sexta-feira, 15 de abril de 2016

Sem medo de errar 2


Evitando tornar o tamanho do texto anterior maior do que acabou ficando, omiti outra influência fundamental, uma influência importante, quase a gota d’água para a mudança de postura, e que contribuiu de forma relevante, para perder o medo de publicar. Foi o encontro com alguns membros da nova onda em voga, a dos “fashion filósofos”, que aliás, tentei retratar em outro post com link disponibilizado no final desse texto. É que, a se acreditar naquilo que defendem ardentemente, mas antes  de tudo, devo e preciso dizer, que esse não é o meu caso. Não acredito nesse tipo de filosofia, ponto, embora sejam inegáveis as manifestações do comportamento de manada na população, sobretudo na relação público/leitor e os "mass midia", fenômeno relevante, que eles tentam entender e abordar. Os adeptos da corrente em voga da chamada “fashion philophy”, ou seja, o sujeito adepto e fã de carteirinha das novidades e das tendências top. De questões como: "Quais são as últimas novidades?" Ou de: "Essa é a questão principal? Ou daquele: "O que está rolando? E aonde?" Uma espécie de investigador do conhecimento, que está mais para caçador de vanguarda, do que para pesquisador. Por intermédio de alguns deles fui alertado, com uma espécie de toque, uma leve e sutil advertência, cuja intenção era me oferecer algo, que me ajudasse a escapar do "anacronismo". Será que buscavam me curar? “Veja, é preciso ter um certo cuidado com esse negócio da VERDADE", disse um deles. "A noção de verdade está totalmente por fora hoje”, afirmou outro e em seguida já emendou: "não existe verdade!". Me contive o quanto pude, mesmo não sendo especialista em epistemologia e lógica. Me contive, porque sei, que negar a existência da verdade com a veemência proferida, era uma contradição nos termos, pois a ser verdade aquela negação da verdade, dizer “que não existe verdade” também seria falsa e não verdadeira, pois se não existe verdade, tampouco poderá ser verdadeiro os discursos que tratam do assunto. Mesmo se tivessem posto a ressalva: “salvo o que estou afirmando agora”. A questão ficaria sem solução, cairia-se num impasse, num beco sem saída. Da mesma forma que tratou da verdade, em seguida passou a atacar a realidade, afirmando que tampouco existe "realidade" a considerar objetivamente. Que era ingenuidade continuar acreditando na noção de "realidade", no sentido de que existe algo lá e você aqui, em mundos paralelos. Que "realidade" só passa a significar alguma coisa, quando mediada por alguma consciência. Sem isso é pura fabulação. Portanto, “o que existe para valer, é a minha realidade, a sua e a dele”, me asseverou um outro do grupo com veemência. E continuou com convicção, que “não existe realidade, que tenha existência objetiva e apareça da mesma forma para todas as consciências”. E finalizando, concluiu com mais convicção ainda: “existem tantas realidades, quanto o total de cabeças capazes de elaborar realidades variadas e mutantes, mas não apenas pelo critério aritmético, e sim pelo logarítmico". Não sei se é impressão, mas acho que dessa forma, e por muito menos, cai-se num relativismo absoluto. Preferi não contra argumentar, apenas balancei a cabeça concordando, como se estivesse a dizer, que estava me esforçando para tentar alcançar o difícil raciocínio deles. Bem, diante de tudo, me indaguei, que importa os meus erros? Se é tudo tão efêmero e passageiro, nada mais é importante, se é e não se é, quase ao mesmo tempo, nesses tempos super velozes de nossos dias. Então, como dizia, a se acreditar nessa filosofia relativista, e que tem por narrativa, não ter narrativa grande, longa e sistemática. Que flerta o tempo todo com aporias e contradições. Tudo se quebra, se parte e se fragmenta o tempo todo. Nada permanece. Pronto, tudo isso foi a narrativa perfeita, que estava precisando, que viesse fortalecer, dar coragem suficiente, para poder me expor mais sem tanto receio, que ajudasse a dar a cara à tapa, sem medo de errar e de cometer falhas, e sem me levar mais tão a sério. Repetindo, o que teclei atrás, o que não significa aderir, em hipótese alguma, nem acreditar uma vírgula sequer, nesse tipo de narrativa, sou avesso a esse tipo de novidade meio antiga. Serviu apenas como o empurrão, que estava aguardando e precisando, e só. Qual o problema cometer alguns erros?

