quinta-feira, 14 de abril de 2016

Os Fashion filósofos


Não sei definir, mas a ideia suscitada já ajuda um pouco, aponta caminhos, rumos a seguir. Talvez fosse o amante das novidades do pensamento, e das novas tendências, tal qual num evento de moda? O que é que tem sido discutido ultimamente de mais relevante? O que está dando o que falar. Não sei, mas tudo leva a crer, que esse amante filósofo das últimas novidades do mercado do pensamento e da reflexão, caso queira levar a sério esse caminho, vai precisar trabalhar muito em pesquisas e intensas leituras, para se manter atualizado, e procurar saber quase tudo, a respeito do que tem sido publicado ultimamente nos departamentos universitários e áreas conexas do conhecimento filosófico. É um desafio e tanto, mas para quem é jovem, curioso, tem tempo disponível e disposição física e emocional, fala mais de duas línguas, tudo pode acabar sendo muito divertido, além de enriquecedor, claro. E como esse agente do conhecimento de vanguarda, é obrigado por força do ofício, a se ocupar com as novidades mais top do pensamento, não poderia receber outro nome, que não fosse o de “fashion philosopher”, ou filósofo fashion. Que não se caracteriza apenas pelo fato de ser um caçador de vanguardas top do pensamento. Também ajuda a divulgar aquilo que já deglutiu e assimilou, e finalmente aderiu com vigor. Em geral faz a divulgação, com muito proselitismo e ardor, das novas ideias. Sobre algumas delas, quando decide falar, manifesta um certo rubor facial, tal é a carga e envolvimento emocional. Em outras vezes embarga a voz, quando toca em assuntos mais delicados. Com os “fashion filósofos” conhecidos, costumo apresentar, quando encontro algum, certas dificuldades em compreender suas mentes enroladas, com muito novelos e fios de pensamentos diversos, fios desencapados e não conexos, de várias origens, autorias desconhecidas. É notável como se negligencia o valor e a importância do nome do autor, a autoria, como se o nome do autor, filósofo, crítico ou escritor, não fosse relevante. É verdade, que não é sempre assim com todos, não são todos os caçadores de vanguarda, que apresentam tal distúrbio. Mas a preferência maior é pela tendência preponderante, a escola ou corrente, por onde navega esse ou aquele divulgador fashion filósofo, que não faz mais do que pegar uma onda e fluir naquela corrente de pensamento em evidência. Noto também, que não costumam se valer, em momento algum, de qualquer uma das grandes narrativas históricas como referência em seus trabalhos e "papers". Deixam claro não precisar de referências históricas, que julgam desnecessárias ou irrelevantes. Só fazem conexões com outros dados no âmbito micro, e no estrito campo específico da área de conhecimento onde estão a trabalhar. Não transcendem jamais o foco de estudo, as especulações e conjecturas são limitadas ao objeto específico da pesquisa, aliás não gostam nem um pouco do vocábulo "transcendência", além de muitos outros, e também de toda a metafísica. Não se interessam nem um pouco, por ontologia. Seria um retorno ao positivismo? É bom ressaltar, e chamar a atenção, para a impressionante quantidade de vocábulos condenados e satanizados por esse tipo de filósofo. O que logo me fez lembrar de Alain Badiou e de sua ideia da “absolvição dos vocábulos”, e quase indiquei algumas cápsulas de Badiou. Puxa vida! Como eles estão precisando! Pensei. E precisam praticar com urgência a “absolvição de vocábulos”. Mas logo logo desisti, quando me dei conta, que Alain Badiou não tem o "phisique du rôle" adequado e verossímil, nem apelo suficiente, para atrair o interesse de um jovem filósofo fashion. Em primeiro lugar porque, apesar de ainda estar produtivo e extremamente lúcido, é um idoso com 79 anos completos em 17 de janeiro último, e continua ainda a falar de Marx, e para acabar de estragar tudo, até de "hipótese comunista" resolveu falar ultimamente. "Ah, é muito 'old fashion', para o meu gosto", me disse um, ao perguntar se conhecia Badiou. Depois de levar algum tempo, finalmente realizei que apenas sobre poucas coisas se poderia abordar com eles. É preciso tomar cuidado com as palavras escolhidas e ditas, pensar muito antes de falar, como se estivesse pisando em ovos, ou num campo minado. Vocalizar, sem querer, em ato falho, um termo, um vocábulo ou conceito de uma filosofia mais tradicional é motivo para ataques, é bom estar preparado, porque os dardos virão de qualquer forma, não tem jeito. Porque, logo de cara, já se percebe, que não se é um deles.
   


