domingo, 10 de abril de 2016

As polêmicas declarações de ministros do STF



A semana iniciou-se com a célebre participação do ministro do STF Marco Aurélio Mello no programa Roda Viva da tevê Cultura de São Paulo, que por sinal deixou o status de tevê pública de Estado, que carregou durante décadas, para se transformar numa emissora completamente dominada e aparelhada ideologicamente pela turma de apoiadores do governador Alckmin. Costumava assistir sempre esse programa, nos bons tempos, mas depois que percebi no que o canal havia se transformado, passei a não sintonizar mas a TV Cultura de SP. Mesmo assim, vez ou outra dou uma zapeada para verificar quem é o entrevistado da vez, e como na segunda passada era o ministro Mello, resolvi apostar para ver o que iria acontecer. Na primeira rodada de perguntas, percebi que todos os entrevistadores, incluindo o âncora colunista da Veja Augusto Nunes, eram todos apoiadores de Alckmin, uma espécie de tropa de choque do governador, ou seja faziam abertamente oposição ao governo Dilma Rousseff. O que fica claro no tom e teor das perguntas, nas distorções de sentidos conceituais, pelas intenções claras de pressionar o entrevistado a se posicionar contra o Planalto, insistindo num ponto só, e por todo contorcionismo verbal, etc, em suma, uma evidente forçação de barra. Mas o ministro, experiente, um intransigente defensor da Constituição, foi se saindo bem das perguntas, em algumas situações precisou ser mais firme e até duro em algumas respostas, tal a insistência e veemência de alguns arguidores. Confesso que isso me desagradou, e em alguns momentos usei o controle remoto em busca de algo melhor. É muito desagradável a experiência de lidar com uma malta enfurecida de pensamento único, Nelson Rodrigues gostava de afirmar que: “toda a unanimidade é burra”, com o que concordo plenamente. Gosto da presença do contraditório nem que seja em menor número, porque é fundamental, para dar um certo dinamismo e fluidez ao pensamento. Todo mundo pensando do mesmo jeito é muito chato. Dessa forma acabei não assistindo ao programa todo, mas nem precisava, porque durante toda a semana, toda grande imprensa já partidarizada há muito tempo, publicou muito a respeito da entrevista do ministro, com críticas de todo tipo e algumas ilações suspeitas e desonestas. Afirmações inverídicas de que o ministro Mello tinha aderido ao governo Dilma, que era um petista roxo, e outras coisas do gênero, numa total irresponsabilidade e leviandades típicas de imprensa marrom. Há muito que não se faz mais um jornalismo sério, responsável e investigativo, salvo raríssimas exceções e alguns blogs independentes. Não preciso dizer, que os leitores adeptos dessa posição da mídia golpista, deitaram e rolaram. usaram e abusaram no compartilhamento desse tipo de matéria tendenciosa e deturpadora da fala do ministro Mello. Inclusive aqueles, que valendo-se do anonimato que a internet proporciona, vieram a público nas redes sociais a criticar o ministro, "como é que pode um ministro do STF fazer declarações favoráveis ao governo de forma tão clara", teclava um e "que isso não poderia acontecer" dizia outro. Teve gente que assinou até moção pedindo a cassação do ministro encaminhada ao Senado Federal. Uma coisa! Acontece, que percebi entre esses agora rigorosos críticos do ministro Mello, alguns que são useiros e vezeiros em compartilhar posts com o ministro Gilmar Mendes atacando o governo e o Partido dos Trabalhadores. Ah! Isso quer dizer então, que atacar o governo pode, é permitido, defender a Constituição não? Então aquelas críticas todas eram pura balela, conversa fiada ou para boi dormir? Não era para valer, e sim dois pesos e duas medidas? Como é que pode? Gente supostamente inteligente entrando em contradição, e sem noção? Ou se é contra declarações de qualquer ministro do STF e ponto, ou não se é. Agora, movido apenas por sentimentos políticos sectários, apoiar apenas o lado que pensa como a gente, e condenar o outro, NÃO PODE! Não é correto nem ético, porque são dois pesos e duas medidas. É muito perigoso se perder de vista o senso de justiça, por qualquer motivo, ainda mais agora estimulados pela crise política, que contaminou toda a cena política, o risco de retrocesso é muito grande. Porque se perdermos o senso de justiça, logo em seguida voltaremos às cavernas e o passo seguinte será a barbárie.
Assunto conexo:
http://www.vermelho.org.br/noticia/278916-1