Assuntos conexos:

Sem medo de errar




Acho que finalmente perdi o medo de me expor. A insegurança começou a desaparecer, quando comecei a perceber, que o medo que persistia, era o medo de ERRAR. O medo de me tornar desacreditado se fosse considerado leviano e pouco sério, nas coisas que escrevia, quando viesse a publicá-las. Dessa forma me tornei excessivamente autocrítico, bissexto, passei a escrever muito pouco, só ocasionalmente, e jamais publicava o que fazia, mesmo tendo o blog disponível desde o fim do ano de 2009. Entendi que escolher não publicar o que escrevia, mesmo ocasionalmente, era também uma forma de enrustimento, medo de me mostrar, de me expor, uma forma de permanecer num armário existencial, similar ao que ainda vejo em certos amigos, que tem medo das redes sociais, por conta da exposição exagerada de seus nomes expostos na rede para quem quiser ver. Uma amiga chegou a dizer, que estar no Facebook, era como se estivesse expondo o traseiro na janela, correndo o risco de ser enrabada a qualquer momento, por não se sabe quem. Hilária imagem. Como preferi olhar no sentido e na direção de outros amigos, que são o oposto dos excessivamente reservados; olhar para quem não tem mais o menor receio da exposição, porque já estão a fazer, e a produzir seus trabalhos há muito tempo. E como necessariamente precisam divulgar os trabalhos, e que para isso, de um jeito ou de outro, tiveram que mandar o medo para o cacete há muito tempo. Estão todos portanto, produzindo em diferentes áreas, e são mais felizes, do que os amigos mais reservados e ainda receosos em se mostrar. Então não tive dúvida, que esse era o melhor caminho, que nunca é tarde para mudar o rumo. E entrei de cabeça nessa rota, estimulado, em parte, pela desonesta campanha política pela queda da presidente. Comecei a produzir textos em profusão, quase que diariamente, que depois de rapidamente lidos e editados, publico imediatamente no blog, e de acordo com o conteúdo, também compartilho no Facebook. Uma ocupação que dá um pouco de trabalho, sem dúvida, mas é um trabalho gostoso de fazer, e prazeroso. Foi assim, que nunca publiquei tantos textos em tão pouco tempo, só esse ano de 2016, desde o início do mês de janeiro, já foram mais de quarenta textos publicados no blog, além dos comentários em posts de terceiros, e nem tudo foi apenas sobre política. E o mais importante a considerar, é que, diferentemente de antes, quando criava enormes expectativas sobre o resultado, o desdobramento que viria a seguir, os comentários dos amigos ou não. Dessa vez, não ignoro comentários quando surgem, mas não são mais definitivamente fundamentais. Tenho como certo agora, que o fundamental é continuar produzindo, escrevendo e publicando. O que vier a partir dos textos será consequência de um fazer, sem criar mais grandes expectativas no aspecto do reconhecimento, medo de errar e outras bobagens do gênero. A ordem agora é publicar e publicar. O mais importante é fazer. A única coisa que ainda acompanho é o número diário de leitores, através do contador do blog, e eles estão aumentando gradativamente, tanto aqui como no exterior, onde os países com mais leitores são EUA e Alemanha. Agora para isso, tenho ciência, que se quiser turbinar o número de leitores, será preciso um trabalho mais sério de divulgação, que penso mais tarde terceirizar. Descobri também, por outro lado, que em tempos de internet, onde as informações fluem de forma muito rápida, tudo flui, quase nada se fixa por muito tempo, passei a relativizar um pouco o que é dito, escrito e publicado. Também sei, que há também algum risco, porque quando "algo" pega, vira meme e cola nas mentes, é foda! Mas no geral, tudo passa ligeiro e veloz. Há quem associe a esses loucos tempos de net, a questão do tamanho da mensagem, sempre ouço o mantra, de que o texto precisa ser diminuto, quanto menor e sintético melhor. Mas de uns tempos para cá, venho notando uma leve mudança, que o bicho não é tão feio como pintam. Eu mesmo leio os meus posts do blog no celular, de vez em quando, e dá para ler numa boa, são legíveis apesar do pequeno tamanho da tela. Então não é bem assim, os meus textos não são curtos, só muito raramente, e mesmo assim, tenho leitores. Há público para tudo, até mesmo para textos maiores e mais profundos. Então, por que desprezar essa oportunidade? Sem medo de errar!

