gangues de poderosos endinheirados, utilizando-se da ética dos mafiosos, que não confiam nem na própria sombra. É outra lógica. São perigosíssimos. Que se destruam!

segunda-feira, 13 de novembro de 2017

Defender racistas também é racismo





Tem sido visto ultimamente certa solidariedade, por parte de gente, que tem voz ativa no mercado, gente que faz parte da grande mídia, repórter ou jornalista, além de alguns artistas, todos tentando minimizar o fato, alguns até mesmo tentando desqualificar o episódio, imaginem dizem outros, todos enfim a passar pano quente na declaração racista do jornalista William Waack, um dos porta-vozes do golpe. Além disso, circula rumores, dele ter sido recrutado pela CIA nos anos oitenta, quando foi correspondente na Alemanha. Portanto, para ser elegante, reafirmo que não tenho nenhum apreço por essa figura. E se já não tinha apreço por outros motivos e razões, antes de saber que era racista, agora ficou mais difícil. Vejo gente elogiando-o por ser um homem de cultura. E daí cara pálida? Não importa a cultura de um homem, mas o que esse homem faz com essa cultura. E que bem William Waack dá à sociedade? Talvez dê à sua classe, ou àqueles a quem presta serviço. Não é com a participação em programas de tevê, como, por exemplo, as exibições monocórdicas da ladainha neoliberal sem JAMAIS incluir o contraditório, que fazia uma vez por semana na Globonews no programa "Painel". Uma mesa-redonda com Waack apresentando, discutia-se um determinado tema combinado com três convidados, todos do mesmo campo político, com a mesma ideologia. Dentre os temas debatidos sem a presença do contraditório, discutia-se incansavelmente, a queda da presidente Dilma. Trabalharam muito pela desestabilização do governo, para enfraquecê-lo cada vez mais, e tornar mais fácil o processo de impeachment, já encaminhado por Eduardo Cunha na Câmara dos deputados. Para tal desafio discutiam as pautas bombas, para arruinar o governo, a política do quanto pior melhor. De forma que era aquela arena, o local perfeito e adequado, para se discutir abertamente, e de todas as formas, o que melhor fazer para derrubar o governo Dilma. Era no programa Painel, onde William Waack se sentia uma espécie de paladino e baluarte do golpe, onde fazia intenso proselitismo favorável ao mercado financeiro e ao golpe, jactava-se da posição que exercia, e pavoneava-se de forma inacreditável. Seu proselitismo ideológico foi nefasto para o país. Está colhendo hoje o que plantou. Quem o defende por motivações ideológicas, por estar alinhado com as suas posições políticas, presta um desserviço à democracia, porque não se deve dar atenuantes ao racismo. Nada o justifica. É condenável sob todos os aspectos pela Constituição, que considera o racismo, crime imprescritível e inafiançável. É claro, que a partir de agora, uma plêiade de personagens do mesmo naipe, sectários adeptos da ideologia política de direita, racista e antipopular, virão em seu auxílio, solidarizando-se com o acusado, a utilizar todo tipo de artifício, visando desqualificar a acusação por crime de racismo. Quem sabe aparece um advogado iluminado, que costuma advogar causas perdidas, venha em seu auxílio, e transforme a acusação de crime de racismo, em crime por injúria racial, com pena bem mais branda e leve. Tem sido assim de forma recorrente, há bastante tempo, sempre que alguém do andar de cima, é levado à justiça acusado de racismo.

sexta-feira, 10 de novembro de 2017

Fundamentalismo contra fundamentalismo

No vídeo disponibilizado e com link no final do texto, pode-se apreciar imagens da maravilhosa arquitetura iraniana, de tempos imemoriais, como o tempo do rei Dario ou mesmo de Ciro, em diversos e diferentes prédios públicos de lugares e cidades do interior do país, prédios religiosos ou laicos, como termas sensacionais e outros. Mas especificamente no vídeo do mochileiro curitibano André Minatowicz,  é exibido alguns exemplos da bela arquitetura da cidade de Kashan,