quarta-feira, 6 de abril de 2016

O bom versus o mau


Cada dia que passa mais me convenço, que setores da nossa classe média, em particular aqueles setores, que hoje em dia abraçaram para valer, o ideário da direita política, GOSTAM de acreditar em fábulas. Com as suas pautas, adeptos de preconceitos sociais, confiantes na eficácia de sua estratégia de desqualificar adversários, da intensa campanha negativa contra as políticas públicas, que favorecem mais os mais pobres, demonização contra os cotistas negros, e fiéis adeptos da campanha do impeachment contra a presidente legitimamente eleita em 2014, etc. Enfim todos aqueles, que hoje em dia se convencionou chamar de ‘coxinhas’. Cada dia me convenço mais, que esses setores da classe média GOSTAM de acreditar em fábulas. Ou então assistem muito películas do cinema norte-americano, principalmente aos filmes de cowboy, a eterna luta do bem contra o mal, ou no caso de Hollywood era mesmo o bom contra o ruim, ou seja, numa inversão total de lugar entre bom e ruim. Por que o índio era considerado ruim por exemplo? Se o era, era por uma lógica partidária e tendenciosa, era o ponto de vista dos não-índios, os brancos. Portanto completamente relativizado e invertido, isto é, o bandido ocupando de forma sub-reptícia e errônea o lugar do mocinho. Por outro lado, estou adorando a emergência de todas essas manifestações individuais no campo da direita, porque está dando chance de vir à tona muita coisa ruim, emoções e sentimentos brotarem dos esgotos mentais, coisa bem peculiar a alguns setores da classe média tradicional. Está ficando tudo muito transparente. Porque costumava lidar com gente, a quem costumava idealizar um pouco o caráter. É natural mitificarmos a ideia que fazemos de alguém quando não a conhecemos direito. Agora com todas essas manifestações vindo à tona, muita gente resolveu aproveitar a onda e sair definitivamente do armário ideológico, o que é ótimo. Junto com isso trouxe também todo um arsenal preconceituoso, uma espécie de cartilha do ódio e da intolerância, cartilha a que se manteve fiel durante a vida toda, pois sempre pensou dessa forma, só não tinha chance de mostrar em público. Por essa razão é que quase ninguém desconfiava o que esse cidadão ‘coxinha’ pensava, não havia jeito de descobrir, se não exibia. Mas agora não, agora está sendo diferente, quase todos perderam a vergonha de expor até mesmo os piores preconceitos. Não tem o menor pudor em mostrar simpatia por Eduardo Cunha, pois ele está prestando um serviço útil, embora muito sujo. Tudo vale quando o objetivo é derrubar o atual governo, nacionalista e único que tem autoridade a falar com e pelos pobres, porque tem autoridade para tal. Lula por exemplo é um ex-pobre dos mais autênticos e verdadeiros em sua forma peculiar de ser: homem, pobre, mestiço, nordestino, ex-metalúrgico, ex-sindicalista e que chegou na vida, depois de entrar na carreira política, ao cargo máximo de presidente da República. Em qualquer país do mundo seria enaltecido por sua vida de conquistas, aquele que veio do nada e subiu na vida por seu próprio esforço e mérito, o chamado "self-made-man". Tem legitimidade portanto, porque fez, trabalhou, tanto Lula como a sua sucessora, que deu continuidade ao mesmo projeto político de inclusão social e ampliação da democracia brasileira, que apesar de tudo que foi feito, ainda continua com um enorme passivo social, resultado de uma dívida quase impagável e ainda uma enorme desigualdade. O trabalho está incompleto, e com a crise há risco de retrocesso em alguns programas. Tudo realizado através das políticas públicas implementadas, não apenas as de transferência de renda, como também todas as outras em execução, como o Minha Casa, o Mais Médicos, Luz para todos, o Fiéis, Prouni, o programa de cotas para negros e afrodescendentes, e dezenas de outros programas, que é até cansativo ficar mencionando o nome de cada um deles. Agora é muito curioso assistir a atual superexposição de ‘coxinhas’, dentre as quais a de alguns conhecidos. E como está sendo revelador tudo isso! Estão exibindo as suas piores crenças, cheias de ódio e preconceitos, as suas entranhas pútridas e sem o menor pudor moral em exibi-las publicamente, estão mostrando a cara, e ela, não está nada bem na foto. E o mais curioso dessa história toda é verificar, que como nos filmes de Hollywood, eles passaram a usar a estratégia do jogo do bom contra o ruim, o mau em estado puro. É claro que segundo essa lógica invertida, os bons serão sempre apenas os coxinhas, e o mal absoluto é cada petralha, governista, agente público de estado ou os seus apoiadores, numa total inversão de valores. Como é que gente que cultiva e destila o ódio, pode se colocar em algum lugar que seja considerado bom? Não pode ser, em hipótese alguma, só mesmo sob o império da desonestidade moral, intelectual, de um caráter completamente corrompido pela ambição desmedida e pela injustiça. Para concluir, na hipótese de concordar com a lógica hollywoodiana do bom contra o mau, trazendo para dentro da história do Brasil, e a ser considerado assim; se existe bandido nessa nossa relação histórica, está mesmo visto, que esse bandido não está no campo dos expoliados e explorados, dos condenados da terra como dizia Frantz Fanon. Quem fez e continua fazendo o maior mal, a quem? Respondam e terão a resposta, é simples.