quarta-feira, 13 de abril de 2016

Todo o mundo tem sangue até as orelhas



Trocando pequenas notas por e-mail com um amigo, a respeito da leitura de uma entrevista com Alain Badiou, publicada no CartaMaior em 2012. Num determinado momento da entrevista, enquanto Badiou tece considerações a respeito da ideia comunista ou hipótese comunista, conceito criado por ele a partir da ideia original do termo comunismo, o repórter pegando um gancho, o interrompe de forma provocativa com uma pergunta a respeito das matanças durante o Stalinismo. Badiou não se abala, nem se faz de rogado, e responde com a frase que copiei e transformei no título desse texto: “todo o mundo tem sangue até as orelhas”. Depois, aproveita toda a sua imensa cultura histórica, e constrói uma catedral narrativa de todo aquele período. Em seguida estabelece diversas conexões do fenômeno matanças, genocídios e guerras etc., com exemplos similares em outros momentos da história, dentre os quais o do próprio Cristianismo, que segundo Badiou, apresenta dois exemplos, duas visões do Cristianismo bem nítidas e distintas. Uma é a visão de São Francisco de Assis, que é: “o advento da ideia de uma verdadeira generosidade para com os pobres”. Mas, do outro lado, o Cristianismo “também é a inquisição, o terror, a tortura e o suplício”. Foi nesse momento que o meu interlocutor, como o bom cristão militante que é, decidiu contrapor aos crimes do Cristianismo apresentados por Badiou, os crimes da época Stalinista. Num tom, como tivesse saído com armas em punho, em franca defesa do Cristianismo. Voltando ao texto da entrevista, lembro de uma passagem em outro momento particular, onde Badiou chega a propor uma “absolvição dos vocábulos”, segundo palavras dele. Gostei muito da ideia de: "absolvição dos vocábulos". Porque não é o Cristianismo que é mais ou menos criminoso que o Stalinismo, nem vice versa, o vocábulo não é o “x” da questão. A interpretação que faço da leitura de Badiou, se é que entendi bem, o que Badiou realmente quis dizer, é que a matança ocorrida durante o Stalinismo não tem a sua razão de ser no Stalinismo em si. Da mesma forma se pode raciocinar quanto ao período crítico da Inquisição no Cristianismo. Badiou nos lembra também da Primeira Grande Guerra, levada a frente pelas três democracias mais avançadas da Europa na ocasião, Alemanha, Inglaterra e França, que gerou um morticínio imenso de milhões de vidas, um episódio absurdo e apocalíptico. Dessa forma verificamos, que as matanças ocorridas ao longo da História, não são fruto apenas de uma narrativa ideológica dominante, que estiver dando as cartas na ocasião, seja o Cristianismo, as Democracias avançadas da Europa durante a primeira guerra, ou até mesmo o Stalinismo. Portanto, não é uma ideologia, que produz matanças. Infelizmente ainda não perdemos a necessidade de destruir vidas, de matar compulsivamente, faz-se isso diária e cotidianamente. Desde uma simples medida política negociada no Congresso em Brasília, que traga arroxo para a classe trabalhadora, e que, em consequência, provocará mortes. Como intervenções diretas de uma potência imperial e hegemônica, contra um pequeno país soberano ou outro nem tanto, que provocam guerras civis e mais mortes e matanças. Como assistimos recentemente na Líbia, e agora de forma indireta também na Síria, porque na intervenção Síria são usados agentes desestabilizadores locais, grupos sírios de oposição a Assad, que foram armados até os dentes, pelas potências ocidentais e pela Arábia Saudita, além de armas poderosas, também com recursos financeiros. Quem não se lembra do genocídio perpetrado pela Sérvia nos anos 90, contra grupos étnicos minoritários da Croácia e da Bósnia? Uma limpeza étnica? E assim, a matança continua não importa a narrativa dominante da vez. Para matar não se precisa de uma narrativa justificadora antes de uma chacina, ou de um genocídio, não se despreza essa possibilidade, mas em geral, constrói-se essa narrativa depois. Primeiro, mata-se! Depois conta-se a estorinha.