quinta-feira, 14 de abril de 2016

Os Fashion filósofos


Não sei definir, mas a ideia suscitada já ajuda um pouco, aponta caminhos, rumos a seguir. Talvez fosse o amante das novidades do pensamento, e das novas tendências, tal qual num evento de moda? O que é que tem sido discutido ultimamente de mais relevante? O que está dando o que falar. Não sei, mas tudo leva a crer, que esse amante filósofo das últimas novidades do mercado do pensamento e da reflexão, caso queira levar a sério esse caminho, vai precisar trabalhar muito em pesquisas e intensas leituras, para se manter atualizado, e procurar saber quase tudo, a respeito do que tem sido publicado ultimamente nos departamentos universitários e áreas conexas do conhecimento filosófico. É um desafio e tanto, mas para quem é jovem, curioso, tem tempo disponível e disposição física e emocional, fala mais de duas línguas, tudo pode acabar sendo muito divertido, além de enriquecedor, claro. E como esse agente do conhecimento de vanguarda, é obrigado por força do ofício, a se ocupar com as novidades mais top do pensamento, não poderia receber outro nome, que não fosse o de “fashion philosopher”, ou filósofo fashion. Que não se caracteriza apenas pelo fato de ser um caçador de vanguardas top do pensamento. Também ajuda a divulgar aquilo que já deglutiu e assimilou, e finalmente aderiu com vigor. Em geral faz a divulgação, com muito proselitismo e ardor, das novas ideias. Sobre algumas delas, quando decide falar, manifesta um certo rubor facial, tal é a carga e envolvimento emocional. Em outras vezes embarga a voz, quando toca em assuntos mais delicados. Com os “fashion filósofos” conhecidos, costumo apresentar, quando encontro algum, certas dificuldades em compreender suas mentes enroladas, com muito novelos e fios de pensamentos diversos, fios desencapados e não conexos, de várias origens, autorias desconhecidas. É notável como se negligencia o valor e a importância do nome do autor, a autoria, como se o nome do autor, filósofo, crítico ou escritor, não fosse relevante. É verdade, que não é sempre assim com todos, não são todos os caçadores de vanguarda, que apresentam tal distúrbio. Mas a preferência maior é pela tendência preponderante, a escola ou corrente, por onde navega esse ou aquele divulgador fashion filósofo, que não faz mais do que pegar uma onda e fluir naquela corrente de pensamento em evidência. Noto também, que não costumam se valer, em momento algum, de qualquer uma das grandes narrativas históricas como referência em seus trabalhos e "papers". Deixam claro não precisar de referências históricas, que julgam desnecessárias ou irrelevantes. Só fazem conexões com outros dados no âmbito micro, e no estrito campo específico da área de conhecimento onde estão a trabalhar. Não transcendem jamais o foco de estudo, as especulações e conjecturas são limitadas ao objeto específico da pesquisa, aliás não gostam nem um pouco do vocábulo "transcendência", além de muitos outros, e também de toda a metafísica. Não se interessam nem um pouco, por ontologia. Seria um retorno ao positivismo? É bom ressaltar, e chamar a atenção, para a impressionante quantidade de vocábulos condenados e satanizados por esse tipo de filósofo. O que logo me fez lembrar de Alain Badiou e de sua ideia da “absolvição dos vocábulos”, e quase indiquei algumas cápsulas de Badiou. Puxa vida! Como eles estão precisando! Pensei. E precisam praticar com urgência a “absolvição de vocábulos”. Mas logo logo desisti, quando me dei conta, que Alain Badiou não tem o "phisique du rôle" adequado e verossímil, nem apelo suficiente, para atrair o interesse de um jovem filósofo fashion. Em primeiro lugar porque, apesar de ainda estar produtivo e extremamente lúcido, é um idoso com 79 anos completos em 17 de janeiro último, e continua ainda a falar de Marx, e para acabar de estragar tudo, até de "hipótese comunista" resolveu falar ultimamente. "Ah, é muito 'old fashion', para o meu gosto", me disse um, ao perguntar se conhecia Badiou. Depois de levar algum tempo, finalmente realizei que apenas sobre poucas coisas se poderia abordar com eles. É preciso tomar cuidado com as palavras escolhidas e ditas, pensar muito antes de falar, como se estivesse pisando em ovos, ou num campo minado. Vocalizar, sem querer, em ato falho, um termo, um vocábulo ou conceito de uma filosofia mais tradicional é motivo para ataques, é bom estar preparado, porque os dardos virão de qualquer forma, não tem jeito. Porque, logo de cara, já se percebe, que não se é um deles.
   