que quase nunca a maioria de nós tem acesso. Porque o Irã, a antiga Pérsia, uma civilização com mais de cinco mil anos, até outro dia era e continua sendo considerado um país pária, pela principal potência militar do planeta, a potência que dá as cartas no jogo político internacional. E dessa forma nenhum lado positivo do país  pode ser mostrado, exibido, divulgado ou publicado pelas poderosas agências noticiosas ocidentais. Pelo contrário, passaram, todas em uníssono, a acusar o Irã, utilizando-se de uma linguagem fundamentalista, assim como foi usado contra o Iraque, outra cultura do oriente médio, que acabou sendo completamente destruída, através de uma invasão em 2003, numa guerra absurda com pretextos mentirosos, como por exemplo, a de que o Iraque possuía um arsenal de armas de destruição em massa, como armas químicas ou biológicas. E a absurda acusação de que ambos fizessem parte de uma coisa esdrúxula denominada "Eixo do Mal". É inacreditável! Pensar que já tínhamos entrado no século XXI, e de repente ouvir expressões do século XVII ou talvez até d’antes. É impressionante e revoltante. Notem que o Irã vem sendo continuamente demonizado há quase quatro décadas, por grande parte da imprensa ocidental. Acontece que, como dizem as más línguas, grande parte da imprensa ocidental e suas agências correspondentes, está em mãos de grupos sionistas radicais, gente que condena outros Estados por serem Estados religiosos e não laicos, porque o laicismo é o modelo ideal, quase um dever ser, para qualquer Estado que se preze no mundo ocidental. Mas, por outro lado, não  escrevem um linha sequer sobre a situação de Israel ser  um Estado judeu, logo religioso e não laico. Então para esses escribas sionistas picaretas, é tolerável a existência de um Estado religioso, desde que a religião dominante seja o judaísmo sionista, qualquer outro caso não. Repetindo: o Estado de Israel pode ser religioso e não laico, as outras nações do mundo com outras religiões não. A ordem é que toda vez que ocorrer esse fenômeno em algum canto do planeta, em algum país, deverá ser maciça e violentamente demonizado, atacado e depois destruído. Esse é o caso hoje do Irã, como ontem foi o caso do Iraque de Sadam, principalmente depois que o Irã se livrou do Xá Reza Pahlavi, por ocasião da revolução islâmica em 1979, tendo portanto se tornado fundamentalista demais, para o gosto ocidental. Acontece que assiste-se a mesma imprensa ocidental pagar o mico, de fazer um ataque de narrativas contra o Irã, e realizar esse ataque através de outra narrativa fundamentalista, só que agora cristã. Atenção! O país que tem evangélicos fundamentalistas no poder, como se vê hoje em tantos lugares do mundo ocidental, sobretudo nos EUA, não tem moral para cobrar laicidade dos outros. Esse é o caso do Brasil atual, onde tele pastores pentecostais infestam as redes de tevês abertas menores, a oferecer todo tipo de cura milagreira em troca de dinheiro depositado em contas dos principais bancos. E também a querer fazer de suas pautas religiosas a pauta do país, como aconteceu durante essa semana no Congresso Nacional com a bancada da bíblia aprovando um projeto de lei com regras mais duras e severas restrições ao direito de aborto, proibido até mesmo o aborto em caso de estupro. Num total retrocesso. Portanto, quem possui representantes políticos fundamentalistas religiosos desse naipe, não pode ficar a atirar pedras contra quem quer que seja. Cada um tem o fundamentalismo que merece? Será?