Assunto relacionado:"O comunismo é a ideia da emancipação de toda humanidade"

terça-feira, 12 de abril de 2016

A ÉTICA DA DIREITA



A ética hegemônica hoje na direita brasileira, é aquilo que no senso comum, é conhecido como a ética de: "dois pesos e duas medidas". Ou em outras palavras, algo similar a: "faça o que eu digo, mas não faça o eu faço". Ou ainda a dupla moral, ou o falso moralismo, como o daquele pai que conduz a família na maior linha dura da repressão em casa, e na rua se conduz na bandalha total. Como quem diz: "Na rua posso, em casa não", ou o "meu lar é sagrado". Tudo isso ficou mais do que transparente durante a semana que passou, como narrado no texto em link no rodapé. Após uma entrevista do Ministro Marco Aurélio Mello do STF, concedida ao programa Roda Viva da TV Cultura de São Paulo, transmitida ao vivo na segunda feira do dia 4 de abril. Nessa entrevista, por não poder corresponder ao que a mídia esperava dele, já que a fala do ministro foi toda no sentido de defender o que rege a Constituição Federal, atitude que deveria ser realmente, aquilo que se espera, e o papel constitucional de qualquer ministro da Suprema Corte. Razão mais que suficiente para toda a mídia hegemônica passar a semana a fazer todo tipo de ataque contra o ministro. Ataques covardes, falsos e mentirosos. Durante a semana esse foi um dos assuntos mais pautados pela imprensa de forma geral. Foi feita uma pressão enorme, expressa de forma fascista, numa tentativa de levar toda a sociedade a aderir a um tipo de pensamento único, uma narrativa única de condenação sistemática do governo central, de forma massiva, intensa, ofensiva e agressiva, que se materializou através dos ataques ao ministro, que julgaram ser defensor do governo demonizado. Tudo feito e executado de forma e estilo também fascista. Aproveito para acrescentar que, aqueles que apoiam ações praticadas por certos grupos organizados, gangues de militantes coxinhas, que se juntam vestidos de verde e amarelo, com o propósito de atacar determinadas autoridades de estado, empresários, políticos ou intelectuais favoráveis ao governo, em locais públicos, como aeroportos, restaurantes, livrarias e até em shoppings. É reprovável sob todos os aspectos, principalmente porque é uma prática fascista no sentido clássico do termo. É fascismo também, e ilegal, apoiar ou assegurar apoio nas redes sociais, a quem insulta e ataca qualquer cidadão de bem, ou um agente público de Estado. E o faz, compartilhando posts impregnados de ódio contra autoridades que pensam diferente ou que apoiam o governo. É fascismo, cercear o direito de ir e vir de qualquer cidadão, apenas porque o cidadão tem um pensamento divergente de uma corrente político ideológica, que se quer fazer hegemônica através da força física e bruta, e da pressão dolosa. Por outro lado, quando alguém fala o que se quer ouvir, canta a mesma canção, dança a mesma valsa familiar, como é o caso do ministro Gilmar Mendes. Mas que de imediato, torna-se o queridinho da vez, bajulado por toda a imprensa importante e monopolista do país. Quando pratica alguma arbitrariedade, a mídia condescendente dissimula, e escreve que não é bem assim. Quando solta um corruptor contumaz como Daniel Dantas, a mídia silencia ou justifica como algo banal, juridicamente corriqueiro, nada anormal, conclui legitimando o malfeito. Nas redes sociais, os coxinhas ficam todos excitados com a quantidade de material disponível na internet favorável aos seus interesses. "Puxa vida!" Diz um. "Quanta coisa para compartilhar!" Vaticina outro. Todo mundo a compartilhar a carinha do ministro Gilmar Mendes, como um bravo guerreiro aliado, que está enfrentando as hostes do inimigo PT de forma briosa, "é um homem de valor esse Gilmar Mendes", diz um outro coxinha. Acham tudo bonitinho, normal e legítimo proceder dessa forma. Quer dizer, considera-se normal atacar e tecer críticas a um ministro do STF, por achar que o ministro mostrou um viés mais político em suas considerações, e apoia o governo, o que nem é verdade. Agora quando outro ministro, no caso o ministro Gilmar Mendes, faz abertamente declarações de cunho político, declarações mais alinhadas com a cartilha da direita, e contrária ao governo central, nesse caso dão todo apoio ao ministro do bem. O que só revela de forma clara, que opinião política de quem é contra o governo pode, já a opinião dos favoráveis não pode. Ou seja: a evidente ética de "dois pesos e duas medidas". O que só revela a total falta de legitimidade, em quem age dessa maneira, que além de não ser legítimo, não é legal. E não é legítimo, porque é imoral, porque é ilegal e nada ético. Falando francamente, com seriedade e honestidade. É preciso reconhecer que conduta desse tipo, Não é nada nada bacana. Não é nobre nem digna, sob pretexto algum, um cidadão de bem agir, como um fascista, em sua relação com um oponente político ideológico. É próprio do regime democrático cultivar-se a tolerância em relação a todos os credos seja de que natureza for. Concluo dizendo àqueles que gritam nas ruas simulando indignar-se contra a corrupção, e que nas redes sociais agem da forma descrita acima, com o alerta: "Atenção direita, como é falso o seu moralismo".