terça-feira, 5 de abril de 2016

Resistimos ao golpe fatal?





O artigo: "Lava jato quer tirar Brasil do BRICS e CELAC" de Beto Almeida. 

É um excelente artigo, com uma visão macro de um campo mais amplo possível da realidade internacional, o das relações entre os países, da relação de cada país com seus pares e com outros nem tanto. Com potências muito mais fortes em todos os sentidos, principalmente militarmente, e que já deu provas mais do que o suficiente de sua capacidade em várias partes do planeta. Como vimos no Iraque em 2003 e recentemente na Líbia, a Síria foi uma tentativa não muito bem sucedida, frustrada, embora não tenham desistido completamente dela. A Ucrânia continua dividida. A Rússia sofrendo um bloqueio econômico com vários impedimentos comerciais diante do mundo rico. É uma visão na órbita de assuntos ligados à geopolítica, mas que também tem uma ligação bem estreita, várias conexões com tudo o que está acontecendo hoje em dia internamente no país. Muitas conexões. Porque está tudo ligado, e não poderia ser diferente, na verdade ignoramos mais do que sabemos fazer a leitura correta das conexões entre os fenômenos narrativos, nesse ponto o instrumental filosófico auxilia e ajuda um pouco destrinchar e revelar o que está por trás, nos bastidores, fazendo pressão sem aparecer, sem mostrar claramente envolvimento material. Finalmente a inteligência brasileira está abandonando a corrente da fragmentação do discurso e do pensamento, que foi hegemônica entre nós até recentemente, e que não interessa nem um pouco aos nossos interesses. Não trabalha a nosso favor, pelo contrário, atenta contra esses interesses, contra as empresas nacionais, onde o jogo da competição continua sujo, desleal e invisível, embora vejamos os seus efeitos materializados na piora dos negócios das empresas nacionais, além da sofisticada espionagem desigual invisível. Donde a importância de uma visão macro da conjuntura ser fundamental, para se poder criar as condições políticas necessárias para enfrentar e superar as dificuldades. É bom estar alerta, porque a potência matriz do liberalismo econômico quer levar tudo, ganhar todos os mercados, com apetite e ganância feroz. Uma fome por ganhos e vantagens incomensurável. Como diz um trecho do artigo que copiei: "Vale contar uma história de como, em 1980, a Odebrecht perdeu uma concorrência no Chile de Pinochet. Recém eleito, Ronald Reagan, telefonou diretamente a Pinochet para interferir numa licitação para uma obra de infraestrutura no país andino, para que ela não fosse vencida pela Odebrecht e sim por uma empresa dos EUA, tal como ocorreu. Reagan prometeu a Pinochet que desativaria a campanha de direitos humanos que o Presidente Carter vinha fazendo contra a sanguinária ditadura chilena." Enfim, a força da grana fala mais alto, quer dizer a força do império, disposto