quarta-feira, 13 de abril de 2016

Todo o mundo tem sangue até as orelhas



Trocando pequenas notas por e-mail com um amigo, a respeito da leitura de uma entrevista com Alain Badiou, publicada no CartaMaior em 2012. Num determinado momento da entrevista, enquanto Badiou tece considerações a respeito da ideia comunista ou hipótese comunista, conceito criado por ele a partir da ideia original do termo comunismo, o repórter pegando um gancho, o interrompe de forma provocativa com uma pergunta a respeito das matanças durante o Stalinismo. Badiou não se abala, nem se faz de rogado, e responde com a frase que copiei e transformei no título desse texto: “todo o mundo tem sangue até as orelhas”. Depois, aproveita toda a sua imensa cultura histórica, e constrói uma catedral narrativa de todo aquele período. Em seguida estabelece diversas conexões do fenômeno matanças, genocídios e guerras etc., com exemplos similares em outros momentos da história, dentre os quais o do próprio Cristianismo, que segundo Badiou, apresenta dois exemplos, duas visões do Cristianismo bem nítidas e distintas. Uma é a visão de São Francisco de Assis, que é: “o advento da ideia de uma verdadeira generosidade para com os pobres”. Mas, do outro lado, o Cristianismo “também é a inquisição, o terror, a tortura e o suplício”. Foi nesse momento que o meu interlocutor, como o bom cristão militante que é, decidiu contrapor aos crimes do Cristianismo apresentados por Badiou, os crimes da época Stalinista. Num tom, como tivesse saído com armas em punho, em franca defesa do Cristianismo. Voltando ao texto da entrevista, lembro de uma passagem em outro momento particular, onde Badiou chega a propor uma “absolvição dos vocábulos”, segundo palavras dele. Gostei muito da ideia de: "absolvição dos vocábulos". Porque não é o Cristianismo que é mais ou menos criminoso que o Stalinismo, nem vice versa, o vocábulo não é o “x” da questão. A interpretação que faço da leitura de Badiou, se é que entendi bem, o que Badiou realmente quis dizer, é que a matança ocorrida durante o Stalinismo não tem a sua razão de ser no Stalinismo em si. Da mesma forma se pode raciocinar quanto ao período crítico da Inquisição no Cristianismo. Badiou nos lembra também da Primeira Grande Guerra, levada a frente pelas três democracias mais avançadas da Europa na ocasião, Alemanha, Inglaterra e França, que gerou um morticínio imenso de milhões de vidas, um episódio absurdo e apocalíptico. Dessa forma verificamos, que as matanças ocorridas ao longo da História, não são fruto apenas de uma narrativa ideológica dominante, que estiver dando as cartas na ocasião, seja o Cristianismo, as Democracias avançadas da Europa durante a primeira guerra, ou até mesmo o Stalinismo. Portanto, não é uma ideologia, que produz matanças. Infelizmente ainda não perdemos a necessidade de destruir vidas, de matar compulsivamente, faz-se isso diária e cotidianamente. Desde uma simples medida política negociada no Congresso em Brasília, que traga arroxo para a classe trabalhadora, e que, em consequência, provocará mortes. Como intervenções diretas de uma potência imperial e hegemônica, contra um pequeno país soberano ou outro nem tanto, que provocam guerras civis e mais mortes e matanças. Como assistimos recentemente na Líbia, e agora de forma indireta também na Síria, porque na intervenção Síria são usados agentes desestabilizadores locais, grupos sírios de oposição a Assad, que foram armados até os dentes, pelas potências ocidentais e pela Arábia Saudita, além de armas poderosas, também com recursos financeiros. Quem não se lembra do genocídio perpetrado pela Sérvia nos anos 90, contra grupos étnicos minoritários da Croácia e da Bósnia? Uma limpeza étnica? E assim, a matança continua não importa a narrativa dominante da vez. Para matar não se precisa de uma narrativa justificadora antes de uma chacina, ou de um genocídio, não se despreza essa possibilidade, mas em geral, constrói-se essa narrativa depois. Primeiro, mata-se! Depois conta-se a estorinha.