segunda-feira, 11 de abril de 2016

O novo Herói nacional



Moro recebe treinamento nos EUA desde 2009, inclusive treinamento preparatório de como proceder nos casos de delação premiada, incluído os procedimentos da pressão psicológica necessária, para obter os resultados esperados, e também sobre como proceder em prisões preventivas sem objetos claros o suficiente, que deem margem ou causa, para a prisão arbitrária. O que para o leitor desatento à cena internacional, possa parecer mais um treinamento técnico jurídico como outro qualquer, lembro do episódio ocorrido em junho de 2013 em Hong Kong, onde Edward Snowden ex-agente da NSA, que por enquanto continua refugiado na Rússia de Putin, sob ameaças de morte pelos serviços de espionagem ianques. Naquela ocasião Snowden convocou uma coletiva de imprensa, para informar sobre toda espionagem dos EUA contra autoridades internacionais, dentre as quais figuras como Angela Merkel, Dilma Rousseff e a empresa estatal brasileira Petrobras. Dilma tinha uma visita de Estado programada aos EUA, que cancelou abruptamente. Em seguida, denunciou a espionagem contra ela durante encontro anual de chefes de Estado realizada na sede ONU. Quem não se lembra? Tudo isso que acabo de narrar, apenas para estabelecer os elos de ligação entre uma coisa e outra, isto é, entre o treinamento do Sr. Moro nos EUA e os episódios de espionagem, que já vinham em andamento e execução, contra os interesses econômicos do país e das suas empresas, incluindo as empreiteiras nacionais. Os caras são eficientes, trabalham em várias frentes, levam vários aspectos do problema em consideração, e o judiciário é um fator importante, para amarrar bem a questão em pauta, e não dar a menor chance a nenhuma falha.  Pois muito bem, o State Department têm interesse em desestabilizar regimes políticos como o brasileiro, porque não vê com bons olhos o negócio do país junto ao bloco Brics, com todas as suas tratativas, incluindo a criação do Banco dos Brics, como alternativa ao Banco Mundial e ao FMI em Washington, e da exploração de óleo e gás do pré-sal e outras questões geopolíticas. Retornando a falar de Snowden, o documentário "CitizenFour" de Laura Poitras, disponibilizado no Youtube, mostra tudo isso e outras coisas mais, e até agora o State Department não desmentiu nada do que foi vazado, porque são documentos assinados por autoridades do próprio Departamento de Estado. Por outro lado, o que o Sr. Moro, um juiz de primeira instância, fato raríssimo, está fazendo contra as empreiteiras nacionais é um crime de lesa pátria contra os interesses nacionais, transcende completamente o aspecto jurídico da questão, que deveria ser a punição dos responsáveis pelos malfeitos, e não punir as empresas envolvidas. Por que paralisar as atividades das empreiteiras no país inteiro? Gerando com isso a perda de centenas de milhares de postos de trabalho. A quem interessa esse tipo de ação? Claro, que às empreiteiras norte americanas, concorrentes das brasileiras, pelo mundo afora, que devem estar adorando, além de outras, como as chinesas. Só no Comperj em Itaboraí/RJ, segundo dados do Caged, foram mais de 24 mil trabalhadores a ficar sem emprego, uma calamidade pública num município tão pequeno e ainda pobre. Não se pode colocar todo o desemprego na conta de Moro, claro, a gente sabe também da imensa queda do valor do petróleo no mercado de commodities, que reduziu em muito o valor dos royalties recebidos pelos municípios da área de óleo e gás. Mesmo assim Moro é um perigo, um risco, que deveria ser afastado com urgência, aliás não só ele, mas toda a força tarefa da Lava Jato, já está mais do que provado, que é uma farsa, uma fraude, que foi instrumentalizada por agentes políticos, para se conseguir objetivos políticos por outros