a impor as suas empresas em todos os mercados, ocupar todos os espaços pela lógica do lucro, não importam os meios. A Odebrecht vem sendo a pedra na chuteira das empreiteiras norte-americanas, pelo menos, pelo que diz o artigo desde 1980, portanto prejudicá-la agora no plano interno, em sua capacidade de trabalho e de investimento, impedindo que empregue mais trabalhadores brasileiros, etc., como está fazendo a operação Lava-jato do juiz Moro. Não seria também atender os objetivos e interesses dos negócios de adversários muito mais fortes, amparados por governos de potências imperiais, que não querem pôr a perder um milímetro que seja do seu poderio e dominação, sobretudo no campo econômico? Novamente a lógica do lucro dominando tudo. Querem enfraquecer nossas empresas e nossa economia não importam os meios. Se o que está atrapalhando, que continua criando problemas, para as suas empresas multinacionais, e que ainda por cima, recebem o apoio do governo local para se fortalecer, incluindo financiamento de bancos públicos brasileiros. O remédio é espionagem em cima. Se o problema permanece. Qual é o problema? Se um determinado governo está criando problemas. Espiona-se o governo e as suas empresas protegidas, por um longo período, por alguns anos, até que uma estratégia seja preparada meticulosamente, que possa produzir os resultados desejados com eficácia e eficiência. Em seguida inicia-se os movimentos de conspiração para valer, incluindo o aliciamento e a cooptação de agentes públicos, agentes de estado, como juízes e outros. Em seguida, cuida-se do aparelho ideológico da informação, do sistema de comunicação de massa do país, com a criação de uma narrativa única padrão, fácil de transmitir para as massas, e para a classe média em particular através dos jornais e da tevê paga. Para pôr em andamento o movimento de derrubada do regime político ou governo, que está impedindo os seus negócios. Se o problema é o governo, derruba-se o governo, não importa quem seja. Se tem alta popularidade, trabalha-se a mídia, elabora-se uma nova narrativa, e impõe-se a divulgação daquela lorota através dos meios de comunicação. Trabalha-se o processo de desconstrução da imagem e de traços favoráveis ao governo de plantão, para reverter tudo absolutamente ao contrário, desgastá-lo até o limite máximo perante a opinião pública, através do processo de desqualificação, desmoralização e demonização radical de massa. Pronto, o golpe está pronto, só falta dá-lo. Por tudo que passou ao longo da história o Brasil não deveria mais cair nesse tipo de tramoia, conto do vigário, porque está tudo muito nítido e claro. Primeiro espiona-se, depois prepara e finalmente dá o golpe fatal. Acho que já chega, não é mesmo? Golpe desse tipo, já caímos em 1964. Já está de bom tamanho. Mais do que suficiente. Não vamos mais passar por isso.