Vídeo conexo: VIAGEM IRÃ 2017 - KASHAN

quarta-feira, 1 de novembro de 2017

O que está por trás da proibição do show de Caetano

Os golpistas usaram e abusaram do poder midiático, durante o período que trabalharam em prol da derrubada do governo Dilma. Tudo começou em 2013, quando a tevê Globo colocou como prioridade em sua pauta, a convocação da presença dos militantes coxinhas nas ruas. A mídia foi importante, quando foi usada como instrumento para desmantelar, desmanchar e desfazer, através da propaganda, de um marketing profissional  quase perfeito, tudo aquilo que fosse considerado bom ou positivo no governo do PT. Segundo as lideranças das oposições era preciso fazer um trabalho de desconstrução eficaz e de primeira, que a meu juízo foi mais desqualificação do que qualquer outra coisa, mas enfim preferiram chamar de desconstrução, que fosse feita com urgência, pois queriam ganhar as próximas eleições gerais a se realizar no ano seguinte, em 2014. Pois muito bem, trabalharam diuturnamente contra a imagem da presidente, criminalizaram determinadas maneiras de fazer política adotadas pelo ex-presidente Lula, de tal forma, que um governo que era até bem pouco tempo atrás, muito bem avaliado, começou a despencar ladeira abaixo em se tratando de avaliação pública, computados através das principais agências de pesquisas, algumas pertencentes a grandes grupos de mídia. Mas o mais irônico e curioso, é que apesar de toda a campanha negativa, demolidora, destrutiva e contrária à imagem da presidente Dilma, ela conseguiu se reeleger, num resultado apertado, é verdade, mas venceu. E logo em seguida, mal fechadas as urnas, e o resultado final divulgado, o candidato perdedor, veio a público levantar suspeitas sobre a lisura do pleito, falou até em impeachment, tudo isso muito antes da presidente assumir o novo mandato. Portanto era visível o papel que cumpria nesse processo as principais emissoras de tevê, além das principais revistas semanais, das principais emissoras de rádio, e de todos os principais jornais impressos do país. Quanto ao relevante papel ocupado pela mídia, da sua importância no resultado final do golpe, não resta a menor sombra de dúvida. Então é ponto pacífico, o fato da mídia ter sido um instrumento atuante e relevante para derrubar a presidente. O outro instrumento usado à exaustão como arma política, usado com o objetivo de desestabilizar o governo anterior, foi o judiciário. Isso desde o episódio do mensalão, iniciado em 2005 e 2006, ainda durante o primeiro mandato de Lula, e que durou até o julgamento final, quando o relator da AP 470, ministro Joaquim Barbosa condenou José Dirceu à severa pena de prisão, baseado apenas na teoria do domínio do fato, uma esdrúxula teoria alemã, criada no pós-guerra para condenar criminosos nazistas, e aqui foi apresentada como novidade para condenar adversários políticos sem prova nenhuma. É bom não esquecer, que outros agentes políticos de outros partidos, que também praticaram os mesmos atos, como o ex-governador de Minas Eduardo Azeredo do PSDB, que na mesma ocasião ou até um pouco antes, não foram atingidos, e quando o foram, responderam na primeira instância, fora portanto do STF onde fora julgado o mensalão do PT. Mas mesmo assim, Lula conseguiu se reeleger, derrotando no segundo turno o candidato do PSDB. Digo isso para mostrar, como a mídia e o judiciário tem sido usados como instrumentos, e como arma política para tentar desqualificar, desestabilizar e finalmente conseguir derrubar governos do campo popular, governos que não interessam ao mercado financeiro, campo popular também conhecido como o da esquerda política em geral, que no caso do PT, trata-se de um partido mais de centro-esquerda. Tanto tentaram, que acabaram por conseguir o objetivo maior, tirar do poder um governo popular e bem avaliado, através de um golpe parlamentar, governo que já vinha sendo erodido com o auxílio daqueles dois instrumentos, que apontei atrás, ou seja, a grande mídia e o judiciário. Já vimos como essa gente, que patrocinou o golpe de Estado, dá importância a esses dois instrumentos, a esses dois aparelhos de Estado, para usar a linguagem do filósofo franco-argelino Louis Althusser, a mídia sendo mais um aparelho ideológico de Estado, enquanto o jurídico faça parte mais do aparelho repressivo de Estado. Para concluir, o caso em questão, a respeito da proibição, que impediu a realização do show de Caetano Veloso num acampamento do MTST em São Bernardo do Campo, no ABC, grande São Paulo. O que é que não se queria? Não se queria que fosse dada publicidade a um evento de moradores sem teto. E o que a presença de um artista como Caetano proporcionaria ao evento? Mais publicidade, evidentemente. Então o que se decidiu fazer para evitar tamanha repercussão ao evento? Claro, proibir o show através da justiça. Pronto, dessa forma o evento ficaria  invisível, porque a mídia, como fez com a caravana de Lula, não diria uma palavra a respeito, e estava liquidada a fatura. Já se o show de um artista internacional e conhecido como Caetano fosse realizado, seria impossível não se falar a respeito, e o show permanecer oculto. E novamente aqueles dois instrumentos políticos relevantes desses novos tempos foram mais uma vez utilizados com eficiência, apesar de um protestinho aqui e outro acolá, mas nada que pusesse em risco os objetivos claros e evidentes que se queria atingir.