meios. Só mesmo a cegueira ideológica e sectária, de quem faz oposição, é que transformou um homem desse tipo em herói nacional, herói de meia tigela. Porque não é usual, comum, legítimo e racional se punir a pessoa jurídica, e através do judiciário se levar uma empresa à derrocada e à falência. Seria como se jogar fora a água suja do banho com o bebê junto. Quando um grande grupo empresarial quebra, em geral é por problemas na gestão do negócio, um grande grupo ser levado à bancarrota pelo judiciário é fato raro. Não é esse o papel do judiciário. O caso Enron no Texas na primeira década desse século, é um caso exemplar, da razão principal, em casos de falência, ter sido por razão econômico financeira. Quanto ao envolvimento com a corrupção, há evidências do envolvimento da empreiteira norte americana Hulliburton, em vários casos de corrupção mundo afora, com o objetivo de conseguir vantagens indevidas ou vencer licitações de forma fraudulenta, e já foi pega em várias falcatruas do tipo, sobretudo em países da África, onde há provas de ter corrompido diversos agentes públicos locais, e não conheço nenhuma ação de censura feita pelo governo americano contra a empresa. O Sr. Moro é um agente público do Estado brasileiro, tudo leva a crer, que tenha sido cooptado e aliciado para servir a outros interesses, em detrimento do interesse nacional, e que agora trabalha para a desestabilização do país, disso não resta a menor dúvida, por todo o estrago, que já foi produzido a partir de suas ações intempestivas contra as empreiteiras nacionais. Está tudo muito claro e evidente, está na cara. Quanto ao império maior, é uma outra briga, uma briga de cachorro grande, onde o que está em jogo é a manutenção da hegemonia econômica deles. A Rússia está sofrendo uma pressão enorme, com bloqueio econômico, similar ao que o império impôs durante anos ao Iran, e contra a China estão tentando o mesmo, só que de outra forma. Contra cada país uma estratégia diferente, levando-se em consideração as especificidades e peculiaridades de cada um deles. Com a Síria está todo mundo assistindo o desdobramento da intervenção americana de modo indireto, uma guerra chamada de: "por procuração", quando se utiliza de agentes desestabilizadores pagos, isto é, milicianos mercenários contratados e financiados pelos países imperialistas e seus aliados da região, como a Arábia Saudita e Israel, subsidiando-os com muito dinheiro e armas potentes. O mesmo já feito no Afganistão com o grupo fundamentalista Taleban, por ocasião da intervenção soviética naquele país, ainda no tempo da guerra fria, e todo mundo sabe muito bem qual foi o resultado e o seu desdobramento, que aliás ainda continua. A forma como foi conduzida a intervenção, levou a Síria a uma absurda guerra civil, e se não fosse o forte apoio da Rússia e do Iran, já teriam reduzido o país a pó, como fizeram no Iraque, uma civilização de mais de cinco mil anos, que teve toda a sua cultura, memória e museus, dizimada e vilipendiada pelas tropas norte-americanas. A Líbia é hoje totalmente um Estado falido, desestruturado, estuprado e ocupado por diferentes gangues ao serviço desse ou daquele grupo de interesse, um verdadeiro caos. Muitos apontam, que o agravamento da questão migratória na Europa, se deve, em parte, à destruição do regime Kadhafi. Sem falar do Egito, da Ucrânia e outros. Concluo afirmando, sem medo de errar, que tentar alcançar determinados objetivos políticos através da desestabilização total do país, é um ERRO absoluto, onde todos os brasileiros pagarão um preço muito alto, que já estamos pagando. Então por que continuar a pagá-lo? Faço essa indagação àqueles setores protagonistas favoráveis ao golpe, que para alcançá-lo, se valem do artifício de levar o país ao caos e à desestabilização total.