segunda-feira, 4 de abril de 2016

No Tempo



Não dá para desconsiderar que somos seres temporais, moventes e dinâmicos, estamos portanto no tempo, por mais acomodados, estacionados e parados que estejamos. Tudo passa, tanto os sucessos como os fracassos. Estamos embarcados. Não há tempo para balanços, nem avaliações passageiras, senão corremos o risco de perdermos o bonde da história. Não se pode parar nem para pensar, se pensa em movimento, no fluxo do dinamismo da vida temporalizada. Os desvios de rota no caminho são as vezes inevitáveis, já que nem sempre somos movidos pela razão; pelo contrário, na maioria das vezes, somos empurrados e levados por sentimentos e paixões, o que favorece muito mais os erros e enganos que os acertos. Daí o “errar é humano” tantas vezes repetido. Em algum ponto do labirinto haveremos de reencontrar o caminho temporariamente perdido, ou não. Prefiro me poupar de pensar na possibilidade de perder o caminho para sempre.

domingo, 3 de abril de 2016

O predomínio de apenas uma versão




Não lembro ter visto antes, um canal de tevê discutindo o papel de outro canal de tevê, se não é inédito, é algo inusitado em nosso país. Vejam, para conferir, talvez valha a pena, o vídeo do programa VerTV da TV Brasil na internet, sobre o papel da tevê Globo nesse momento golpista, que estamos vivendo e assistindo diariamente. Uma mídia familiar, que mesmo sendo beneficiária de uma concessão pública, que passa de pai para filho como herança, na cara de pau, essa mesma concessão pública, como se fosse um patrimônio familiar, depois de se tornar um monopólio midiático poderosíssimo, o maior do país, algo inédito no mundo. E faz isso tudo, porque os instrumentos reguladores existentes são muito antigos e inadequados. Pelo fato de não ter sido possível até agora, encontrar o apoio suficiente no Congresso, para aprovar e implantar uma regulação midiática, que regulasse inclusive os negócios cruzados de uma mesma empresa de mídia, algo similar ao que acontece nos EUA e em países importantes. Aqui como nada é regulado, a cartelização e o monopólio se consolidou de forma criminosa. O mais grave é ver, como a imprensa trabalha com informação e opinião para o grande público, para a imensa maioria do povo brasileiro, para a massa. Torna-se, dessa forma, um grande risco para a democracia brasileira, quando toma partido de forma tão escancarada. Estamos a assistir o desenrolar de uma peça política, muito parecida com uma farsa, que se constitui no papel que está jogando a grande mídia, embora cada agente midiático tenha o seu respectivo papel, tamanho e relevância específica. No caso das Organizações Globo, cada canal pago ou aberto, tem os seus objetivos políticos ao estabelecer  o seu público alvo. Mas o que se observa, e que chama atenção de forma marcante, é o partidarismo da emissora a favor dos aliados de sempre da direita, tanto políticos como empresariais, o tempo quase todo da pauta de programação. Uma ausência total do contraditório. Na defesa e divulgação de uma narrativa do contra o governo de plantão, como sendo a única verdadeira, para convencimento de toda a massa de espectadores. O que é uma coisa extremamente perigosa, já que o discurso do contra praticamente se tornou uma lavagem cerebral contra a população de modo geral, e dessa forma, uma terrível ameaça à democracia. Tem sido dito em algumas análises, que dependendo do público alvo, a estratégia muda na abordagem, no tom mais ou menos crítico. Por exemplo, é conhecido que no Jornal Nacional das 20:30 hs, cujo objetivo é atingir grandes massas, onde a média de escolaridade é mais baixa, e por mirar um público maior, o resultado jornalístico