Assunto relacionado:"O comunismo é a ideia da emancipação de toda humanidade"

terça-feira, 12 de abril de 2016

A ÉTICA DA DIREITA



A ética hegemônica hoje na direita brasileira, é aquilo que no senso comum, é conhecido como a ética de: "dois pesos e duas medidas". Ou em outras palavras, algo similar a: "faça o que eu digo, mas não faça o eu faço". Ou ainda a dupla moral, ou o falso moralismo, como o daquele pai que conduz a família na maior linha dura da repressão em casa, e na rua se conduz na bandalha total. Como quem diz: "Na rua posso, em casa não", ou o "meu lar é sagrado". Tudo isso ficou mais do que transparente durante a semana que passou, como narrado no texto em link no rodapé. Após uma entrevista do Ministro Marco Aurélio Mello do STF, concedida ao programa Roda Viva da TV Cultura de São Paulo, transmitida ao vivo na segunda feira do dia 4 de abril. Nessa entrevista, por não poder corresponder ao que a mídia esperava dele, já que a fala do ministro foi toda no sentido de defender o que rege a Constituição Federal, atitude que deveria ser realmente, aquilo que se espera, e o papel constitucional de qualquer ministro da Suprema Corte. Razão mais que suficiente para toda a mídia hegemônica passar a semana a fazer todo tipo de ataque contra o ministro. Ataques covardes, falsos e mentirosos. Durante a semana esse foi um dos assuntos mais pautados pela imprensa de forma geral. Foi feita uma pressão enorme, expressa de forma fascista, numa tentativa de levar toda a sociedade a aderir a um tipo de pensamento único, uma narrativa única de condenação sistemática do governo central, de forma massiva, intensa, ofensiva e agressiva, que se materializou através dos ataques ao ministro, que julgaram ser defensor do governo demonizado. Tudo feito e executado de forma e estilo também fascista. Aproveito para acrescentar que, aqueles que apoiam ações praticadas por certos grupos organizados, gangues de militantes coxinhas, que se juntam vestidos de verde e amarelo, com o propósito de atacar determinadas autoridades de estado, empresários, políticos ou intelectuais favoráveis ao governo, em locais públicos, como aeroportos, restaurantes, livrarias e até em shoppings. É reprovável sob todos os aspectos, principalmente porque é uma prática fascista no sentido clássico do termo. É fascismo também, e ilegal, apoiar ou assegurar apoio nas redes sociais, a quem insulta e ataca qualquer cidadão de bem, ou um agente público de Estado. E o faz, compartilhando posts impregnados de ódio contra autoridades que pensam diferente ou que apoiam o governo. É fascismo, cercear o direito de ir e vir de qualquer cidadão, apenas porque o cidadão tem um pensamento divergente de uma corrente político ideológica, que se quer fazer hegemônica através da força física e bruta, e da pressão dolosa. Por outro lado, quando alguém fala o que se quer ouvir, canta a mesma canção, dança a mesma valsa familiar, como é o caso do ministro Gilmar Mendes. Mas que de imediato, torna-se o queridinho da vez, bajulado por toda a imprensa importante e monopolista do país. Quando pratica alguma arbitrariedade, a mídia condescendente dissimula, e escreve que não é bem assim. Quando solta um corruptor contumaz como Daniel Dantas, a mídia silencia ou justifica como algo banal, juridicamente corriqueiro, nada anormal, conclui legitimando o malfeito. Nas redes sociais, os coxinhas ficam todos excitados com a quantidade de material disponível na internet favorável aos seus interesses. "Puxa vida!" Diz um. "Quanta coisa para compartilhar!" Vaticina outro. Todo mundo a compartilhar a carinha do ministro Gilmar Mendes, como um bravo guerreiro aliado, que está enfrentando as hostes do inimigo PT de forma briosa, "é um homem de valor esse Gilmar Mendes", diz um outro coxinha. Acham tudo bonitinho, normal e legítimo proceder dessa forma. Quer dizer, considera-se normal atacar e tecer críticas a um ministro do STF, por achar que o ministro mostrou um viés mais político em suas considerações, e apoia o governo, o que nem é verdade. Agora quando outro ministro, no caso o ministro Gilmar Mendes, faz abertamente declarações de cunho político, declarações mais alinhadas com a cartilha da direita, e contrária ao governo central, nesse caso dão todo apoio ao ministro do bem. O que só revela de forma clara, que opinião política de quem é contra o governo pode, já a opinião dos favoráveis não pode. Ou seja: a evidente ética de "dois pesos e duas medidas". O que só revela a total falta de legitimidade, em quem age dessa maneira, que além de não ser legítimo, não é legal. E não é legítimo, porque é imoral, porque é ilegal e nada ético. Falando francamente, com seriedade e honestidade. É preciso reconhecer que conduta desse tipo, Não é nada nada bacana. Não é nobre nem digna, sob pretexto algum, um cidadão de bem agir, como um fascista, em sua relação com um oponente político ideológico. É próprio do regime democrático cultivar-se a tolerância em relação a todos os credos seja de que natureza for. Concluo dizendo àqueles que gritam nas ruas simulando indignar-se contra a corrupção, e que nas redes sociais agem da forma descrita acima, com o alerta: "Atenção direita, como é falso o seu moralismo".