terça-feira, 24 de outubro de 2017

Justiçamentos na ordem do dia

Não quero entrar no mérito se o ex-governador Sérgio Cabral é culpado ou inocente, há elementos para que o seja, mas o ponto não é esse. É preciso apontar como funciona e está sendo conduzida a atual operação lava a jato, nesse sentido o vídeo da audiência de Sérgio Cabral diante do juiz Marcelo Bretas é um exemplo eloquente. A audiência deixa bem claro, a existência de elementos extrajudiciais mais do que suficientes na condução do processo. Assistam ao vídeo e vejam se essa é a melhor maneira de se portar um juiz, que deixa fortes indícios de haver outras motivações inconfessáveis por trás de tudo, e que acabou por punir um réu, apenas por ter ousado um pouco mais em sua estratégia de defesa. Aliás, só fui saber da punição hoje, punido com a transferência para  um presídio federal de segurança máxima em outro estado, porque o vídeo já havia assistido ontem. E o que tem me chamado atenção ultimamente nos julgamentos da lava a jato, agora públicos ou publicizados posteriormente, é a total desconsideração pelas peças da defesa, completamente ignoradas quando não vistas pelo juiz de plantão, nesse caso o Bretas, mas poderia ser Sérgio Moro, como uma ameaça ao magistrado, e em consequência vem mais punição. Estamos caminhando em direção ao Estado de exceção, ou já chegamos nele? Onde juízes costumam operar e conduzir justiçamentos. Ao concordar, dar apoio através das redes sociais, enfim legitimar hoje tais justiçamentos contra quem não gostamos, poderá ensejar amanhã o mesmo justiçamento contra um de nós, é bom jamais esquecer disso, os fascismos todos ao longo da história não tão distantes assim, estão todos por aí mesmo para mostrar como tudo isso funciona. Portanto não podemos compactuar com esse tipo de ação fora da lei, afinal de contas nos disseram e a Constituição de 88 confirma, que vivemos num Estado de direito. É preciso denunciar esses delitos praticados pelo judiciário ultimamente, sobretudo na operação lava a jato. Essa coisa de expor um suspeito apenas por indícios, ainda sem nenhuma prova confirmada, à total execração pública através de vazamentos seletivos para um determinado veículo de mídia, isso é criminoso, é a lógica do bandido, e não deveria ser a lógica da justiça. Sem falar nos aprisionamentos arbitrários, feitos de maneira coercitiva e sempre procurando ter a forte presença da mídia, de forma intencional, para causar impacto midiático de forma espetaculosa, realizados por parte de agentes do Ministério Público e da PF. Da mesma forma, quando um magistrado não se comporta mais como tal, bate boca com o réu de dedo em riste, faz ameaças em forte tom emocional, que só não perde o controle porque está no comando, é o juiz. E também não se comporta como tal, quando deixa de se manifestar apenas nos autos. Com isso, corre-se o risco da perda da cidadania, da quebra do Estado de direito, perda de regalias e garantias constitucionais, enfim da entrada no autoritarismo, ou seja, o fim da cidadania.  Alguns desses juízes viraram estrelas pop, "sex symbol", herói nacional ou celebridades extemporâneas. O sucesso pessoal é mais estimulante do que uma droga ilícita. Estão a toda hora buscando aparecer nas tevês abertas ou fechadas, para entrevistas, dar palpites sobre política, e até para opinar sobre algo sub judice, como se tem visto ultimamente. Já observei esse tipo de comportamento até mesmo em ministros do STF, como o Sr. Gilmar Mendes por exemplo, que é useiro e vezeiro disso. Sou absolutamente contra justiçamentos não importa quem seja o réu. Tudo isso me faz lembrar de um velho ditado popular, que dizia: "aquilo que a gente não quer para a gente, não oferece ao outro". É bom ficar ligado!

segunda-feira, 4 de setembro de 2017

Insustentabilidade

Hoje tudo está aparentemente mais instável no mundo do que há três anos atrás, quando compartilhei a foto acima. Não sei porque, mas ainda alimentávamos o sonho, que mesmo depois de muita luta, poderíamos enfim comemorar direitos conquistados e assegurados. Veja o caso do Brasil, o projeto de país, que buscava maior inserção social dos mais carentes, para fazer cumprir os direitos e garantias asseguradas pela Constituição de 1988; saiu vitorioso nas urnas, mesmo com um resultado apertado. O lado perdedor não se conformou com o resultado, e começou a conspirar para virar a mesa, tentando ganhar no grito e no "tapetão", como se diz na gíria. O que levou a um conflito político, que contaminou a economia e levou o país a entrar numa crise geral de tamanho monumental, agravada é claro, pela conjuntura já desfavorável no contexto internacional. Veio o golpe com um impeachment sem crime de responsabilidade como reza a Constituição, e o governo golpista mudou todo o arcabouço do projeto vencedor nas urnas, assim da noite para o dia. O que levou vários amigos a desacreditar da democracia eleitoral. Nos EUA a vitória de Trump ameaça também por sua vez, uma série de conquistas asseguradas pelo governo anterior. Então é assim, o projeto vencedor nas urnas, ganha mas não leva, ou porque foi deposto por um golpe parlamentar, midiático e jurídico, ou porque o novo governo eleito não respeita conquistas legitimadas pelo governo anterior. Está tudo muito estranho, porque antes esse tipo de coisa era usada mais, quando se queria dá-la como exemplo de práticas muito comuns em certos países atrasados. É surpreendente que hoje possamos assistir tais procedimentos políticos acontecendo no império maior do norte em nosso continente americano. Tudo isso me faz lembrar uma frase famosa de Marx, que foi título de um livro de Marshall Berman publicado no Brasil nos anos 80: "Tudo que é sólido desmancha no ar". Vivemos tempos difíceis, nada mais está assegurado de uma vez por todas.