é diferente e mais leve do que é apresentado na Globonews. Canal pago, que se dirige a um público mais restrito e instruído, mais rico e bem menor, quase uma bolha, é lugar de uma contundência crítica contra o governo de proporções gigantescas. O mesmo fenômeno acontece com o jornal impresso o Globo, que hoje conta com um número de leitores bem inferior, ao que já teve no passado, e que nem se compara com o público da tevê aberta, por isso no jornal os ataques contra o governo são violentíssimos. As formas de realizar a narrativa do contra varia, mas o conteúdo é sempre o mesmo, sempre com o objetivo de tornar hegemônica apenas uma versão da realidade política. E como é feito tudo isso? São as táticas e estratégias mercadológicas, que se enriquecem com aspectos políticos e ideológicos. Primeiro eles não mencionam em nenhum momento o movimento de 1964, esquecem e negligenciam totalmente a história, como se não houvesse a menor conexão entre uma coisa e outra, nada que acontece hoje tem nenhuma correspondência, conexão ou relação com o passado, como se o passado fosse irrelevante ou inexistente, o passado não conta. É o que acontece, na negligência deliberada, com a campanha do “mar de lama” feita por Carlos Lacerda e pela imprensa contra Getúlio Vargas em 1954, e novamente em 1964 contra Jango. Fatos, que para essa mídia tendenciosa, é como se nunca tivessem existidos. Algo estranho e deliberado, contar com outros instrumentos e elementos, que dê outro tempero em sua narrativa discursiva demonizadora, e assim reforçar a criminalização do grupo político, ora no poder, alvo principal e absoluto dos ataques. É como se dissessem: "esqueçam o passado de uma vez por todas". O jogo político é praticado usando a régua do jogo sujo, pegando pesado, de "se colar colou", já que não têm nada a perder. Procura-se construir e divulgar uma narrativa do contra, buscando ser a versão mais verdadeira dos fatos, e através da completa distorção dos fatos, procuram fazer os ataques com narrativas, cada vez mais demonizante e criminalizante, visando enfraquecer gradativamente o alvo, fazê-lo sangrar como já diz alguns veículos, para derrubá-lo não importa como, tanto através de um impeachment na Câmara dos Deputados, ou cassação da chapa vencedora em 2014 no Superior Tribunal Eleitoral, no processo de revisão do termo de posse. Qualquer coisa é válida para se atingir o objetivo, derrubar o governo através de um golpe no judiciário, com o mais amplo apoio possível da grande mídia monopolista, que já tem a hegemonia da opinião pública brasileira. E a verdade se revela, pela forma como alguns jornalistas, que não se dobram, estão sendo demitidos. Jornalistas que vivem, de forma ambígua e esquizofrênica, já que em seus blogs particulares mostram uma posição, que não podem jamais compatibilizar com a postura imposta nos tele-jornais que apresentam. Tudo para fazer cumprir a estratégia de manter coerente o discurso do contra, manter uma narrativa única diante do quadro conjuntural nacional. Quem não está cumprindo o papel no roteiro do contra a contento, de acordo com script deve ser afastado ou eliminado com a peça ainda em andamento.
http://tvbrasil.ebc.com.br/vertv/episodio/crise-politica-em-debate
http://tvbrasil.ebc.com.br/vertv/videos
http://tvbrasil.ebc.com.br/vertv/episodio/crise-politica-em-debate
http://tvbrasil.ebc.com.br/vertv/post/como-a-imprensa-francesa-esta-cobrindo-a-crise-brasileira#media-youtube-1
http://tvbrasil.ebc.com.br/vertv/post/a-medicao-de-resultados-sobre-a-cobertura-politica-feita-pela-midia#media-youtube-1
http://tvbrasil.ebc.com.br/vertv/post/a-luta-pela-democratizacao-da-midia-no-brasil#media-youtube-1
     