segunda-feira, 11 de abril de 2016

O novo Herói nacional



Moro recebe treinamento nos EUA desde 2009, inclusive treinamento preparatório de como proceder nos casos de delação premiada, incluído os procedimentos da pressão psicológica necessária, para obter os resultados esperados, e também sobre como proceder em prisões preventivas sem objetos claros o suficiente, que deem margem ou causa, para a prisão arbitrária. O que para o leitor desatento à cena internacional, possa parecer mais um treinamento técnico jurídico como outro qualquer, lembro do episódio ocorrido em junho de 2013 em Hong Kong, onde Edward Snowden ex-agente da NSA, que por enquanto continua refugiado na Rússia de Putin, sob ameaças de morte pelos serviços de espionagem ianques. Naquela ocasião Snowden convocou uma coletiva de imprensa, para informar sobre toda espionagem dos EUA contra autoridades internacionais, dentre as quais figuras como Angela Merkel, Dilma Rousseff e a empresa estatal brasileira Petrobras. Dilma tinha uma visita de Estado programada aos EUA, que cancelou abruptamente. Em seguida, denunciou a espionagem contra ela durante encontro anual de chefes de Estado realizada na sede ONU. Quem não se lembra? Tudo isso que acabo de narrar, apenas para estabelecer os elos de ligação entre uma coisa e outra, isto é, entre o treinamento do Sr. Moro nos EUA e os episódios de espionagem, que já vinham em andamento e execução, contra os interesses econômicos do país e das suas empresas, incluindo as empreiteiras nacionais. Os caras são eficientes, trabalham em várias frentes, levam vários aspectos do problema em consideração, e o judiciário é um fator importante, para amarrar bem a questão em pauta, e não dar a menor chance a nenhuma falha.  Pois muito bem, o State Department têm interesse em desestabilizar regimes políticos como o brasileiro, porque não vê com bons olhos o negócio do país junto ao bloco Brics, com todas as suas tratativas, incluindo a criação do Banco dos Brics, como alternativa ao Banco Mundial e ao FMI em Washington, e da exploração de óleo e gás do pré-sal e outras questões geopolíticas. Retornando a falar de Snowden, o documentário "CitizenFour" de Laura Poitras, disponibilizado no Youtube, mostra tudo isso e outras coisas mais, e até agora o State Department não desmentiu nada do que foi vazado, porque são documentos assinados por autoridades do próprio Departamento de Estado. Por outro lado, o que o Sr. Moro, um juiz de primeira instância, fato raríssimo, está fazendo contra as empreiteiras nacionais é um crime de lesa pátria contra os interesses nacionais, transcende completamente o aspecto jurídico da questão, que deveria ser a punição dos responsáveis pelos malfeitos, e não punir as empresas envolvidas. Por que paralisar as atividades das empreiteiras no país inteiro? Gerando com isso a perda de centenas de milhares de postos de trabalho. A quem interessa esse tipo de ação? Claro, que às empreiteiras norte americanas, concorrentes das brasileiras, pelo mundo afora, que devem estar adorando, além de outras, como as chinesas. Só no Comperj em Itaboraí/RJ, segundo dados do Caged, foram mais de 24 mil trabalhadores a ficar sem emprego, uma calamidade pública num município tão pequeno e ainda pobre. Não se pode colocar todo o desemprego na conta de Moro, claro, a gente sabe também da imensa queda do valor do petróleo no mercado de commodities, que reduziu em muito o valor dos royalties recebidos pelos municípios da área de óleo e gás. Mesmo assim Moro é um perigo, um risco, que deveria ser afastado com urgência, aliás não só ele, mas toda a força tarefa da Lava Jato, já está mais do que provado, que é uma farsa, uma fraude, que foi instrumentalizada por agentes políticos, para se conseguir objetivos políticos por outros