domingo, 10 de abril de 2016

Um sectarismo contagiante


Talvez não seja exagero afirmar, que o sectarismo esteja hoje infectando mais gente do que a dengue, e suas outras variantes juntas, Chikungunya e Zica. Enquanto a ação do mosquito Aedes Aegypti esteja atingindo alguns milhares de brasileiros, o sectarismo político está contaminando milhões. Com um resultado muito negativo para a ainda jovem democracia brasileira, uma sociedade que há apenas três décadas vivia sob uma ditadura militar de direita, e que se pensava até muito pouco tempo atrás, que após trinta anos, já tinha conseguido consolidar o seu regime democrático. Agora quando começa a ter um certo protagonismo na cena externa, país importante do G-20 na rodada Doha, forte candidato a uma vaga permanente no Conselho de Segurança da ONU, um grande país emergente membro do gigantesco bloco Brics, campeão do agro-negócio, auto-suficiente em alimentos e em fontes energéticas, renováveis ou não. Enfim, uma série de razões, que só reforça à crença na consolidação da democracia no país de forma definitiva e com um futuro promissor pela frente. Até surgir a atual crise política a partir de 2013, e que vem se agravando a cada dia que passa, sobretudo após o resultado final das urnas em 2014, que deu a vitória apertada da atual presidente para mais quatro anos de mandato. Como disse Lenine há cem anos atrás, ao dar essa expressão como título a um dos seus livros: “Esquerdismo, doença infantil do Comunismo”, o mesmo se poderia afirmar hoje em relação à extrema direita inflamada. Tanto o esquerdismo radical como o direitismo extremado do fascismo, ambos são formas extremas de sectarismo político. Ambos movidos mais por sentimentos e paixões irracionais. E que torna muito difícil, para não dizer impossível, o exercício da reflexão e do pensamento na atividade normal da política. Dito isso é possível e seguro afirmar, que hoje devido a atual conjuntura, somos muito mais afetados e atingidos pelas consequências de um ativismo político da direita sectária do que qualquer outra coisa. Porque do lado dos apoiadores do governo, da situação, quase não há ataques, já que estão mais na defensiva, em total ação reativa contra os ataques da direita. Os maiores e mais sórdidos ataques tem visíveis digitais da direita política mais sectária. Mas voltando ao fio da meada, é possível dizer ainda que, o efeito da força descomunal de paixões despertadas pelo sectarismo político, não é exagero afirmar, conduz os humanos ao período pré-histórico, pela semelhança dos sentimentos. Quando se vivia em bandos, hordas, juntos em grandes manadas, ainda absolutamente incapazes de fazer as distinções mais simples entre certo e errado, sempre comandados e guiados pelo líder do bando, onde a motivação para o agir era originada pela força do grupo, e com uma capacidade de reflexão próxima de zero. Vistos sob os olhares de hoje, não é errado considerá-los como animais irracionais, com ‘neca de piti biriba’ de subjetividade. O sectarismo político se manifesta como uma espécie de paixão, uma paixão política exacerbada. Onde o indivíduo afetado por essa paixão, participa da política como um torcedor de futebol, se comporta como um fanático num Fla Flu. E como paixão verdadeira, no exato sentido da palavra, a paixão cega, limita a visão para outros aspectos da realidade concreta. É quando em fração de segundos, num lance rápido, de uma hora para a outra, corremos o risco de revivermos sentimentos similares àqueles dos primórdios da humanidade, do tempo das cavernas. No caso, nem me refiro à caverna da República platônica, não, de forma alguma, é coisa muito mais distante no tempo. Significa despertar sentimentos nada nobres, de um tempo em que ainda se vivia mergulhado profundamente na barbárie. As imagens que encontrei, enquanto buscava numa pesquisa na net, algo que representasse a barbárie, são medonhas, horripilantes, impactantes e chocantes, de tal forma que me fez desistir de qualquer uma delas para ilustrar esse post, até que por acaso dei de cara com a frase do filósofo francês enciclopedista e iluminista do século XVIII Denis Diderot (1713-1784), que ilustra e ilumina o texto de forma brilhante apesar de possuir um fundo de tela totalmente escuro, negro. Fundo negro, que caiu como uma luva na ilustração do presente texto, e foi tudo por acaso, porque existe uma luz no fim do túnel, é inegável, que a máxima de Diderot ilustra bem, já que toda crise também pode ser aproveitada como um excelente momento de oportunidade. Mas não se pode esquecer jamais do fundo negro, que representa o atoleiro em que estamos, em meio a toda a onda de intolerância, ódio, burrice e estupidez de uma direita sectária, que só pensa em vingança e revanchismo.     