Eu te respeito


EU TE RESPEITO

Quando existe respeito mútuo em qualquer relação humano afetiva,
Não importa os credos,
Não importa quais,
Seja em que área for,
Não importa qual,
Tanto político ideológico,
Gosto estético,
Crenças religiosas,
Paixão futebolística
E demais credos.
Não importa qual,
Porque se eu te respeito,
Não tem porque te fazer crer em minhas ilusões e viagens.
Eu te respeito,
Se eu te respeito não devo desejar te mudar.
Eu te respeito,
Se preciso, desejo e quero produzir alterações em ti,
É porque eu não te respeito.
Se eu te respeito,
A decisão sempre deverá ser tua.
Eu te respeito porque amo quem tu és.

sexta-feira, 1 de abril de 2016

Fazemos parte do mundo ocidental?




Setores da classe média tradicional brasileira gostam de se colocar, de se pabular, como pertencentes ao chamado mundo ocidental, o que em parte revela, o desejo de ocuparem os postos dos antigos colonizadores; e também, por outro lado, de acreditar numa fábula. E que mundo ocidental seria esse? Seria a parte mais rica da Europa Ocidental e os dois países brancos mais ao norte das Américas. O que essa gente mais rica de nossa sociedade acha ou sente, não é tão relevante nessa história, mais importante que tudo seria também considerar o outro lado da moeda. O que os habitantes das sociedades opulentas do chamado mundo ocidental ACHAM das gentes de nosso mundo periférico, sobretudo aquele que inclui o México e todas as outras sociedades latino americanas? Todos sabem como os setores mais privilegiados de nossa sociedade gostam de se pavonear, cultivar e macaquear o modus vivendi europeu em suas vidas cotidianas, o que só favorece o tipo de mentalidade de “se sentir europeu” ou “como se europeu fosse”. Daí fica tudo mais fácil, quase um pulo, para se considerar sendo parte daquele chamado mundo ocidental, àquele pertencimento forçado. Donde fica muito claro e transparente, as razões que os levam a cultivar tantos preconceitos contra os brasileiros mais pobres em geral, com quem não se identificam nem um pouco, já que se julgam mais europeus que brasileiros. O Brasil e sua gente mestiça é sempre desvalorizado e desqualificado por parte de uma pequena elite integrante de sua população, justamente por aquela parte da população nacional que se julga europeia e pertencente ao chamado mundo ocidental. Acontece que eles acham tudo isso, e não se preocupam nem um pouco com o que os outros, os europeus verdadeiros e também os norte-americanos ricos pensam a respeito da questão. E parece que não estamos nada bem na foto, a percepção deles a nosso respeito não é nada favorável. Para início de conversa, logo de cara, afirmam que não fazemos parte do chamado mundo ocidental, ao criminalizarem a miscigenação realizada nos trópicos, coisa só possível em sociedades fora do padrão europeu de sociabilidade, e baseadas também em outras crenças absurdas e nem um pouco científicas a respeito do fenômeno da miscigenação brasileira. Só por esse fato: ‘a miscigenação’, já seria mais do que suficiente para sermos expulsos do fechado clube. Miscigenação, principalmente aquela encontrada no Brasil, considerada por alguns europeus como uma bizarrice étnica. Muitos europeus ainda cultivam uma certa intolerância contra o diferente. E o Brasil é muito diferente de qualquer país europeu em vários aspectos. Sem fazer qualquer avaliação de que seja bom ou ruim. Além disso, existem outras razões para excluir o Brasil enquanto sociedade, do mundo ocidental, como é o caso da sua cultura política, a maneira como a política é feita, apesar da recente conquista democrática após os 21 anos de ditadura militar de direita, que gostamos tanto de propagandear mundo afora. Com a instabilidade política da crise atual, aquilo que se pensava ser uma democracia mais consolidada e sustentável, se revelou o contrário. Os usos e costumes dos politiqueiros brasileiros é narrado em forma de crônica pelos correspondentes internacionais aqui instalados, que os consideram folclóricos, ou seja, mais uma coisa bizarra bastante peculiar a um tipo de sociedade completamente fora do modo e padrão europeu de ser. Além de muitos outros traços peculiares de sociedades como a brasileira, ex-colonizada e impregnadas de costumes e valores considerados totalmente fora do padrão europeu. E o mais curioso dessa história toda, é o paradoxo revelado pelo fato de uma elite dirigente europeizada, que está no comando do país, mesmo não estando temporariamente no poder político de estado; essa elite europeizada dirige o país da forma a menos europeia possível, reforçando com isso a percepção negativa de país fora do padrão, sobretudo no aspecto do déficit democrático, com a desigualdade, por europeus de verdade. Por que será?