meios. Só mesmo a cegueira ideológica e sectária, de quem faz oposição, é que transformou um homem desse tipo em herói nacional, herói de meia tigela. Porque não é usual, comum, legítimo e racional se punir a pessoa jurídica, e através do judiciário se levar uma empresa à derrocada e à falência. Seria como se jogar fora a água suja do banho com o bebê junto. Quando um grande grupo empresarial quebra, em geral é por problemas na gestão do negócio, um grande grupo ser levado à bancarrota pelo judiciário é fato raro. Não é esse o papel do judiciário. O caso Enron no Texas na primeira década desse século, é um caso exemplar, da razão principal, em casos de falência, ter sido por razão econômico financeira. Quanto ao envolvimento com a corrupção, há evidências do envolvimento da empreiteira norte americana Hulliburton, em vários casos de corrupção mundo afora, com o objetivo de conseguir vantagens indevidas ou vencer licitações de forma fraudulenta, e já foi pega em várias falcatruas do tipo, sobretudo em países da África, onde há provas de ter corrompido diversos agentes públicos locais, e não conheço nenhuma ação de censura feita pelo governo americano contra a empresa. O Sr. Moro é um agente público do Estado brasileiro, tudo leva a crer, que tenha sido cooptado e aliciado para servir a outros interesses, em detrimento do interesse nacional, e que agora trabalha para a desestabilização do país, disso não resta a menor dúvida, por todo o estrago, que já foi produzido a partir de suas ações intempestivas contra as empreiteiras nacionais. Está tudo muito claro e evidente, está na cara. Quanto ao império maior, é uma outra briga, uma briga de cachorro grande, onde o que está em jogo é a manutenção da hegemonia econômica deles. A Rússia está sofrendo uma pressão enorme, com bloqueio econômico, similar ao que o império impôs durante anos ao Iran, e contra a China estão tentando o mesmo, só que de outra forma. Contra cada país uma estratégia diferente, levando-se em consideração as especificidades e peculiaridades de cada um deles. Com a Síria está todo mundo assistindo o desdobramento da intervenção americana de modo indireto, uma guerra chamada de: "por procuração", quando se utiliza de agentes desestabilizadores pagos, isto é, milicianos mercenários contratados e financiados pelos países imperialistas e seus aliados da região, como a Arábia Saudita e Israel, subsidiando-os com muito dinheiro e armas potentes. O mesmo já feito no Afganistão com o grupo fundamentalista Taleban, por ocasião da intervenção soviética naquele país, ainda no tempo da guerra fria, e todo mundo sabe muito bem qual foi o resultado e o seu desdobramento, que aliás ainda continua. A forma como foi conduzida a intervenção, levou a Síria a uma absurda guerra civil, e se não fosse o forte apoio da Rússia e do Iran, já teriam reduzido o país a pó, como fizeram no Iraque, uma civilização de mais de cinco mil anos, que teve toda a sua cultura, memória e museus, dizimada e vilipendiada pelas tropas norte-americanas. A Líbia é hoje totalmente um Estado falido, desestruturado, estuprado e ocupado por diferentes gangues ao serviço desse ou daquele grupo de interesse, um verdadeiro caos. Muitos apontam, que o agravamento da questão migratória na Europa, se deve, em parte, à destruição do regime Kadhafi. Sem falar do Egito, da Ucrânia e outros. Concluo afirmando, sem medo de errar, que tentar alcançar determinados objetivos políticos através da desestabilização total do país, é um ERRO absoluto, onde todos os brasileiros pagarão um preço muito alto, que já estamos pagando. Então por que continuar a pagá-lo? Faço essa indagação àqueles setores protagonistas favoráveis ao golpe, que para alcançá-lo, se valem do artifício de levar o país ao caos e à desestabilização total.