As polêmicas declarações de ministros do STF



A semana iniciou-se com a célebre participação do ministro do STF Marco Aurélio Mello no programa Roda Viva da tevê Cultura de São Paulo, que por sinal deixou o status de tevê pública de Estado, que carregou durante décadas, para se transformar numa emissora completamente dominada e aparelhada ideologicamente pela turma de apoiadores do governador Alckmin. Costumava assistir sempre esse programa, nos bons tempos, mas depois que percebi no que o canal havia se transformado, passei a não sintonizar mas a TV Cultura de SP. Mesmo assim, vez ou outra dou uma zapeada para verificar quem é o entrevistado da vez, e como na segunda passada era o ministro Mello, resolvi apostar para ver o que iria acontecer. Na primeira rodada de perguntas, percebi que todos os entrevistadores, incluindo o âncora colunista da Veja Augusto Nunes, eram todos apoiadores de Alckmin, uma espécie de tropa de choque do governador, ou seja faziam abertamente oposição ao governo Dilma Rousseff. O que fica claro no tom e teor das perguntas, nas distorções de sentidos conceituais, pelas intenções claras de pressionar o entrevistado a se posicionar contra o Planalto, insistindo num ponto só, e por todo contorcionismo verbal, etc, em suma, uma evidente forçação de barra. Mas o ministro, experiente, um intransigente defensor da Constituição, foi se saindo bem das perguntas, em algumas situações precisou ser mais firme e até duro em algumas respostas, tal a insistência e veemência de alguns arguidores. Confesso que isso me desagradou, e em alguns momentos usei o controle remoto em busca de algo melhor. É muito desagradável a experiência de lidar com uma malta enfurecida de pensamento único, Nelson Rodrigues gostava de afirmar que: “toda a unanimidade é burra”, com o que concordo plenamente. Gosto da presença do contraditório nem que seja em menor número, porque é fundamental, para dar um certo dinamismo e fluidez ao pensamento. Todo mundo pensando do mesmo jeito é muito chato. Dessa forma acabei não assistindo ao programa todo, mas nem precisava, porque durante toda a semana, toda grande imprensa já partidarizada há muito tempo, publicou muito a respeito da entrevista do ministro, com críticas de todo tipo e algumas ilações suspeitas e desonestas. Afirmações inverídicas de que o ministro Mello tinha aderido ao governo Dilma, que era um petista roxo, e outras coisas do gênero, numa total irresponsabilidade e leviandades típicas de imprensa marrom. Há muito que não se faz mais um jornalismo sério, responsável e investigativo, salvo raríssimas exceções e alguns blogs independentes. Não preciso dizer, que os leitores adeptos dessa posição da mídia golpista, deitaram e rolaram. usaram e abusaram no compartilhamento desse tipo de matéria tendenciosa e deturpadora da fala do ministro Mello. Inclusive aqueles, que valendo-se do anonimato que a internet proporciona, vieram a público nas redes sociais a criticar o ministro, "como é que pode um ministro do STF fazer declarações favoráveis ao governo de forma tão clara", teclava um e "que isso não poderia acontecer" dizia outro. Teve gente que assinou até moção pedindo a cassação do ministro encaminhada ao Senado Federal. Uma coisa! Acontece, que percebi entre esses agora rigorosos críticos do ministro Mello, alguns que são useiros e vezeiros em compartilhar posts com o ministro Gilmar Mendes atacando o governo e o Partido dos Trabalhadores. Ah! Isso quer dizer então, que atacar o governo pode, é permitido, defender a Constituição não? Então aquelas críticas todas eram pura balela, conversa fiada ou para boi dormir? Não era para valer, e sim dois pesos e duas medidas? Como é que pode? Gente supostamente inteligente entrando em contradição, e sem noção? Ou se é contra declarações de qualquer ministro do STF e ponto, ou não se é. Agora, movido apenas por sentimentos políticos sectários, apoiar apenas o lado que pensa como a gente, e condenar o outro, NÃO PODE! Não é correto nem ético, porque são dois pesos e duas medidas. É muito perigoso se perder de vista o senso de justiça, por qualquer motivo, ainda mais agora estimulados pela crise política, que contaminou toda a cena política, o risco de retrocesso é muito grande. Porque se perdermos o senso de justiça, logo em seguida voltaremos às cavernas e o passo seguinte será a barbárie.
Assunto conexo:
http://www.vermelho.org.br/noticia/278916-1