domingo, 10 de abril de 2016

Um sectarismo contagiante


Talvez não seja exagero afirmar, que o sectarismo esteja hoje infectando mais gente do que a dengue, e suas outras variantes juntas, Chikungunya e Zica. Enquanto a ação do mosquito Aedes Aegypti esteja atingindo alguns milhares de brasileiros, o sectarismo político está contaminando milhões. Com um resultado muito negativo para a ainda jovem democracia brasileira, uma sociedade que há apenas três décadas vivia sob uma ditadura militar de direita, e que se pensava até muito pouco tempo atrás, que após trinta anos, já tinha conseguido consolidar o seu regime democrático. Agora quando começa a ter um certo protagonismo na cena externa, país importante do G-20 na rodada Doha, forte candidato a uma vaga permanente no Conselho de Segurança da ONU, um grande país emergente membro do gigantesco bloco Brics, campeão do agro-negócio, auto-suficiente em alimentos e em fontes energéticas, renováveis ou não. Enfim, uma série de razões, que só reforça à crença na consolidação da democracia no país de forma definitiva e com um futuro promissor pela frente. Até surgir a atual crise política a partir de 2013, e que vem se agravando a cada dia que passa, sobretudo após o resultado final das urnas em 2014, que deu a vitória apertada da atual presidente para mais quatro anos de mandato. Como disse Lenine há cem anos atrás, ao dar essa expressão como título a um dos seus livros: “Esquerdismo, doença infantil do Comunismo”, o mesmo se poderia afirmar hoje em relação à extrema direita inflamada. Tanto o esquerdismo radical como o direitismo extremado do fascismo, ambos são formas extremas de sectarismo político. Ambos movidos mais por sentimentos e paixões irracionais. E que torna muito difícil, para não dizer impossível, o exercício da reflexão e do pensamento na atividade normal da política. Dito isso é possível e seguro afirmar, que hoje devido a atual conjuntura, somos muito mais afetados e atingidos pelas consequências de um ativismo político da direita sectária do que qualquer outra coisa. Porque do lado dos apoiadores do governo, da situação, quase não há ataques, já que estão mais na defensiva, em total ação reativa contra os ataques da direita. Os maiores e mais sórdidos ataques tem visíveis digitais da direita política mais sectária. Mas voltando ao fio da meada, é possível dizer ainda que, o efeito da força descomunal de paixões despertadas pelo sectarismo político, não é exagero afirmar, conduz os humanos ao período pré-histórico, pela semelhança dos sentimentos. Quando se vivia em bandos, hordas, juntos em grandes manadas, ainda absolutamente incapazes de fazer as distinções mais simples entre certo e errado, sempre comandados e guiados pelo líder do bando, onde a motivação para o agir era originada pela força do grupo, e com uma capacidade de reflexão próxima de zero. Vistos sob os olhares de hoje, não é errado considerá-los como animais irracionais, com ‘neca de piti biriba’ de subjetividade. O sectarismo político se manifesta como uma espécie de paixão, uma paixão política exacerbada. Onde o indivíduo afetado por essa paixão, participa da política como um torcedor de futebol, se comporta como um fanático num Fla Flu. E como paixão verdadeira, no exato sentido da palavra, a paixão cega, limita a visão para outros aspectos da realidade concreta. É quando em fração de segundos, num lance rápido, de uma hora para a outra, corremos o risco de revivermos sentimentos similares àqueles dos primórdios da humanidade, do tempo das cavernas. No caso, nem me refiro à caverna da República platônica, não, de forma alguma, é coisa muito mais distante no tempo. Significa despertar sentimentos nada nobres, de um tempo em que ainda se vivia mergulhado profundamente na barbárie. As imagens que encontrei, enquanto buscava numa pesquisa na net, algo que representasse a barbárie, são medonhas, horripilantes, impactantes e chocantes, de tal forma que me fez desistir de qualquer uma delas para ilustrar esse post, até que por acaso dei de cara com a frase do filósofo francês enciclopedista e iluminista do século XVIII Denis Diderot (1713-1784), que ilustra e ilumina o texto de forma brilhante apesar de possuir um fundo de tela totalmente escuro, negro. Fundo negro, que caiu como uma luva na ilustração do presente texto, e foi tudo por acaso, porque existe uma luz no fim do túnel, é inegável, que a máxima de Diderot ilustra bem, já que toda crise também pode ser aproveitada como um excelente momento de oportunidade. Mas não se pode esquecer jamais do fundo negro, que representa o atoleiro em que estamos, em meio a toda a onda de intolerância, ódio, burrice e estupidez de uma direita sectária, que só pensa em vingança e revanchismo.