quarta-feira, 6 de abril de 2016

O bom versus o mau


Cada dia que passa mais me convenço, que setores da nossa classe média, em particular aqueles setores, que hoje em dia abraçaram para valer, o ideário da direita política, GOSTAM de acreditar em fábulas. Com as suas pautas, adeptos de preconceitos sociais, confiantes na eficácia de sua estratégia de desqualificar adversários, da intensa campanha negativa contra as políticas públicas, que favorecem mais os mais pobres, demonização contra os cotistas negros, e fiéis adeptos da campanha do impeachment contra a presidente legitimamente eleita em 2014, etc. Enfim todos aqueles, que hoje em dia se convencionou chamar de ‘coxinhas’. Cada dia me convenço mais, que esses setores da classe média GOSTAM de acreditar em fábulas. Ou então assistem muito películas do cinema norte-americano, principalmente aos filmes de cowboy, a eterna luta do bem contra o mal, ou no caso de Hollywood era mesmo o bom contra o ruim, ou seja, numa inversão total de lugar entre bom e ruim. Por que o índio era considerado ruim por exemplo? Se o era, era por uma lógica partidária e tendenciosa, era o ponto de vista dos não-índios, os brancos. Portanto completamente relativizado e invertido, isto é, o bandido ocupando de forma sub-reptícia e errônea o lugar do mocinho. Por outro lado, estou adorando a emergência de todas essas manifestações individuais no campo da direita, porque está dando chance de vir à tona muita coisa ruim, emoções e sentimentos brotarem dos esgotos mentais, coisa bem peculiar a alguns setores da classe média tradicional. Está ficando tudo muito transparente. Porque costumava lidar com gente, a quem costumava idealizar um pouco o caráter. É natural mitificarmos a ideia que fazemos de alguém quando não a conhecemos direito. Agora com todas essas manifestações vindo à tona, muita gente resolveu aproveitar a onda e sair definitivamente do armário ideológico, o que é ótimo. Junto com isso trouxe também todo um arsenal preconceituoso, uma espécie de cartilha do ódio e da intolerância, cartilha a que se manteve fiel durante a vida toda, pois sempre pensou dessa forma, só não tinha chance de mostrar em público. Por essa razão é que quase ninguém desconfiava o que esse cidadão ‘coxinha’ pensava, não havia jeito de descobrir, se não exibia. Mas agora não, agora está sendo diferente, quase todos perderam a vergonha de expor até mesmo os piores preconceitos. Não tem o menor pudor em mostrar simpatia por Eduardo Cunha, pois ele está prestando um serviço útil, embora muito sujo. Tudo vale quando o objetivo é derrubar o atual governo, nacionalista e único que tem autoridade a falar com e pelos pobres, porque tem autoridade para tal. Lula por exemplo é um ex-pobre dos mais autênticos e verdadeiros em sua forma peculiar de ser: homem, pobre, mestiço, nordestino, ex-metalúrgico, ex-sindicalista e que chegou na vida, depois de entrar na carreira política, ao cargo máximo de presidente da República. Em qualquer país do mundo seria enaltecido por sua vida de conquistas, aquele que veio do nada e subiu na vida por seu próprio esforço e mérito, o chamado "self-made-man". Tem legitimidade portanto, porque fez, trabalhou, tanto Lula como a sua sucessora, que deu continuidade ao mesmo projeto político de inclusão social e ampliação da democracia brasileira, que apesar de tudo que foi feito, ainda continua com um enorme passivo social, resultado de uma dívida quase impagável e ainda uma enorme desigualdade. O trabalho está incompleto, e com a crise há risco de retrocesso em alguns programas. Tudo realizado através das políticas públicas implementadas, não apenas as de transferência de renda, como também todas as outras em execução, como o Minha Casa, o Mais Médicos, Luz para todos, o Fiéis, Prouni, o programa de cotas para negros e afrodescendentes, e dezenas de outros programas, que é até cansativo ficar mencionando o nome de cada um deles. Agora é muito curioso assistir a atual superexposição de ‘coxinhas’, dentre as quais a de alguns conhecidos. E como está sendo revelador tudo isso! Estão exibindo as suas piores crenças, cheias de ódio e preconceitos, as suas entranhas pútridas e sem o menor pudor moral em exibi-las publicamente, estão mostrando a cara, e ela, não está nada bem na foto. E o mais curioso dessa história toda é verificar, que como nos filmes de Hollywood, eles passaram a usar a estratégia do jogo do bom contra o ruim, o mau em estado puro. É claro que segundo essa lógica invertida, os bons serão sempre apenas os coxinhas, e o mal absoluto é cada petralha, governista, agente público de estado ou os seus apoiadores, numa total inversão de valores. Como é que gente que cultiva e destila o ódio, pode se colocar em algum lugar que seja considerado bom? Não pode ser, em hipótese alguma, só mesmo sob o império da desonestidade moral, intelectual, de um caráter completamente corrompido pela ambição desmedida e pela injustiça. Para concluir, na hipótese de concordar com a lógica hollywoodiana do bom contra o mau, trazendo para dentro da história do Brasil, e a ser considerado assim; se existe bandido nessa nossa relação histórica, está mesmo visto, que esse bandido não está no campo dos expoliados e explorados, dos condenados da terra como dizia Frantz Fanon. Quem fez e continua fazendo o maior mal, a quem? Respondam e terão a resposta, é simples.